Bruno Wendling defende que órgãos oficiais ampliem atuação no Turismo; leia o artigo
Presidente da Fundtur-MS afirma que os destinos devem olhar mais de perto as demandas do mercado

O presidente da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, segue com a sua série de artigos no Portal PANROTAS que compartilham reflexões e aprendizados sobre a construção de ações promocionais mais estratégicas, inovadoras e orientadas por resultados.
No primeiro texto, no começo de julho, o executivo abordou a evolução da promoção de destinos, questionou práticas ainda recorrentes no setor e ainda defendeu uma abordagem baseada em planejamento, experiências e conexões capazes de gerar valor e posicionamento de longo prazo.
No segundo artigo, Bruno Wendling compartilhou seus aprendizados acumulados em mais de 20 anos de participação em feiras e eventos de Turismo. O executivo defendeu que os estandes deixem de ser apenas vitrines institucionais para se tornarem plataformas de negócios.
No terceiro artigo da série, Wendling afirmou que a agenda ambiental deixou de ser apenas uma responsabilidade dos destinos e passou a ser uma estratégia de posicionamento de mercado. Para o executivo, iniciativas de conservação, descarbonização e valorização das comunidades locais agregam valor ao produto turístico, fortalecem a imagem dos destinos e se traduzem em vantagem competitiva.
E neste quarto artigo, Bruno Wendling, especialista em gestão e promoção de destinos, defende uma mudança na forma como os órgãos oficiais de turismo enxergam sua atuação. Ele argumenta que, além de políticas públicas, governança e promoção institucional, essas estruturas precisam compreender o funcionamento do mercado e atuar de maneira mais próxima do trade para gerar resultados concretos.
Leia o artigo abaixo:
Por que um órgão de Turismo precisa pensar como mercado?
"Quando comecei a trabalhar na gestão pública (hoje faço gestão de destinos, pois o foco deve ser nos territórios e não na instituição apenas), há 22 anos dentro da própria Fundação de Turismo do MS e, mesmo após a minha ida ao Ministério do Turismo onde fiquei 4 anos, tinha em mente como os papéis entre público e privado eram separados, bem definidos e que um Órgão Oficial de Turismo deveria focar apenas no fomento, na capacitação, na governança e na promoção, mas sempre de forma institucional. Pois bem – hoje não penso e muito menos não faço apenas isso.
Se o Turismo é uma atividade econômica, que tem por natureza a oferta de produtos e serviços que visam atender as demandas de quem viaja, desde negócios ao lazer, entendo que um órgão oficial de turismo tem que ter mais foco no mercado. Mas calma, não estou afirmando que as necessidades dos territórios, das pessoas que ali vivem, das comunidades tradicionais, não precisam de políticas públicas, suporte, fomento, etc – já falei um pouco sobre algumas iniciativas nesse sentido em artigos anteriores. Estou apenas dizendo que é fundamental que a atuação desses órgãos tenha que olhar o que está acontecendo no mercado, para que suas ações tenham eficácia e resultados possam ser gerados para todos que vivem da atividade.
E, algumas vezes, quem trabalha com a gestão em um município, estado ou país, precisa ir além do que pensa ser o seu papel. Exemplo prático: no início da minha gestão no MS, identificamos que os produtos dos nossos principais destinos que estavam nas prateleiras das operadoras, em muitos casos, estavam desatualizados, ou eram poucos. Mas isso, em tese era papel dos nossos receptivos, atrativos, trade, que precisava alinhar melhor com que os vende, correto? Sim, mas não esperei que isso acontecesse. Criamos um programa, onde o gerente de produtos vinha até o estado (muitos que eram responsáveis pela área de produtos das operadoras nunca haviam vindo) para conhecer os destinos, atrativos, hotéis, restaurantes, etc. Após realizávamos alguma ação em conjunto – treinamento, ação cooperada de promoção e vendas e com isso, os produtos do MS eram atualizados nas prateleiras. Isso é ter visão no mercado ou pensar como o mercado.
Outras ações foram a criação de site internacional onde conectamos com agências online, sites de buscas e onde a pessoa pode entrar no site e comprar uma passagem aérea ou pacote por exemplo ou a participação em eventos onde existem rodadas de negócios e somos nós, as vezes sozinhos ou com alguém do trade que apresentamos nossos destinos e conectamos operadores emissivos com nossos receptivos, campanhas de vendas cooperadas onde investimos em operadoras especificas que nos garantem vendas e não somente publicidade – falando em publicidade não fazemos comunicação institucional, fazemos promoção de destinos, produtos. Nosso site é .com e não .gov, pois ninguém quer visitar o site de uma prefeitura ou de um órgão público. Ela quer saber o que fazer, o que visitar. E ainda a maioria das cidades só fazem divulgação institucional e dá destaque a marca ou logo da prefeitura. Um erro de posicionamento.
A reflexão que trago é, que ao contrário de outros órgãos públicos, nossos clientes diretos são o trade, nisso incluo as pessoas que vivem do turismo e que são impactadas direta ou indiretamente. Nossa atividade, como definiu o especialista espanhol Joseph Chias, responsável pela elaboração do Plano de Marketing Internacional do Brasil – Plano Aquarela é “O Negócio da Felicidade”. Pois bem, para que os órgãos oficiais de turismo no Brasil possam cumprir seu papel, ser efetivo, promover mudanças e apoiar a geração de resultados, focar no mercado é também parte importante do seu 'negócio'".