Laura Enchioglo   |   13/01/2026 15:16

Veja 5 tendências que vão moldar as viagens em 2026, segundo a Priority Pass

Com surgimento do Coolcationing e do luxo voltado ao serviço, viajante brasileiro tem novo perfil


Embratur Sebrae
Regiões serranas e montanhosas devem ganhar destaque em 2026
Regiões serranas e montanhosas devem ganhar destaque em 2026

O interesse dos brasileiros por viagens segue em alta, mas o modo de viajar está passando por uma mudança profunda. Entre temperaturas extremas, avanços tecnológicos e uma nova valorização do equilíbrio pessoal, os viajantes estão repensando seus destinos, suas motivações e a experiência de ponta a ponta, do aeroporto ao retorno para casa.

Do surgimento do cooolcationing e do luxo voltado ao serviço ao renascimento das férias domésticas e viagens cada vez mais fluídas com o auxílio da tecnologia mais avançada, essas tendências pintam o quadro de um mundo em que viajar é mais intencional e orientado por experiências do que nunca.

Para compreender essa mudança de comportamento e antecipar o que virá nos próximos anos, a Priority Pass apresenta as cinco tendências que devem orientar o modo como se viaja em 2026, revelando de que forma essas transformações estão redesenhando por completo a jornada do viajante brasileiro.

1. A busca pelo frescor: destinos frios entram no radar do brasileiro

Embratur Sebrae
São Joaquim, em Santa Catarina
São Joaquim, em Santa Catarina

Com verões cada vez mais intensos, cresce o interesse por viagens nacionais que ofereçam temperaturas mais suaves, especialmente em regiões serranas e montanhosas. No Brasil, destinos como Gramado, Canela, São Joaquim, Urubici, Campos do Jordão, Monte Verde e cidades da Serra da Mantiqueira registram aumento expressivo de buscas, inclusive fora da temporada oficial de inverno.

A tendência aparece também no interior de estados como Minas Gerais, onde cidades como Gonçalves, Tiradentes e Poços de Caldas ganham destaque entre quem busca clima ameno aliado a gastronomia e charme local. O comportamento se estende aos aeroportos brasileiros, com viajantes priorizando conforto desde o embarque em terminais como Congonhas (CGH), Santos Dumont (SDU), Belo Horizonte (CNF) e Florianópolis (FLN).

2. Bem-estar ampliado: viagens focadas em equilíbrio e recuperação

Rodrigo Amaral da Rocha
Chapada Diamantina
Chapada Diamantina

O Turismo de bem-estar no Brasil vive um salto qualitativo. O viajante migrou do simples descanso para experiências que promovem reconexão profunda, silêncio, terapias naturais e imersão na natureza.

Destinos como Chapada dos Veadeiros, Chapada Diamantina, Serra do Cipó, Bonito, Pantanal, Ilhabela, Jericoacoara e Alter do Chão estão no topo das buscas do público que quer pausas restauradoras. O interior de SP e MG também cresce com pousadas focadas em digital detox, rituais de sono e alimentação funcional.

Os dados da Priority Pass comprovam esse avanço:

  • As experiências de bem-estar cresceram +109% na categoria Refresh e +109% na categoria Unwind, entre 2023 e 2025
  • 53% dos viajantes afirmam que a sala VIP ajuda a relaxar e a “desligar” antes de embarcar (Collinson: Fear of Switching Off)

Isso mostra que, para os brasileiros, o bem-estar começa no aeroporto, e que marcas que oferecem serviços antecipando esse desejo (como espaços de descanso, rituais sensoriais, alimentação equilibrada e ambientes silenciosos) fortalecem a conexão emocional com o cliente, aumentando engajamento e lealdade.

3. Microescapadas nacionais: o retorno das viagens curtas

Marco Yamin/Sectur Ilhabela
Ilhabela, litoral de São Paulo
Ilhabela, litoral de São Paulo

As microescapadas estão entre os hábitos que mais crescem no país. Com agendas lotadas e valorização do tempo de qualidade, o brasileiro prefere viagens mais curtas, porém altamente memoráveis. Destinos como Ubatuba, Ilhabela, Maresias, São Sebastião, Juquehy, Búzios, Arraial do Cabo, Petrópolis, Itaipava, Serra Gaúcha, Chapada dos Guimarães, Inhotim, Porto de Galinhas, Natal e Pipa lideram essa tendência.

Segundo os dados Priority Pass, globalmente, as visitas a salas VIP em voos domésticos cresceram 48%, e na América do Sul esse número chega a 75%, um indicativo de que, mesmo em viagens curtas, o brasileiro quer elevar cada etapa de sua jornada. Esse comportamento abre espaço para empresas criarem experiências integradas e pequenas “recompensas” premium, como upgrades, acessos exclusivos e serviços que eliminam atrito. Isso gera valor imediato e fidelização sustentável.

4. Aeroportos mais inteligentes: tecnologia como aliada do viajante

Divulgação
Aeroporto de Guarulhos
Aeroporto de Guarulhos

A modernização dos aeroportos brasileiros ganhou força em 2025, impulsionada por avanços estruturais e por uma agenda nacional de digitalização. No período, terminais como Guarulhos, Brasília, Santos Dumont e Congonhas ampliaram o uso do embarque biométrico, alinhado ao padrão IATA One ID, cujo objetivo é tornar a jornada mais rápida e sem papel. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, mais de 80% dos embarques domésticos em GRU e BSB já eram elegíveis para biometria em 2025, reflexo da expansão do sistema.

Ao mesmo tempo, concessionárias como Aena, Fraport, Zurich Airport e Vinci Airports anunciaram investimentos adicionais em automação, inteligência operacional e melhoria de infraestrutura, incluindo: rastreamento digital de bagagem, filas inteligentes, portões automatizados e atualizações de segurança. Esses projetos, divulgados publicamente em seus relatórios e planos de modernização, têm implantação prevista majoritariamente entre 2025 e 2026, consolidando o período como marco da transformação tecnológica dos aeroportos brasileiros.

Esse avanço fortalece rotas de alto fluxo, como São Paulo–Rio, São Paulo–Belo Horizonte e Brasília–Nordeste e acompanha a expansão dos voos regionais no Norte e Centro-Oeste, segundo dados da Anac, que registrou crescimento constante das operações domésticas. Com processos mais fluidos, o viajante ganha tempo para relaxar, trabalhar ou aproveitar serviços antes do embarque, valorizando ainda mais o papel dos lounges e das experiências premium nos aeroportos nacionais.

5. A era das viagens de sonho: o brasileiro coloca seus desejos no centro

Divulgação/Maranhão
Lençois maranhenses
Lençois maranhenses

O viajante brasileiro está resgatando o prazer de planejar grandes viagens, não apenas aquelas que envolvem longas distâncias ou destinos internacionais, mas também experiências marcantes dentro do próprio país. Cada vez mais, as chamadas “viagens dos sonhos” têm sotaque brasileiro, refletindo um interesse crescente pelo que há de mais singular na diversidade natural e cultural do território nacional.

Entre os desejos que mais aparecem nas listas estão:

  • Amazônia, especialmente para vivências fluviais e contato com comunidades locais;
  • Lençóis Maranhenses (MA), pelas paisagens únicas;
  • Fernando de Noronha (PE), como experiência de luxo responsável;
  • Jalapão (TO), para aventura guiada;
  • Pantanal, para observação da vida selvagem;
  • Serra do Rio do Rastro (SC), para road trips.

Embora convivam com o interesse contínuo por viagens internacionais icônicas, esses destinos evidenciam uma valorização crescente dos tesouros naturais e culturais do país.

Um novo perfil de viajante brasileiro

As tendências revelam um viajante brasileiro em profunda transformação: cada vez mais exigente, consciente e atento ao valor de cada etapa da experiência. Ele busca jornadas integradas, que combinem propósito, conforto e fluidez, e está mais disposto a investir em destinos nacionais que ofereçam autenticidade e impacto positivo. Esse novo perfil demonstra uma clara priorização por conforto e eficiência, esperando processos ágeis nos aeroportos brasileiros, com acessos simplificados, salas VIP e redução de filas. Também deseja experiências coerentes e personalizadas em todos os momentos da viagem, seja partindo para Florianópolis, Salvador, Manaus, Cuiabá, Maceió ou para pequenas cidades turísticas no interior do país, valorizando fluidez e consistência na jornada.

A consciência sobre impacto tem ganhado força, com viajantes optando por hospedagens responsáveis, rotas menos exploradas e atividades que fortaleçam a cultura e a economia local, sobretudo na Amazônia, no Norte, no Centro-Oeste e no Nordeste. Ao mesmo tempo, o valor do tempo de qualidade supera o da quantidade de dias fora: por isso, crescem as viagens de proximidade e os nature escapes para regiões como a Serra da Mantiqueira, o interior de Minas, a Serra Gaúcha, o litoral norte de São Paulo e refúgios tranquilos espalhados pelo país. Comportando-se como um dos consumidores mais digitais do mundo, o brasileiro também adota naturalmente tecnologias que tornam suas viagens mais intuitivas — de aeroportos inteligentes a aplicativos que simplificam toda a jornada — seja voando para Recife, Belém, Cuiabá, São Paulo ou para destinos internacionais. O resultado é um viajante mais sofisticado, mais curioso e mais exigente, que espera que o setor acompanhe suas novas prioridades.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.