Karina Cedeño   |   14/10/2026 12:20
Atualizada em 14/10/2026 12:21

Demanda corporativa pode viabilizar até 1,9 milhão de toneladas de SAF até 2030

Companhias aéreas respondem por aproximadamente 53% das compras corporativas de certificados de SAF


Divulgação
SAF pode reduzir significativamente as emissões da aviação em comparação com o combustível convencional para aeronaves
SAF pode reduzir significativamente as emissões da aviação em comparação com o combustível convencional para aeronaves

A Iata, a Airbus e a Accenture divulgaram um estudo que estima que as compras corporativas poderiam viabilizar entre 1 milhão e 1,9 milhão de toneladas de combustível sustentável de aviação (SAF) até 2030, em comparação com a estimativa de 323 mil toneladas em 2024.

Isso representa um sinal de demanda por uma maior produção de SAF, desde que sejam solucionados os fatores que limitam a participação das empresas, como regras contábeis pouco claras, preços elevados e complexidade no processo de compra.

O SAF pode reduzir significativamente as emissões da aviação em comparação com o combustível convencional para aeronaves. No entanto, a produção global em 2026 deverá atingir apenas 2,4 milhões de toneladas, o equivalente a 0,8% do consumo total de combustível para aviação, e seu preço permanece de duas a três vezes superior ao do combustível convencional.

Permitir que as empresas cumpram suas metas de emissões de Escopo 3 (relacionadas a viagens corporativas e ao transporte aéreo de cargas) por meio da compra de certificados EAc de SAF ajudaria a compartilhar os custos do combustível sustentável, ampliando o mercado para mais participantes da cadeia de valor.

Para isso, seria necessário um sistema robusto e eficaz de book-and-claim, que permita às empresas reivindicar os benefícios de redução de emissões do SAF independentemente do local onde o combustível é entregue e efetivamente consumido.

“O SAF é a principal ferramenta da aviação para a descarbonização, mas as companhias aéreas não podem arcar sozinhas com os custos de ampliar sua produção. Os compradores corporativos têm uma oportunidade única de ajudar a desenvolver o mercado de SAF, contribuir para os custos da transição energética do transporte aéreo e, nesse processo, se beneficiar de reduções reconhecidas nas emissões de Escopo 3", afirma Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da Iata.

O potencial é significativo, mas só será concretizado se as empresas puderem participar com confiança, sabendo que suas contribuições serão contabilizadas e que o processo é simples e confiável. Estabelecer essas bases ajudará a liberar investimentos, expandir o mercado e acelerar a produção de SAF”, complementa.

“Este estudo demonstra claramente que a demanda corporativa é um poderoso catalisador, ainda pouco explorado, para ampliar a produção de SAF. Ao oferecer aos compradores corporativos a segurança contábil necessária para cofinanciar o custo adicional do SAF, o sistema book-and-claim pode transformar o interesse potencial em compromissos concretos, enviando aos produtores de combustível o sinal de demanda de curto prazo necessário para acelerar a produção e reduzir os custos em todo o setor”

Julien Manhes, vice-presidente de Desenvolvimento de Combustível Sustentável de Aviação e Remoção de Dióxido de Carbono da Airbus


Potencial ainda não aproveitado

Os certificados EAc de SAF geralmente custam entre US$ 150 e US$ 500 por tonelada de emissões de CO2 equivalente (CO2e evitadas), enquanto as empresas afirmam estar dispostas a pagar valores mais próximos de US$ 300.

As companhias aéreas respondem por aproximadamente 53% das compras corporativas de certificados de SAF, sendo a maior fonte desses certificados para empresas que buscam compensar as emissões associadas a viagens corporativas e ao transporte aéreo de cargas.

Como estimular a demanda corporativa

O estudo identifica três prioridades para ampliar a participação das empresas:

  1. Regras contábeis claras e consistentes, que garantam confiança de que as reduções de emissões adquiridas serão reconhecidas
  2. Sistemas de rastreamento transparentes e interoperáveis, que impeçam a dupla contagem e garantam a integridade ambiental
  3. Mecanismos de compra mais simples, incluindo maior transparência de preços, volumes mínimos de compra menores e contratos de menor duração.

“A participação corporativa, por si só, não será suficiente para alcançar a escala de produção de SAF necessária à aviação. O apoio contínuo dos governos, incentivos eficazes e uma expansão significativa da capacidade produtiva continuam sendo essenciais. No entanto, cada compra corporativa adicional transforma as ambições climáticas em demanda real de mercado e ajuda a distribuir de forma mais ampla os custos da descarbonização. O próximo passo é tornar a participação mais fácil, acessível e confiável para empresas de todos os portes”, afirma Marie Owens Thomsen.

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Karina Cedeño

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.