MOVE 2026: aéreas nacionais e gestores de viagens debatem desafios do mercado corporativo
ArcelorMittal, Ser Educacional, RedBull Bragantino, Latam, Gol e Azul participaram do painel

Companhias aéras nacionais e gestoras de viagens corporativas ficaram frente e frente no palco do MOVE 2026. O momento permitiu um debate sobre sores e soluções do segmento, tanto para a gestão como para a distribuição aérea.
Dentre as gestoras de viagens, participaram do painel Carolina Ferreira (ArcelorMittal), Claudia Cordeiro (Grupo Ser Educacional), Daniela Jesus (RedBull Bragantino).
Do outro lado do debate, Aline Mafra, diretora de Marketing e Vendas da Latam Brasil, Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol, e Ricardo Bezerra, gerente comercial da Azul, compartilharam a visão das companhias aéreas.
Confira highlights do debate abaixo:
Responsabilidade civil das companhias aéreas

Carolina Ferreira: Com a mudança na responsabilidade civil das companhias aéreas, vocês veem algum tipo de impacto em tarifa?
Danillo Barbizan: "Quando se trata de uma situação de força maior, ninguém gostaria que aquele problema tivesse acontecido. É preciso entender também como outros mercados evoluíram e nós trabalhamos por essa mudança porque não queremos fugir da responsabilidade quando o problema é nosso.
É uma linha de custo importante, mas cravar que a tarifa vai baixar é difícil, porque existem diversas outras linhas que também interferem. Mas, sem dúvida, a mudança traz mais previsibilidade sobre quanto vamos gastar com isso".
Região Norte e Nordeste na malha aérea corporativa

Claudia Cordeiro: Com o crescimento das regiões Norte e Nordeste no segmento corporativo, como enxerga essa nova dinâmica?
Aline Mafra: "A possibilidade de usar aeronaves menores também ajuda. Existem cidades importantes que não têm um fluxo suficientemente grande para determinados aviões, e a chegada dos Embraer vai contribuir nesse sentido. A primeira fase de utilização dos Embraer ficou mais concentrada no Sul e Sudeste, mas no próximo mês entraremos em outra fase".
Danillo Barbizan: "Em algumas rotas, o volume de passageiros ainda não comporta uma operação direta com determinada aeronave. Os mini hubs ajudam justamente a concentrar diferentes fluxos em um mesmo ponto e, a partir dali, distribuir os passageiros para outros destinos. No nosso caso, Brasília e Salvador cumprem esse papel.
Também existe um trabalho de testar determinadas operações, após a alta temporada, e acompanhar como a demanda responde".
O atendimento em canais digitais

Daniela Jesus: Com o avanço dos canais digitais, como vocês equilibram tecnologia e atendimento humano?
Ricardo Bezerra: "Precisamos tentar atender todos os perfis de clientes. Vai existir o viajante totalmente inserido na era digital e também aquele que prefere conversar com uma pessoa. Precisamos mostrar como é simples resolver determinadas situações. Às vezes, por exemplo, é possível antecipar ou alterar um voo diretamente pelo aplicativo. A questão é entender como dividir melhor essas demandas".
Aline Mafra: "O agente de aeroporto não vai deixar de existir. Mas, quando temos uma chuva forte e filas enormes, por exemplo, precisamos tirar dessa fila todo mundo que só precisa de um voucher ou de um táxi, deixando o atendimento presencial para quem realmente precisa tratar uma exceção".
Segmentação tarifária e de serviços

Carolina Ferreira: Com a maior segmentação de tarifas e serviços, algo que deve avançar ainda mais com o NDC, o que as companhias estão fazendo para ajudar as empresas a enxergarem o custo total da viagem?
Aline Mafra: "Isso não é uma particularidade da aviação. Diversos setores estão caminhando para uma segmentação cada vez maior, buscando fazer com que o cliente pague exatamente pelo que usa. Começamos a apresentar os chamados hidden costs, os custos que não aparecem diretamente no preço da passagem, como uma forma de permitir que as empresas façam essa análise. E a tecnologia também vai nos ajudar muito nesse processo".
Ricardo Bezerra: "Se existe um determinado comportamento de viagem dentro da companhia, é importante que a empresa conheça esse padrão e consiga criar ações preditivas. Ao mesmo tempo, a companhia aérea precisa fornecer os dados necessários para isso".