Ministro empolga entidades e cresce luta para tarifar Airbnb

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Emerson Souza
Artur Andrade, editor-chefe e CCO da PANROTAS, mediou painel com Alexandre Sampaio (FBHA), Dilson Jatahy Fonseca (ABIH), Luigi Rotunno (ABR), Manuel Gama (Fohb)
Artur Andrade, editor-chefe e CCO da PANROTAS, mediou painel com Alexandre Sampaio (FBHA), Dilson Jatahy Fonseca (ABIH), Luigi Rotunno (ABR), Manuel Gama (Fohb)

O discurso do ministro do Turismo deixou otimista algumas das principais entidades que representam a hotelaria no Brasil na luta contra as plataformas de hospedagem alternativa. Alexandre Sampaio, da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Dilson Jatahy Fonseca, da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Manuel Gama, do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), e Luigi Rotunno, da Associação Brasileira de Resorts (ABR), nunca estiveram tão confiantes em enquadrar Airbnb em tributação e condições igualitárias.

Na parte da manhã deste segundo dia de 15º Fórum PANROTAS, no Grand Hyatt São Paulo, o ministro Marx Beltrão garantiu afirmou à plateia que “não é justo que Airbnb, Uber e similares concorram sem taxação de tributos no Brasil. A tecnologia permite a entrada desses players, e eles são bem-vindos, desde que arquem com as mesmas condições da concorrência.”

Neste fim de tarde, o presidente da ABIH comemorou e se colocou ao lado do líder da pasta. “Só queremos equivalência tributária. Ninguém é contra esse perfil de plataforma no Brasil. Os hotéis têm carga tributária de 35% a 40% nesse País, e não é justo que Airbnb e similares sigam crescendo como uma máquina poderosa de venda de hospedagens, mas sem nenhuma taxação. O hóspede não busca o Airbnb pela experiência, mas pelo preço, portanto é necessário que a concorrência com a hotelaria seja leal”, afirmou Dilson Jatahy Fonseca.

Emerson Souza
Alexandre Sampaio, presidente da FBHA
Alexandre Sampaio, presidente da FBHA

O principal líder do setor hoteleiro nessa causa, Alexandre Sampaio, presidente da FBHA, esteve no mesmo painel e afirmou que as partes encontrarão nesta quarta (15) com Marx Beltrão para avançar com essa demanda. “O Airbnb nasceu como uma ferramenta de experiências, em que hóspedes dividiam espaço com anfitriões. Hoje, majoritariamente, a atividade é alugar imóveis vazios”, argumentou. “O modus operandi da equação do sistema Airbnb tem de ser enquadrado, e o primeiro passo será dado amanhã, quando levarmos documento ao ministro pedindo posicionamento, algo similar ao que ele disse aqui no Fórum PANROTAS. Isso tem de estar na Lei Geral do Turismo, que está na casa civil, mas não está fechada, e tem espaço para isso.”

Manuel Gama, cuja entidade agrupa em sua maioria hotéis corporativos, afirmou que o segmento de viagens a trabalho também é afetado. “Principalmente em grandes capitais como Rio e São Paulo. Os hotéis têm perdido hóspedes corporativos também. É importante mencionar que o hotéis do Fohb empregam 180 mil pessoas direta e indiretamente no País. Geramos R$ 2,8 bilhões em impostos por ano. E o Fohb representa apenas 20% da hotelaria nacional. Não consigo entender como o Airbnb contribui com empregos e impostos aos cofres públicos.”

O modelo menos afetado pelo Airbnb e similares são os resorts, segundo Luigi Rotunno. “Porém, a ABR não pode ser egoísta e se fechar para o resto do setor. Essa concorrência desleal impacta operadores, agentes... Temos de tutelar esse mercado, pois essa nova tecnologia consegue fugir completamente do que milhares de pessoas fazem no setor”, afirmou. “Isso sem contar que o Airbnb não garante a segurança e o bem-estar do hóspede.”
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