Da Redação   |   13/10/2026 16:26

Brasil tem potencial para ampliar mercado de parques naturais, avalia especialista

Pedro Cypriano reflete que maioria dos parques ainda conta com logística precária


Divulgação
Pedro Cypriano
Pedro Cypriano

O Brasil reúne um patrimônio natural de dimensão global, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em um mercado estruturado de parques naturais. A falta de infraestrutura, as limitações de acesso e os desafios para viabilizar investimentos estão entre os principais entraves ao desenvolvimento do setor.

Em novo artigo, Pedro Cypriano, fundador e CEO da Noctua Advisory, analisa as oportunidades de crescimento, os modelos de concessão e o papel do poder público na expansão dos parques naturais brasileiros. Confira na íntegra:

Parques naturais no Brasil: o gargalo não é a natureza, é o acesso a ela

Um patrimônio de primeiro mundo, um mercado que ainda engatinha

O Carrossel de Tendências, podcast que a Noctua realiza com o Sindepat e a Adibra, estreou reunindo Pedro Cleto (Parquetur) e Pablo Morbis (Grupo Cataratas) para falar do próximo ciclo de investimentos em parques naturais no Brasil. Os números do episódio confirmam o tamanho da oportunidade e expõem o que trava o setor há décadas.

Só na América Latina e Caribe, a IAAPA mapeia quase 2 mil parques naturais. No Brasil, o recorte é bem menor: 57 parques naturais privados ou concessionados e R$ 1,7 bilhão de faturamento anual, segundo a 4ª edição do Panorama Setorial Noctua/Sindepat/Adibra. A primeira concessão de um parque nacional nos EUA, Yellowstone, é de 1875; no Brasil, o marco equivalente, as Cataratas do Iguaçu, só veio em 1998. O país tem o bioma, falta o modelo de negócio maduro para monetizá-lo em maior escala.

2026: hora de plantar ou hora de colher?

Segundo o Panorama Setorial de entretenimento, os parques naturais cresceram 5,7% em visitantes em 2025, puxados pelos ativos recém-concessionados. No episódio, Pedro Cleto e Pablo Morbis reafirmam um setor que cresce, mas não de forma única no país. A Parquetur internalizou operações antes terceirizadas (restaurante, loja, outras atividades) desde meados de 2025. A decisão acelerou faturamento e margem operacional de imediato.

No Grupo Cataratas, a performance varia por destino: Foz do Iguaçu só recuperou a visitação pré-pandemia em 2024, puxada pelo turista argentino, e cresceu cerca de 15% no ano passado; o Rio de Janeiro, mais urbano, reagiu mais rápido, e vem com ótima performance nos mercados doméstico e internacional. Só o Grupo Cataratas tem R$ 600 milhões em investimentos obrigatórios em parques nos próximos anos. Juros altos não são motivo para parar de investor, são motivo para investir melhor, em ativos geradores de Ebitda.

O maior investimento do setor não está dentro do parque

O principal gargalo do setor não é a beleza natural, é o acesso a ela, mensagem reforçada pelos dois convidados. A maioria dos parques nacionais fica longe dos grandes centros, com logística precária que compromete a concessão antes mesmo de sair do papel.

Nos Estados Unidos, os parques nacionais recebem cerca de 330 milhões de visitantes por ano. No conjunto das unidades de conservação brasileiras, esse número é uma fração do mercado norte-americano. Menos de 10% dos cerca de 600 aeroportos do país têm voos comerciais diários, e sem malha aérea ou rodoviária, o setor de parques naturais no país fica restrito a poucas regiões do país.

Na prática, o modelo de concessão só fecha a conta com visitação em volume, hoje limitado a poucos parques nacionais e alguns estaduais. Para o restante, a saída é a delegação parcial de serviços (restaurante, guiamento, atrações secundárias), não a concessão integral. Não falta vocação natural ao Brasil, mas sim infraestrutura, capacitação e cultura de consumo do próprio brasileiro pelos parques.

Onde nascerá o próximo grande parque natural brasileiro?

Dos 70 novos empreendimentos de entretenimento mapeados no país, que somam R$ 7,1 bilhões em investimento, apenas quatro são parques naturais, a menor fatia entre todos os segmentos. O capital ainda não encontrou o caminho para viabilizar parques naturais em maior escala no país.

O episódio aponta duas frentes. A primeira é integrar hospitalidade e gastronomia ao parque (investimentos em hotéis, museus temáticos, além de outras atrações) para ampliar permanência e ticket sem depender de nova outorga. A segunda são regiões ainda represadas: Amazônia e Pantanal, hoje restritos a nichos de ticket alto; e Lençóis Maranhenses. Aqui, o caminho passa principalmente por decisões e investimentos do poder público.

No Brasil, a proporção da população que visita parques naturais ainda é uma fração simbólica. Fechar essa diferença não depende de mais natureza, depende de infraestrutura, qualificação da oferta turística e política pública consistente. Esse é o caminho para potencializar os parques naturais e seu efeito multiplicador em investimento, renda, pesquisa, turismo e entretenimento à população.

Para se aprofundar no tema, acesse o podcast completo em seu canal de preferência, no Spotify ou YouTube.

Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.

Tópicos relacionados

Avatar padrão PANROTAS Quadrado azul com silhueta de pessoa em branco ao centro, para uso como imagem de perfil temporária.

Conteúdos por

Da Redação

Da Redação tem 11491 conteúdos publicados no Portal PANROTAS. Confira!

Sobre o autor

Colaboração para o Portal PANROTAS