SAF representa apenas 0,8% do combustível utilizado pelas aéreas em 2026; Iata liga alerta
Associação estima que o SAF custará às companhias aéreas cerca de US$ 4,3 bilhões em 2026

RIO DE JANEIRO – A produção global de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) deverá alcançar cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, volume que representará apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação mundial. Os dados foram revelados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), no primeiro dia de Assembleia Geral Anual (AGM), realizada neste sábado (6).
Apesar do crescimento registrado nos últimos anos, a entidade avalia que o avanço segue muito aquém do necessário para que o setor alcance sua meta de emissões líquidas zero até 2050. Atualmente, o SAF é considerado o principal instrumento de descarbonização da aviação e deverá responder por cerca de 65% das reduções de emissões previstas para atingir esse objetivo.
"Cinco anos após o compromisso da indústria com a meta de carbono zero até 2050, o SAF representa apenas 0,8% do combustível utilizado pelas companhias aéreas neste ano. O caminho para atingir 65% das nossas necessidades em 2050 está ficando mais difícil a cada ano"
Diretor-geral da Iata, Willie Walsh
Segundo a associação, a produção limitada ocorre em meio à falta de políticas públicas adequadamente estruturadas, à escassez de incentivos para investimentos e ao pouco interesse demonstrado pelas grandes empresas de petróleo em acelerar a oferta do combustível sustentável.
A sustentabilidade no setor virou assunto de um painel na tarde deste sábado (6), com a presença de Marie Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade da Iata; Hemant Mistry, diretor de Transição de Energia da Iata; e Preeti Jain, Head de Net Zero Research da Iata.
Coordenadas para aumentar produção

A Iata estima que o SAF custará às companhias aéreas cerca de US$ 4,3 bilhões em 2026. Para diminuir esse valor, é preciso alavancar a escala de produção do combustível sustentável.
Com isso, a entidade defendeu uma ação coordenada entre governos, fornecedores de energia e setor privado, baseada em quatro pilares:
- Ampliação da oferta de energia renovável e de matérias-primas para produção de SAF;
- Garantia de acesso aberto à infraestrutura de combustíveis, como oleodutos, terminais de armazenamento e sistemas aeroportuários;
- Políticas públicas que priorizem incentivos à produção e segurança para investimentos antes da imposição de mandatos obrigatórios;
- Criação de um mercado global de SAF, com volumes suficientes e preços economicamente viáveis.
A associação também reforçou a defesa da adoção global de mecanismos de "book-and-claim", sistema que permite que companhias aéreas adquiram créditos ambientais associados ao SAF independentemente do local onde o combustível é produzido ou consumido.
A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.