Pedro Menezes   |   08/09/2026 11:16

Gol consolida Galeão como hub internacional e amplia conexões para Lisboa e Nova York

Desempenho da companhia no aeroporto carioca supera concorrentes, segundo o diretor Danillo Barbizan

PANROTAS / Emerson Souza
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol <br/>
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol

Promessa feita, promessa cumprida! Quando entrevistamos o vice-presidente comercial da Gol Linhas Aéreas, Matheus Pongeluppi, na semana da saída da companhia do processo do Chatper 11, em junho de 2025, o plano era um só: fazer o Rio de Janeiro se tornar o novo hub internacional da Gol no Brasil.

O que era uma aposta se tornou um dos principais pilares da estratégia internacional da companhia. Mais de um ano após o início desse movimento, a aérea considera o hub carioca devidamente consolidado, tanto pela força da demanda local quanto pela capacidade de alimentar os voos internacionais da empresa.

Sobre estes quase 15 meses de processo de reestruturação, após a saída do Chapter 11, o Portal PANROTAS conversou com o diretor de Vendas da Gol, Danillo Barbizan. Segundo ele, o desempenho da companhia no Galeão já demonstra a força da estratégia internacional.

Barbizan afirma ainda que a performance dos passageiros que têm o aeroporto carioca como origem registra resultados superiores aos de seus concorrentes. E para o executivo, o resultado não está relacionado apenas ao tamanho da oferta. Isto porque a Gol conseguiu consolidar uma base de passageiros locais e, ao mesmo tempo, transformar o Galeão em um hub de conexão internacional.

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Airbus A330 da Gol Linhas Aéreas
Airbus A330 da Gol Linhas Aéreas

“O Galeão como um hub é realidade total, tanto que a Gol é reconhecida como a companhia aérea do carioca. Se eu faço um corte de performance por origem, as minhas performances de origens de voo no Galeão são melhores do que as minhas concorrentes. O público local está consolidado e, como a gente tem uma oferta muito expressiva no Galeão, também conseguimos fazer toda essa malha de conexão"

Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol

Essa combinação é justamente o que sustenta a estratégia da companhia. O aeroporto atende ao passageiro que começa a viagem no Rio de Janeiro, mas também recebe clientes de outros mercados que utilizam o Galeão para acessar destinos internacionais da Gol.

A avaliação de Barbizan é que a entrada da Gol em novos mercados precisa gerar crescimento para a indústria, e não apenas redistribuir passageiros entre as companhias aéreas. “Vemos um movimento que não é de repartir uma pizza que já existe. E não é essa a intenção. Nossa intenção é trazer uma nova indústria para voar nesse lugar, com seus novos passageiros", frisou Danillo.

Simplesmente disputar a demanda já existente poderia pressionar a rentabilidade do mercado. “A gente não está vendo deterioração de produtos. A gente está vendo uma marca forte, que é a Gol, dando oportunidades para as pessoas que não tinham aquele lugar no radar para voar para lá", completou ele.

Rio ganha alternativa a Guarulhos

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Hub da Gol no Galeão (RJ)
Hub da Gol no Galeão (RJ)

Um dos pontos considerados estratégicos pela Gol é a possibilidade de oferecer ao passageiro fluminense uma alternativa à conexão por São Paulo. Para Barbizan, existe um público grande que pode escolher o Galeão justamente pela conveniência de não precisar se deslocar até Guarulhos.

“Eu tenho um mercado local no Rio de Janeiro que é relevante, tenho um mercado que não está nem no Rio, nem em São Paulo e, se eu comunicar bem, ele não quer conectar em Guarulhos. Ele vai para o Rio de Janeiro fazer negócio", complementou o diretor de Vendas da Gol.

O potencial, segundo ele, aparece também em segmentos ligados a atividades econômicas relevantes para o Rio, como petróleo e gás, que ajudam a sustentar uma demanda corporativa própria. No fim, é a combinação entre demanda local, tráfego corporativo e passageiros internacionais alimentados por outros mercados.

E a consolidação do Galeão também acompanha uma mudança mais ampla na estratégia da Gol. A chegada dos A330neo e a expansão para destinos de longa distância ampliam a necessidade da companhia ter uma plataforma eficiente de distribuição de passageiros.

É nessa equação que o Galeão ganha importância por ter uma base local relevante, uma malha doméstica capaz de alimentar o aeroporto e uma forte presença no mercado argentino.

Argentina é peça-chave do hub

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Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol<br/>
Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol

Entre os mercados que ajudam a alimentar os voos internacionais do Galeão, a Argentina ocupa posição de destaque. A Gol utiliza a malha que mantém entre Brasil e Argentina para conectar passageiros aos voos de longo curso com origem no Rio, como Lisboa, que inicia agora dia 16 de setembro, e Nova York.

“Nos top 3 maiores mercados que fazem a alimentação dos voos de longa distância, Lisboa e Nova York, eu tenho a Argentina como um dos principais mercados. Quanto mais para o sul, menos opções de conexão direta você tem. Então ele vai ter que escolher, e o argentino já sabe como vai de Gol, por causa da nossa oferta no corredor Brasil-Argentina"

Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol

“A Argentina é mais que uma realidade, é uma força da Gol. E ela está em todas as nossas discussões. Já não é uma discussão de aumentar ou não. É uma discussão de que, para alguém pensar em fazer qualquer coisa aqui, é uma briga grande, porque ela se consolidou como o nosso maior mercado", completou ele.

Lisboa e Nova York sustentam expansão

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Insignia é a nova classe executiva da Gol
Insignia é a nova classe executiva da Gol

Dentro da operação internacional a partir do Galeão, Lisboa e Nova York aparecem como dois dos mercados de maior destaque. Nova York, segundo Barbizan, apresenta desempenho considerado positivo e estável. Lisboa, por sua vez, ganha ainda mais importância com a evolução da operação para Portugal.

Nova York está super bem, super estável. Agora Lisboa é um grande produto. As curvas do business case que a gente tem em relação à taxa de ocupação são super positivas"

Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol

A companhia também acompanha de perto as curvas de ocupação e o desempenho de cada voo, já que cada mercado possui um comportamento diferente e exige um business case próprio.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.