Machine learning, IA e VR: como a Expedia vê o futuro

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Raphael Silva
Scott Crawford, Johan Svanstrom e Cyril Ranque mostraram como a Expedia enxerga a tecnologia no Turismo
Scott Crawford, Johan Svanstrom e Cyril Ranque mostraram como a Expedia enxerga a tecnologia no Turismo
Se o Grupo Expedia Inc cresceu quase US$ 1,3 bilhão em receitas (+14%) no ano passado, é possível dizer que o mesmo valor foi convertido em investimento tecnológico, informação revelada por líderes do conglomerado norte-americano ao Portal PANROTAS. Junto a essa expansão bilionária, cerca de cinco mil engenheiros trabalham em prol dos avanços tecnológicos no grupo e têm na inteligência artificial (IA) e machine learning os principais focos de importância para os negócios do Turismo on-line nos próximos anos.

"As grandes empresas têm muitos dados, e nós temos investido na otimização de análise e aplicação desses dados para criar uma experiência cada vez melhor ao cliente", explicou o presidente do Expedia Lodging Partner Services, Cyril Ranque. Ele ainda destacou o objetivo de o grupo se tornar a "grande plataforma de viagens do mundo".

Da chegada do viajante ao site da OTA à ordem de apresentação das fotos na página do hotel, tudo visa atender à expectativa do cliente na Expedia. Tudo isso também passa por um processo tecnológico que faz com que os sistemas do conglomerado - que agrega Hotéis.com e Trivago, no Brasil - "aprendam" a entender qual o melhor produto para aquele viajante, seguindo o básico conceito de machine learning.

A inteligência artificial, por sua vez, é a maneira de interpretar essa imensa quantidade de dados para otimizar a experiência do cliente e dos parceiros da Expedia. Com informação sobre a chegada de voos, ocupação das acomodações locais, reservas de carros e muito mais, a rede do grupo consegue traduzir isso em ofertas valiosas, seja para aqueles que estão comprando uma viagem ou para quem está vendendo, no caso dos hotéis e agentes.

"Veremos cada vez mais interações tecnológicas facilitando o trabalho de customização no mercado de viagens", destacou o vice-presidente de Gerenciamento de Produtos do Grupo Expedia, Scott Crawford.

Dreamstime
Realidade virtual é a grande aposta da Expedia para o futuro
Realidade virtual é a grande aposta da Expedia para o futuro
PRÓXIMO GRANDE PASSO
Enquanto IA e machine learning seguem evoluindo para se manterem como os grandes ditadores de regras no mercado turístico on-line, a realidade virtual (VR) é vista como o próximo grande passo tecnológico no Turismo.

"Deverá ser o próximo ponto disruptivo no mercado, mas não para 2018", opinou o presidente do Hotels.com, Johan Svanstrom. Segundo ele, os altos custos de equipamentos, sejam os óculos para visualização ou as câmeras para criação de conteúdo, ainda atrasam o boom dessa tecnologia.

A Expedia, por sua vez, não perde tempo e já admite testar a realidade virtual visando o sucesso futuro dessa tecnologia. "Reduz a ansiedade e o risco de desapontamento do viajante. Será algo diferente para o mercado", concluiu Ranque.

PROBLEMA BOM
A crescente quantidade de passageiros voando pelo mundo - em 2017, foram 4,1 bilhões, segundo a Iata - faz com que destinos supervisitados sofram com alguns problemas. Veneza e Barcelona, por exemplo, são exemplos de cidades que contam com movimentos anti turistas. Para a Expedia, porém, a solução não é simplesmente barrar a entrada de visitantes.

Os líderes da Expedia veem o overtourism como um ponto natural do ciclo de viagens no Turismo. A partir de um certo momento, o público deixa de ir aos destinos mais visitados para encontrar novos locais, que, futuramente, poderão sofrer também com o excesso de turistas.

"É um problema bom para se ter. Isso mostra a necessidade de investimento dos destinos em infraestrutura, mas também abre uma porta para nós divulgarmos e vendermos novos destinos", concluiu Svanstrom.
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