Bruno Wendling defende agenda climática como diferencial competitivo no Turismo; confira
Iniciativas de conservação, descarbonização e valorização das comunidades locais agregam valor ao produto

O presidente da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, segue com a sua série de artigos no Portal PANROTAS que compartilham reflexões e aprendizados sobre a construção de ações promocionais mais estratégicas, inovadoras e orientadas por resultados.
No primeiro texto, no início do mês, o executivo abordou a evolução da promoção de destinos, questionou práticas ainda recorrentes no setor e ainda defendeu uma abordagem baseada em planejamento, experiências e conexões capazes de gerar valor e posicionamento de longo prazo.
No segundo artigo, Bruno Wendling compartilhou seus aprendizados acumulados em mais de 20 anos de participação em feiras e eventos de Turismo. O executivo defendeu que os estandes deixem de ser apenas vitrines institucionais para se tornarem plataformas de negócios.
E neste novo artigo que fecha o mês, Wendling afirma que a agenda ambiental deixou de ser apenas uma responsabilidade dos destinos e passou a ser uma estratégia de posicionamento de mercado. Para o executivo, iniciativas de conservação, descarbonização e valorização das comunidades locais agregam valor ao produto turístico, fortalecem a imagem dos destinos e se traduzem em vantagem competitiva.
Leia o artigo abaixo:
Sustentabilidade também comunica – Conservação também é Posicionamento de Mercado
"Quando pensamos em sustentabilidade, especialmente no ambiente do Turismo, não é difícil entender a importância do tema para nosso negócio. Afinal de contas, se somos chamado de Industria sem chaminés – termo que particularmente não gosto e não penso que defina a atividade, pois sim somos também poluidores e, potencialmente danoso ao meio ambiente quando os destinos não mal planejados – temos quase que obrigação moral com a conservação dos nossos ativos naturais, culturais e humanos. Mas não é sobre isso que quero falar.
Antes de mais nada preciso dizer que não acredito no Turismo Sustentável, penso que seja quase uma utopia e também porque falar em sustentabilidade além de estar na moda, na minha visão, transfere a responsabilidade para o outro. Por isso sempre uso o termo Turismo Responsável. Mas esse artigo não é sobre definição do que é ou não sustentável. Quero abordar aqui porque trabalhar ações responsáveis, relacionadas ao meio ambiente, desde descarbonização, redução do lixo, conservação de espécies, são também Posicionamento de Mercado.
Quando começamos a trabalhar com a agenda climática na Fundação de Turismo do MS, por uma oportunidade apresentada, de ser o primeiro destino carbono neutro de ecoturismo certificado do Mundo – ser o primeiro sempre é bom ou quando começamos a descarbonizar nossos estandes, medindo a quantidade de carbono que era gerado pelos deslocamentos da nossa equipe e dos visitantes, comecei a entender que, mais que contribuir com a Agenda 2030, e claro esse o primeiro e principal objetivo, estávamos reforçando a identidade do destino Mato Grosso do Sul e, consequentemente, seu posicionamento no mercado nacional e internacional.
Destinos turísticos, especialmente os de ecoturismo e turismo de aventura, e que são procurados cada dia mais por oferecer experiências outdoor e contato com a natureza, tem também maior responsabilidade com a conservação dos seus ativos. Hoje, no mercado internacional, ações que visem a redução do impacto e melhoria da qualidade de vida das comunidades que ali residem, não são mais um diferencial, são o básico. Portanto, estamos falando não sobre uma agenda ambiental e sim uma agenda de negócios, de agregar valor ao produto, de ocupar lugar de destaque frente aos concorrentes, que ainda ficam em cima do “custo” que é ser mais “sustentável” e não enxergam que isso pode traz melhore turistas.
Exemplo: uma pousada em Bonito, que se tornou o primeiro hotel certificado Lixo Zero do destino, começou a praticar tarifas maiores e aumentou sua taxa de ocupação frente a outros hotéis da mesma categoria. Pelo simples fato de ter se posicionado como um meio de hospedagem mais comprometido com a questão ambiental.
Por fim, o Mato Grosso do Sul tem se posicionado na liderança da agenda climática de destinos, e, a partir de iniciativas que vão desde apoiar a certificação de destinos, descarbonização dos seus estandes e eventos, apoios financeiros a startups para desenvolverem projetos relacionados, a campanhas como o Pantanal JAM, que também dão visibilidade projetos de conservação, mostra que “sustentabilidade” é mais que uma palavra da moda ou uma ação para proteção dos nossos recursos. É Comunicação, é Posicionamento, é Negócio. E, quem sabe, também pode ser sustentável".