Alagev vê alta do QAV como mudança estrutural no setor de viagens corporativas
Em webinar, entidade também lançou guia prático para os gestores aplicarem conhecimentos no dia a dia

A Alagev realizou um webinar para debater os impactos da alta do QAV e seus reflexos nas viagens corporativas. O encontro contou com a participação de Luana Nogueira, diretora-executiva da entidade, Fernando Vasconcellos, CEO do Grupo Kontik e conselheiro da associação, e Anderson Wolff, gerente comercial corporativo da Gol Linhas Aéreas.
Além do debate, os participantes receberam um Kit do Gestor de Viagens, material desenvolvido pela associação com orientações práticas para apoiar líderes e gestores na tomada de decisões diante do atual cenário de pressão sobre custos, instabilidade geopolítica e mudanças estruturais do setor.
Durante o encontro, os especialistas compartilharam dados sobre o impacto do combustível na aviação, que representa entre 20% e 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, além de discutirem os efeitos da volatilidade do petróleo, do câmbio e das futuras mudanças tributárias previstas para os próximos anos.
“Entramos em um novo ciclo. Tratar a alta do QAV como um fenômeno passageiro pode levar empresas a gastarem mais e tomarem decisões menos eficientes. O momento exige análise de dados, segmentação dos perfis de viajantes e uma gestão muito mais inteligente dos recursos disponíveis”
Luana Nogueira, diretora executiva da Alagev
O conteúdo apresentado reforçou que o cenário atual deve ser encarado como uma transformação estrutural do mercado, e não como uma oscilação temporária. Entre os principais alertas, os especialistas destacaram que a simples redução das viagens não representa a melhor resposta para as organizações.
“O desafio não é viajar menos e sim decidir melhor. As empresas continuarão precisando viajar para gerar negócios, atender clientes e manter operações. O diferencial estará na qualidade da gestão e na capacidade de tomar decisões baseadas em dados e comportamento”, destacou Fernando Vasconcellos.
O executivo apresentou ainda quatro movimentos considerados fundamentais para os gestores neste momento: ampliar a antecedência das compras; revisar políticas de viagens; adotar níveis adequados de flexibilidade tarifária; e tratar exceções operacionais de forma estratégica, especialmente em áreas que demandam deslocamentos urgentes.
Já Anderson Wolff trouxe uma visão prática sobre os impactos da alta do combustível nas operações aéreas e explicou que, mesmo em um cenário de normalização dos conflitos internacionais, os efeitos sobre os preços não desaparecem imediatamente.
“O combustível é um dos principais componentes do custo da aviação. Mesmo quando há melhora no cenário internacional, existe um período de acomodação que pode levar meses até que o mercado volte a operar em condições mais previsíveis. Por isso, planejamento e gestão tornam-se ainda mais importantes”, explicou Wolff.
Transparência nas negociações e informações
Outro tema abordado foi a evolução dos modelos de negociação comercial entre empresas e fornecedores. Os especialistas destacaram que o momento exige relações mais transparentes, baseadas em dados, cumprimento de acordos e construção conjunta de soluções.
Durante o webinar, também foram discutidos indicadores que os gestores devem acompanhar para ampliar a visibilidade das operações, incluindo comportamento de compra, antecedência de emissão, remarcações e desempenho das políticas de viagens.
“Nosso compromisso é fornecer informação qualificada e ferramentas que ajudem os gestores a responder aos desafios do presente e se preparar para o futuro. Quanto maior a maturidade na gestão, maior a capacidade de transformar um cenário adverso em oportunidade de evolução”, concluiu Luana.