O Turismo brasileiro diante do novo desafio da jornada de trabalho; leia no artigo
Em artigo, especialista em vendas e liderança analisa os impactos do possível fim da escala 6x1

A possível extinção da escala 6x1 já provoca debates intensos em diversos segmentos da economia, mas poucos sentirão tanto os efeitos dessa mudança quanto o setor de Turismo e Hotelaria. Em um mercado que funciona sem interrupções e depende diretamente do atendimento humano, a redução da jornada de trabalho levanta questionamentos sobre custos, operação, qualidade dos serviços e o futuro da experiência do consumidor.
Em artigo que você pode ler a seguir, o especialista em vendas e CEO da Companhia de Palestras, Diego Maia, traz uma análise direta sobre os impactos da nova realidade trabalhista no Turismo brasileiro.
O autor discute os desafios enfrentados por hotéis, resorts e operadores turísticos, os riscos de aumento nos preços e os caminhos que o setor pode adotar para equilibrar eficiência, tecnologia e valorização das equipes.
Confira na íntegra o artigo:
"O custo da hospitalidade com o fim da escala 6x1 no turismo brasileiro
A proposta de extinção da jornada de trabalho 6x1, que ganhou força definitiva no Congresso em 2026, colocou o setor de Turismo e Hotelaria em estado de alerta máximo. Embora o discurso do bem-estar social e da produtividade moderna ecoe nos corredores de Brasília, para as entidades de classe e os principais players do setor a planilha de custos não fecha sem um repasse direto ao consumidor.
Para um setor que opera 24 horas por dia, sete dias por semana, a hotelaria é 100% dependente do capital humano. O serviço de quarto, a recepção, a limpeza e o A&B (alimentos e bebidas) exigem presença física ininterrupta, representando desafios logístico e financeiro para os gestores que terão que remanejar os profissionais, sem prejuízo à qualidade do que oferecem ao hóspede.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a adoção de cargas horárias de 36 ou 40 horas semanais significa um aumento de custos salariais de até 21%, principalmente para as empresas do setor terciário. E mais: hotéis e resorts não escaparão de um aumento no quadro de funcionários de, no mínimo, 15% para cobrir as janelas de descanso da equipe.
Os serviços turísticos também sofrerão impactos devido ao aumento de carga tributária, o que resultará em menor margem de lucro para os empreendedores. Conforme dados da Fecomércio, o impacto da redução de jornada no setor será de R$ 235 anuais. Nesse cenário, o turista de lazer deve esperar por aumento médio de 13% nos preços de pacotes, passeios, passagens e traslados, conforme estudo da CNC.
Há também um temor real de que a rigidez da nova escala empurre pequenos hotéis e pousadas para a informalidade, comprometendo a qualidade e a segurança do destino Brasil. Por outro lado, algumas redes hoteleiras já começam a testar modelos híbridos, oferecendo dois dias de folga para atrair profissionais, reduzir custos de recrutamento e treinamento.
Contudo, o consenso entre os líderes do setor é claro: sem uma reforma que desonere a folha de pagamento simultaneamente à mudança da jornada, o turismo brasileiro corre o risco de se tornar um "produto de luxo", com hotéis operando com equipes reduzidas e serviços simplificados para evitar o repasse integral de custos.
Por enquanto, para compensar a redução da jornada, o mercado hoteleiro deve focar em reduzir o "atrito" operacional que consome horas preciosas das equipes, com investimento em tecnologia. Check-in e Check-out por totens ou soluções via app liberam a recepção para funções de concierge e vendas ativas, por exemplo.

Utilizar IA para o atendimento de dúvidas básicas pelo WhatsApp reduz a carga sobre a central, permitindo equipes menores e mais focadas. Uma outra função que também pode ficar a cargo da IA é a precificação dinâmica para maximizar a receita em dias de alta demanda e assim, subsidiar os custos de folha nos períodos de baixa.
Uma dica de ouro é investir em treinamento para tornar o time mais afinado e especializado. Se onde tem venda tem vida, o colaborador deve atuar além da função em que foi contratado e se transformar num “vendedor de experiências”, proporcionando serviços de excelência.
Todas essas práticas aliadas a uma liderança firme, que mantenha a motivação da equipe, especialmente nas trocas de turno, garantirá que a redução da carga horária não afete a eficiência da operação. Se o aumento de custos é inevitável para todo o setor, a vitória será de quem entregar a melhor percepção de valor ao hóspede, fazendo-o sentir que cada real investido na viagem vale a pena."