Laura Enchioglo   |   25/06/2026 10:16

Viagens corporativas movimentam R$ 18 bilhões e batem recorde em abril

Levantamento da FecomercioSP e Alagev aponta crescimento de 4,6% no mês em comparação a 2025


PANROTAS / Emerson Souza
Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev
Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev

O Turismo corporativo segue demonstrando capacidade de adaptação diante de desafios econômicos e geopolíticos. Os gastos das empresas com serviços de viagens corporativas atingiram R$ 18 bilhões agora em abril, alta de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado e o maior valor já registrado para o mês.

É o que diz o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado por FecomercioSP em parceria com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev),

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o setor movimentou R$ 66,3 bilhões, crescimento de 6,1% em comparação ao primeiro quadrimestre de 2025.

Segundo a Alagev, o desempenho chama a atenção porque abril foi marcado por uma sequência de feriados prolongados, tradicionalmente associados à redução da atividade corporativa, além de um ambiente internacional cercado por incertezas econômicas. Ainda assim, a demanda por deslocamentos profissionais manteve-se aquecida.

"Os números mostram que as viagens corporativas continuam sendo uma ferramenta essencial para a geração de negócios, fortalecimento de relacionamentos e desenvolvimento de oportunidades. Mesmo diante de um cenário de instabilidade global e de um calendário com diversos feriados, as empresas mantiveram seus compromissos presenciais, participando em eventos, feiras, reuniões e visitas comerciais. Isso demonstra a relevância do contato humano para a construção de resultados"

Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev

A executiva destaca ainda que o setor possui uma característica que contribui para sua estabilidade. "As viagens corporativas costumam ser planejadas com antecedência. Eventos, convenções, reuniões estratégicas e encontros comerciais não acontecem de forma imediata. Existe uma preparação prévia que reduz o impacto de oscilações conjunturais de curto prazo e traz maior previsibilidade para o mercado", explica.

Demanda aérea, hoteleira e força das TMCs

  • Os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) corroboram esse movimento. Em abril, a demanda aérea cresceu 1,8% na comparação anual. Ao mesmo tempo, a tarifa média comercializada avançou de R$ 614 para R$ 670 em valores reais, refletindo a pressão de custos observada desde o início do ano, especialmente em razão da alta do querosene de aviação.
  • Na hotelaria, os indicadores também mostram um mercado resiliente. Dados do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) apontam que a taxa de ocupação recuou levemente de 61% para 60,36%, comportamento considerado esperado para um mês com mais feriados. Já a diária média cresceu 1,9% em termos reais, passando de R$ 462 para R$ 471.
  • Outro dado que reforça a relevância do segmento vem da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp). Segundo a pesquisa recente da entidade, sete em cada dez passageiros transportados pela aviação comercial brasileira viajam a trabalho, confirmando o papel das empresas como principal motor da atividade turística nacional.

"O mercado continua aquecido e a demanda permanece consistente. O desafio passa a ser equilibrar os impactos da inflação e dos custos operacionais para que o crescimento seja sustentado não apenas pela elevação dos preços, mas também pelo aumento efetivo da atividade. Ainda assim, o turismo corporativo segue em trajetória de expansão e deve continuar registrando resultados expressivos ao longo de 2026", conclui Luana.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.