Em novo artigo, Bruno Wendling defende comunicação segmentada para destinos turísticos
Executivo defende que destinos turísticos precisam deixar de lado a comunicação genérica

O presidente da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, segue com a sua série de artigos no Portal PANROTAS que compartilham reflexões e aprendizados sobre a construção de ações promocionais mais estratégicas, inovadoras e orientadas por resultados.
No primeiro texto, no começo de julho, o executivo abordou a evolução da promoção de destinos, questionou práticas ainda recorrentes no setor e ainda defendeu uma abordagem baseada em planejamento, experiências e conexões capazes de gerar valor e posicionamento de longo prazo.
No segundo artigo, Bruno Wendling compartilhou seus aprendizados acumulados em mais de 20 anos de participação em feiras e eventos de Turismo. O executivo defendeu que os estandes deixem de ser apenas vitrines institucionais para se tornarem plataformas de negócios.
No terceiro artigo da série, Wendling afirmou que a agenda ambiental deixou de ser apenas uma responsabilidade dos destinos e passou a ser uma estratégia de posicionamento de mercado. Para o executivo, iniciativas de conservação, descarbonização e valorização das comunidades locais agregam valor ao produto turístico, fortalecem a imagem dos destinos e se traduzem em vantagem competitiva.
No quarto artigo, publicado em agosto, Bruno Wendling, defendeu uma mudança na forma como os órgãos oficiais de turismo enxergam sua atuação. Ele argumenta que, além de políticas públicas, governança e promoção institucional, essas estruturas precisam compreender o funcionamento do mercado e atuar de maneira mais próxima do trade para gerar resultados concretos.
E neste quinto artigo, o executivo defende que destinos turísticos precisam deixar de lado a comunicação genérica e passar a trabalhar de forma mais estratégica a segmentação. A partir de exemplos como a experiência do Mato Grosso do Sul em ações B2B, Bruno mostra como adaptar a mensagem às diferentes demandas pode ajudar destinos a ganhar posicionamento, diferenciação e conexão com o viajante.
Confira:
Segmentação: Porque não precisamos falar com todo mundo do mesmo jeito
"Sabe aquela frase 'dar um tiro e canhão para ver se acerta alguma coisa'?
Pois é, no Turismo ela não vale mais. O famoso marketing de guerrilha, muito conhecido no varejo, para alcançar o maior número de pessoas, pois são produtos padronizados e precisam de escala, nos dias de hoje não é uma boa estratégia para um mercado que cada vez mais busca personalização.
Se nossa atividade promete entregar experiências únicas e memoráveis, pois isso que se pressupõe uma viagem, especialmente as de lazer, a segmentação tanto da oferta, mas especialmente da demanda, muda a forma como nos comunicamos com o mercado. Todo destino, para que possa se posicionar com competitividade e encontrar seu lugar ao sol, necessita principalmente de 2 pontos: desenhar sua imagem, com seus atributos mais singulares e com diferenciação e encontrar a melhor forma de alcançar seus públicos, seus mercados. Falo no plural, pois não existe apenas um tipo de turista, nem um tipo de segmento a se trabalhar. São vários. Claro também cuidando para não achar que seu destino tem todos – especialmente quando se possui diversos ativos naturais e culturais em um território. É sempre fundamental definir, de fato, aquilo que possui estrutura, singularidade e capacidade de entregar algo diferenciado. Mas vou focar mais na forma de comunicar isso nesse artigo.
Temos hoje condições para promover e comunicar nossos destinos de forma bastante segmentada. Eventos focados nas mais diversas temáticas, desde negócios, pesca esportiva, LGBT, 60+, ecoturismo, etc são ótimos espaços para um posicionamento focado em mercados específicos e que possibilitam melhor clareza e visibilidade aos produtos dos destinos. No MS, como já abordado em artigo anterior, uma das principais estratégias no mercado B2B foi apostar no apoio, sempre com a principal cota, nos principais eventos segmentados do Brasil (negócios, 60+, LGBT, Sustentabilidade, etc) e fora (nesse caso nos de ecoturismo e aventura) com forma de se destacar em relação aos concorrentes e fixar posicionamento. Isso claro com constância e longo prazo.
Além disso, focar na segmentação de demanda, oportuniza o destino a trabalhar a mesma oferta com uma comunicação diferenciada para tipos de público. Por exemplo: os turistas 60+ nos dias de hoje não consomem apenas destinos e produto que ofereçam relaxamento, ou eventos temáticos. Eles querem aventura, querem atividades outdoor, querem viver. E isso muda a forma de desenhar as estratégias de promoção. Não basta o foco na atividade a ser oferecido, mas sim como ela pode despertar o interesse da vivencia para esse tipo de público. Ou público LGBT que por muitos anos foi reconhecido por gostar apenas de destinos de festa, de diversão. Mas continuar a pensar nesse mercado apenas com essas motivações é limitante. Eles buscam romance, gastronomia, ecoturismo, luxo, assim como outros públicos.
Portanto, o foco novamente precisa ser na necessidade do consumo, no perfil, e toda comunicação do destino, deve caminhar na direção daquilo que se oferta, e, especialmente, para quem se oferta. As redes sociais e os canais de comunicação estão prontos e são ótima ferramenta para alcançar essa audiência, que precisa ser qualificada e sentir que a mensagem é exclusiva. Campanhas on line conseguem entregar a mensagem a qualquer público que deseje. Mas é preciso ter a oferta bem definida e ajustada para que esteja de acordo com o público. Segmentação no mercado do turismo é tudo, ou senão a chance é grande de você mirar e não acertar nada. Mas lembre-se, a intencionalidade no que se diz precisa estar amparada por uma verdade no que se entrega no destino".