IA deve redesenhar a forma de viajar nas próximas duas décadas; veja 10 tendências
OAG demonstra que a inteligência artificial antecipará problemas que os viajantes possam enfrentar

Nos próximos 20 anos, a forma como nos deslocamos pelo mundo pode não sofrer rupturas radicais – nada de teletransporte no horizonte. A verdadeira revolução acontecerá nos bastidores das viagens. Planejar, reservar e vivenciar uma jornada já está sendo profundamente transformado pela inteligência artificial.
É a partir dessa premissa que o CEO da OAG, Filip Filipov, traça dez apostas sobre como a IA irá redefinir o setor até 2045. As previsões vão do enfrentamento do Turismo excessivo à criação de experiências mais personalizadas, passando por precificação inteligente e gestão automatizada de crises operacionais.
1. A pesquisa ficará com a IA
Planejar uma viagem se tornou uma tarefa complexa e exaustiva. Entre voos, hotéis, conexões e serviços adicionais, viajantes chegam a navegar por centenas de páginas antes de fechar uma reserva. Não por acaso, ferramentas de IA já começam a assumir esse trabalho repetitivo. Nos próximos anos, elas absorverão grande parte da pesquisa, entregando resultados otimizados com o mínimo de esforço humano.
2. O estresse não acaba – mas a gestão dele sim
Viajar continuará sendo estressante. Aumento da demanda, infraestrutura limitada, eventos climáticos e falhas operacionais fazem parte do pacote. A diferença é que a IA passará a atuar como uma espécie de “escudo” contra o caos, antecipando problemas, remarcando voos, processando reembolsos, organizando transportes terrestres e oferecendo alternativas em tempo real. O estresse permanece; o trabalho de administrá-lo, não.
3. Preços personalizados deixam de ser promessa
A busca pelo menor preço nunca vai desaparecer. O que muda é quem faz essa comparação. A IA ficará responsável por filtrar opções, acessar tarifas privadas e benefícios de programas de fidelidade. Com dados mais profundos sobre intenção, orçamento e preferências, a precificação deixará de ser baseada em médias e passará a refletir o perfil real de cada viajante.
4. A decisão final continuará humana
Mesmo com automação avançada, viajar segue sendo uma escolha emocional, pessoal e de alto envolvimento. A IA executará tarefas, fará recomendações e otimizações, mas a palavra final continuará sendo do viajante. A divisão de funções será clara: máquinas trabalham; humanos decidem.
5. A IA também aprenderá a criar surpresa
Eficiência não é tudo. Viajantes buscam descobertas, experiências inesperadas e momentos memoráveis. À medida que os agentes inteligentes evoluem, eles passarão a introduzir sugestões não óbvias – desvios calculados, experiências locais e alternativas alinhadas ao perfil do viajante. A tecnologia não eliminará a espontaneidade; irá refiná-la.

6. A oferta seguirá fragmentada, a experiência não
Companhias aéreas, hotéis, serviços de mobilidade e operadores continuarão funcionando de forma independente. O papel da IA será costurar tudo isso em uma experiência contínua, montando itinerários integrados, identificando restrições, otimizando combinações e gerenciando imprevistos como se fosse um único ecossistema.
7. Mais eficiência, não mais concreto
A infraestrutura física do setor evolui lentamente e não acompanha o crescimento da demanda. O ganho de capacidade virá da inteligência. A IA será capaz de otimizar o uso de aeronaves, portões, tripulações e processos operacionais, antecipando gargalos antes que eles se tornem problemas.
8. Menos multidões, mais alternativas
O Turismo excessivo persiste porque a demanda se concentra nos mesmos destinos. Com acesso a dados em tempo real sobre preços, lotação e disponibilidade, agentes de IA poderão redirecionar viajantes para destinos menos explorados – e muitas vezes mais alinhados aos seus interesses.
9. Dados confiáveis serão o novo diferencial competitivo
Confiança é inegociável. Um único erro pode comprometer a credibilidade de um agente inteligente. Por isso, a qualidade dos dados será decisiva. Informações precisas e confiáveis permitem que a IA personalize melhor, raciocine com segurança e tome decisões acertadas.
10. Escala continuará sendo vantagem
Na era da IA, o sucesso dependerá menos da invenção isolada e mais da escala, da integração e da profundidade dos dados. Empresas já estabelecidas largam na frente por reunirem alcance global, confiança de marca e grandes volumes de informação. Startups seguirão inovando, mas serão os grandes players que terão mais condições de aplicar a IA em escala industrial.