Beatriz Contelli   |   03/02/2026 17:22

IA deve redesenhar a forma de viajar nas próximas duas décadas; veja 10 tendências

OAG demonstra que a inteligência artificial antecipará problemas que os viajantes possam enfrentar


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Apesar da atuação da IA, viajar continuará sendo algo pessoal e sentimental
Apesar da atuação da IA, viajar continuará sendo algo pessoal e sentimental

Nos próximos 20 anos, a forma como nos deslocamos pelo mundo pode não sofrer rupturas radicais – nada de teletransporte no horizonte. A verdadeira revolução acontecerá nos bastidores das viagens. Planejar, reservar e vivenciar uma jornada já está sendo profundamente transformado pela inteligência artificial.

É a partir dessa premissa que o CEO da OAG, Filip Filipov, traça dez apostas sobre como a IA irá redefinir o setor até 2045. As previsões vão do enfrentamento do Turismo excessivo à criação de experiências mais personalizadas, passando por precificação inteligente e gestão automatizada de crises operacionais.

1. A pesquisa ficará com a IA

Planejar uma viagem se tornou uma tarefa complexa e exaustiva. Entre voos, hotéis, conexões e serviços adicionais, viajantes chegam a navegar por centenas de páginas antes de fechar uma reserva. Não por acaso, ferramentas de IA já começam a assumir esse trabalho repetitivo. Nos próximos anos, elas absorverão grande parte da pesquisa, entregando resultados otimizados com o mínimo de esforço humano.

2. O estresse não acaba – mas a gestão dele sim

Viajar continuará sendo estressante. Aumento da demanda, infraestrutura limitada, eventos climáticos e falhas operacionais fazem parte do pacote. A diferença é que a IA passará a atuar como uma espécie de “escudo” contra o caos, antecipando problemas, remarcando voos, processando reembolsos, organizando transportes terrestres e oferecendo alternativas em tempo real. O estresse permanece; o trabalho de administrá-lo, não.

3. Preços personalizados deixam de ser promessa

A busca pelo menor preço nunca vai desaparecer. O que muda é quem faz essa comparação. A IA ficará responsável por filtrar opções, acessar tarifas privadas e benefícios de programas de fidelidade. Com dados mais profundos sobre intenção, orçamento e preferências, a precificação deixará de ser baseada em médias e passará a refletir o perfil real de cada viajante.

4. A decisão final continuará humana

Mesmo com automação avançada, viajar segue sendo uma escolha emocional, pessoal e de alto envolvimento. A IA executará tarefas, fará recomendações e otimizações, mas a palavra final continuará sendo do viajante. A divisão de funções será clara: máquinas trabalham; humanos decidem.

5. A IA também aprenderá a criar surpresa

Eficiência não é tudo. Viajantes buscam descobertas, experiências inesperadas e momentos memoráveis. À medida que os agentes inteligentes evoluem, eles passarão a introduzir sugestões não óbvias – desvios calculados, experiências locais e alternativas alinhadas ao perfil do viajante. A tecnologia não eliminará a espontaneidade; irá refiná-la.

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Filip Filipov, CEO da OAG
Filip Filipov, CEO da OAG

6. A oferta seguirá fragmentada, a experiência não

Companhias aéreas, hotéis, serviços de mobilidade e operadores continuarão funcionando de forma independente. O papel da IA será costurar tudo isso em uma experiência contínua, montando itinerários integrados, identificando restrições, otimizando combinações e gerenciando imprevistos como se fosse um único ecossistema.

7. Mais eficiência, não mais concreto

A infraestrutura física do setor evolui lentamente e não acompanha o crescimento da demanda. O ganho de capacidade virá da inteligência. A IA será capaz de otimizar o uso de aeronaves, portões, tripulações e processos operacionais, antecipando gargalos antes que eles se tornem problemas.

8. Menos multidões, mais alternativas

O Turismo excessivo persiste porque a demanda se concentra nos mesmos destinos. Com acesso a dados em tempo real sobre preços, lotação e disponibilidade, agentes de IA poderão redirecionar viajantes para destinos menos explorados – e muitas vezes mais alinhados aos seus interesses.

9. Dados confiáveis serão o novo diferencial competitivo

Confiança é inegociável. Um único erro pode comprometer a credibilidade de um agente inteligente. Por isso, a qualidade dos dados será decisiva. Informações precisas e confiáveis permitem que a IA personalize melhor, raciocine com segurança e tome decisões acertadas.

10. Escala continuará sendo vantagem

Na era da IA, o sucesso dependerá menos da invenção isolada e mais da escala, da integração e da profundidade dos dados. Empresas já estabelecidas largam na frente por reunirem alcance global, confiança de marca e grandes volumes de informação. Startups seguirão inovando, mas serão os grandes players que terão mais condições de aplicar a IA em escala industrial.

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Beatriz Contelli

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.