Volatilidade global amplia desafios do duty of care nas viagens corporativas
Pesquisa da International SOS mostra que 66% das empresas viu aumento de incertezas globais em 2025

Com o mundo cada vez mais volátil, duty of care deixou de ser opcional há muito tempo e tornou-se necessidade básica nas viagens corporativas. Os colaboradores não deixaram de viajar, por isso é preciso que estejam protegidos ao se deslocarem em meio a cenários desafiadores.
No GBTA Business Travel Forum São Paulo, o gerente de Desenvolvimento de Negócios da International SOS, Junior Volpato, apresentou uma pesquisa realizada por sua companhia com 860 líderes empresariais de 94 países, na qual percebe-se que a volatilidade deixou de ser um evento pontual para se tornar parte do ambiente operacional das organizações.
Segundo o levantamento, 66% das empresas relatam um aumento das incertezas em 2025, enquanto 57% afirmam ter dificuldade para acompanhar a velocidade com que os riscos evoluem.
No entanto, para Volpato, o duty of care deve ser antecipado e começar antes mesmo do embarque, incluindo treinamento, orientação sobre o destino e monitoramento dos viajantes.
"Quem não antecipa reage tarde. E reagir tarde pode custar vidas e impactar diretamente a operação das empresas. Prevenção é a forma mais elevada de cuidado que podemos oferecer às pessoas expostas a riscos"
Junior Volpato, gerente de Desenvolvimento de Negócios da International SOS
Clima supera geopolítica como principal ameaça
Embora os riscos geopolíticos apareçam entre as maiores preocupações das empresas, a pesquisa revelou que os eventos climáticos extremos são hoje o fator que mais impacta os viajantes corporativos. Segundo Volpato, o calor extremo, enchentes, furacões e outras ocorrências deixaram de ser exceções para se tornarem um novo contexto operacional.
"Eventos climáticos extremos não são mais raridades. Eles são um novo contexto operacional e precisam fazer parte dos planos de viagens corporativas", diz.
O executivo lembrou que as mudanças climáticas também afetam a saúde dos viajantes, favorecendo a disseminação de doenças transmitidas por vetores, além de ampliar riscos relacionados à escassez de água e às altas temperaturas.
Falta de visibilidade preocupa
Outro desafio apontado pela pesquisa envolve a localização dos colaboradores em viagens ou trabalho remoto. Apenas 22% das empresas conseguem monitorar onde seus funcionários estão, enquanto somente 17% afirmam ter capacidade de responder adequadamente a emergências envolvendo colaboradores em locais não informados previamente.
"Não dá para ajudar quem você não consegue localizar", destacou Volpato ao defender investimentos em ferramentas de monitoramento e resposta rápida.
A pesquisa também mostrou que 80% dos entrevistados consideram a detecção antecipada de riscos uma vantagem competitiva, mas apenas 20% afirmam conseguir identificar ameaças com rapidez suficiente para agir preventivamente.
Geopolítica, clima e cibersegurança
Junior Volpato aponta que as empresas precisam adotar uma visão integrada dos riscos, já que questões geopolíticas, eventos climáticos e ameaças cibernéticas frequentemente ocorrem de forma simultânea.
Atualmente, existem 159 conflitos ativos no mundo, o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas menos da metade das organizações inclui a instabilidade política em seus programas de gestão de riscos para viagens. Além disso, ataques cibernéticos e desinformação também passaram a representar ameaças relevantes para viajantes corporativos.
"Esses riscos não são mais teóricos. São riscos operacionais que exigem preparação, monitoramento constante e capacidade de resposta rápida", conclui.