Gol avança 36% no corporativo, cresce acima da oferta e mira passageiro de maior valor
Diretor de Vendas da Gol, Danillo Barbizan atribui resultado a uma nova estratégia da companhia

A Gol Linhas Aéreas registra um expressivo crescimento de 36% nas vendas de viagens corporativas no acumulado deste ano de 2026. O avanço supera o próprio aumento da oferta de assentos da empresa no período, uma estratégia desenhada pelo diretor de Vendas da Gol, Danillo Barbizan.
Segundo o executivo, nesta segunda parte da entrevista exclusiva ao Portal PANROTAS, ampliar a presença da companhia no segmento corporativo é quase uma consequência proveniente da estratégia de concentrar esforços nos passageiros e canais em que a atuação comercial consegue gerar maior valor para o negócio.
Danillo Barbizan afirma que a combinação entre produto, conectividade e proximidade com o cliente é a chave para ampliar a participação da Gol no corporativo.
"A estratégia não é simplesmente vender mais assentos. É vender o assento certo, para o passageiro certo, no momento em que ele está disposto a pagar mais por aquele produto. O crescimento de 36% no corporativo, na visão da companhia, é o primeiro reflexo mais visível dessa mudança"
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol
Barbizan afirma que o resultado reflete uma mudança na forma como a companhia trabalha o segmento, com atuação comercial mais próxima das agências e foco em oportunidades de maior valor agregado. A estratégia também passa por entender melhor o comportamento do passageiro corporativo, ajustar condições comerciais e ampliar a oferta da Gol justamente nos momentos em que há maior potencial de receita.
“O Revenue Management é uma grande máquina de vender. Ele tem o inventário, ele tem a precificação e tem o poder de abrir, fechar e gerar volume de venda. Para aumentarmos nossa participação em canais de volume de venda, precisamos precisa agregar valor na venda de curta antecedência, na venda de um yield mais alto que contribui mais positivamente para o caixa", complementa Danillo Barbizan.

É por conta disso que, de acordo com o executivo, a alta expressiva nas vendas corporativas não pode ser explicado apenas pela expansão da oferta. “36% é mais do que o aumento de oferta de assentos para este ano. A Gol cresceu no corporativo mais do que cresceu de oferta. Ou seja, destaque para as agências de viagens que vendem curta antecedência e high yield para o corporativo", completou.
Para Barbizan, o sucesso do corporativo em 2026 é resultado de uma combinação de fatores:
- Proximidade com as agências de viagens;
- Ajuste de incentivos e condições comerciais;
- Calibração de preços e produtos para atender melhor o passageiro.
“É uma composição de estar mais próximo, estar com incentivo, condições comerciais e gerais calibradas, estar com a precificação calibrada e estar com o produto calibrado”, afirmou Danillo Barbizan.
Produto também é parte da estratégia
Para o corporativo, vender mais não depende apenas de preço. A percepção de produto e, principalmente, de confiabilidade da operação também pesa na decisão do passageiro. É por isso que Barbizan usa a pontualidade como exemplo. Ele lembra que o que mais interessa ao passageiro corporativo é conseguir cumprir o compromisso que vem depois do voo.
“A gente sempre fala da performance de on-time dentro da empresa. A Gol é a companhia mais pontual do Brasil, é exemplo de produto, é exemplo de como a gente vai melhorando o produto para todos os nossos passageiros. Este primeiro semestre é o reflexo do trabalho de quase dois anos"
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol
Para Barbizan, portanto, o resultado registrado do primeiro semestre é consequência de um trabalho que começou muito antes destes números aparecerem. Porque a estratégia, segundo ele, precisa primeiro ser percebida pelo mercado para depois se transformar em resultado.
Corporativo também ajuda a construir o internacional

A estratégia não está restrita à operação doméstica. Com a expansão internacional da Gol e a chegada de aeronaves maiores como o Airbus A330neo, a companhia também começa a enxergar oportunidades de complementaridade entre os diferentes perfis de passageiros.
Isto porque o passageiro corporativo doméstico pode ser, ao mesmo tempo, um cliente de lazer internacional. É justamente nessa combinação que a companhia identifica novas oportunidades para produtos como Smiles e para a própria operação internacional.
“Quando você fala do corporativo que vai no doméstico, esse cara está voando no dia a dia no corporativo, mas, no lazer dele, ele é um lazer internacional. Então ele busca essa complementaridade quando ele busca um produto, por exemplo, do Smiles. Lisboa e Nova York são exemplos de mercados em que o comportamento do cliente corporativo precisa ser considerado mesmo quando a viagem internacional tem caráter de lazer"
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol
Segundo Barbizan, enquanto uma viagem corporativa doméstica costuma ser comprada com pouca antecedência, viagens internacionais de lazer tendem a ser planejadas com mais tempo. Ainda assim, os dois comportamentos podem estar presentes no mesmo passageiro.
Nova York já nasce com desenho para o corporativo

Nova York é um exemplo ainda mais claro de como a Gol pretende construir o produto corporativo a partir da própria malha. A companhia começou a operação com três frequências semanais e, em vez de esperar pela ampliação da oferta para atender esse público, trabalhou os dias da semana para tornar o voo útil também ao passageiro de negócios.
“Já que a Gol ainda não consegue ter um voo diário, porque isso depende de outros fatores, qual é a opção corporativa que a companhia consegue oferecer? Vamos então no domingo e voltamos na quinta. Quando olhamos para os dias em que o corporativo viaja, conseguimos capturar 40%, 45% desse mercado. Então, a Gol também passa a ter um produto corporativo para começar a entrar nesse mercado"
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol
A escolha dos dias, segundo Barbizan, portanto, não é um detalhe operacional. Ela pode determinar a capacidade de uma nova rota de atrair passageiros corporativos mesmo antes da companhia aérea conseguir oferecer frequência diária entre as cidades.
Rio amplia potencial

Na primeira matéria, publicada pelo Portal PANROTAS no último dia 8 de setembro, destacamos o fato do Rio de Janeiro ter se tornado o novo hub internacional da Gol no Brasil, uma aposta que se tornou um dos principais pilares da estratégia internacional da companhia.
Na ocasião, Barbizan afirmou que a operação no Galeão permite à Gol trabalhar não apenas com o mercado local, mas também com passageiros que poderiam evitar uma conexão em São Paulo. "O Galeão como um hub é realidade total, tanto que a Gol é reconhecida como a companhia aérea do carioca", revelou ele.
A lógica ganha força especialmente em mercados ligados ao petróleo e gás e em viagens corporativas para os Estados Unidos. Em vez de obrigar o passageiro fluminense a se deslocar até Guarulhos para acessar uma conexão internacional, a companhia busca transformar o Galeão em uma alternativa direta.