Buyers não se importam com conforto do viajante, aponta pesquisa

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barryontheroad.com

Talvez pelo custo do conforto, buyers de viagens corporativas estão ávidos por conseguir descontos quando vão negociar contratos com linhas aéreas, de acordo com a pesquisa "A Evolução dos Contratos das Aéreas", da Associação dos Executivos de Viagens Corporativas (Acte, da sigla em inglês), que investiga as prioridades dos agentes de viagens na hora de fechar acordos com aéreas e de negociar taxas.

O estudo que considerou a opinião de 212 travel managers das Américas, Europa, África e Ásia sobre suas metas e hábitos aponta as causas de fricção que atinge o ecossistema das viagens corporativas.

O resultado mostra que a satisfação do viajante e o conforto importam menos que receber descontos e compensações. A boa notícia é que muitos disseram que o conforto pode se tornar mais importante às empresas nos próximos anos, assim como argumentou o presidente a Abracorp, Rubens Schwartzmann, semana passada no debate promovido pela GBTA em encontro no Rio de Janeiro.

Marluce Balbino
Rubens Schwartzmann, presidente da Abracorp

"A hora do executivo vale mais do que qualquer economia pequena com o aéreo. Por isso, também é visto o oposto: empresas preocupadas com o bem-estar do colaborador, pois esse negócio de que a pessoa ama a empresa, a essa nova geração, não funciona. Ele (colaborador) fica na empresa até o momento que está legal. A empresa precisa avaliar se quer economizar na viagem ou que o funcionário vá à reunião", pontou o executivo na ocasião

Contudo, a realidade ainda é outra.


Não é surpresa que os descontos são a parte mais importante no acordo com o aéreo na visão dos travel buyers. O trabalho deles é economizar às empresas.

Porém, o conforto do viajante fica em segundo plano, com os pacotes de conforto e serviços importando menos, conforme apontam os números. "Para ser bem franco, a gente não coloca o serviço na conta hoje na hora de decidir - é quase sempre o preço que manda. Mas isso deve mudar no ano que vem por conta de uma atualização na política de viagens", disse uma fonte da indústria europeia.

A satisfação do viajante e o valor dos benefícios concedidos ao viajantes vem depois dos descontos, quando o comprador tem acesso ao valor dos acordos com as aéreas. "Hoje, menos da metade dos compradores incluem os benefícios dos viajantes, como upgrades ou satisfação quando estimam a qualidade de seus acordos", aponta o estudo.

A maioria dos serviços adicionais não está integrada às OBTs.


SERVIÇOS ADICIONAIS E WI-FI
O papel dos serviços adicionais nas viagens a trabalho ainda está ganhando espaço. Menos da metade dos pesquisados disse que as ferramentas de reservas de suas companhias permitem que os usuários escolham assentos, bagagens ou transporte. "É preciso uma função educativa para os serviços adicionais. Os viajantes são na maioria bem-informados, mas têm um ponto cego em relação aos custos dos serviços adicionais", disse um gestor norte-americano. "Um dos meus viajantes conseguiu uma tarifa barata mês passado com uma empresa de low cost, mas gastou US$ 300 em taxas para bagagens."

A política das empresas estão se adaptando aos poucos à realidade de que a maioria dos viajantes corporativos comprará acesso à internet enquanto voam. A compra de serviços adicionais feita por viajantes corporativos fora dos canais autorizados - como uma OBT - vai virar um problema maior no corporativo, uma vez que linhas aéreas têm apostado cada vez mais em upgrades de assentos e cobrança de bagagens.

"Nossa política para serviços adicionais não é muito clara hoje", disse um comprador europeu. "Mas esses serviços terão mais importância à medida que a indústria do turismo, a tecnologia evolui e o viajante pede. Quando as linhas aéreas encontrarem um jeito de oferecer serviços adicionais de forma transparente e comprável, então ficarão mais interessantes a nós. Mas alguns compradores estão indo além com suas iniciativas, por exemplo, permitindo que os viajantes comprem wifi a partir da OBT."
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