Furacão Irma e Presidents Cup marcam as últimas semanas do golfe nos EUA

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Por Dedê Gomez


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A impressionante extensão do furacão cobrindo a Florida, parte de Cuba, e mais a direita o Furacão José.
A impressionante extensão do furacão cobrindo a Florida, parte de Cuba, e mais a direita o Furacão José.
Dois temas agitaram o golfe norte-americano durante o mês de setembro: o furacão Irma e a Presidents Cup.

No primeiro caso, o maior furacão já registrado até hoje, os danos poderiam ter sido muito maiores do que foram devido à sua passagem ter sido no sudoeste e oeste da Florida. Por experiência própria, tendo passado o furacão Andrew em 1992 em Miami, e agora o Irma em Orlando, sei bem a consequências do que pode ocorrer.
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TPC Sawgrass; o famoso buraco 17 sob as águas.
TPC Sawgrass; o famoso buraco 17 sob as águas.

Naquela ocasião em 1992 nós estávamos no Don Shula’s Hotel & Golf Course para a disputa do Torneio das Américas, e tive a oportunidade de acompanhar a preparação que um campo de golfe pode ter antes do furacão.

Primeiro passo é tentar proteger tudo, cortar quantos cocos forem possíveis das árvores, pois caso contrário na passagem da tormenta tornam-se balas de canhão disparadas em qualquer direção. Ao mesmo tempo corta-se a maior quantidade possível dos galhos das árvores. Recolhe-se todo e qualquer objeto solto dentro do clube de golfe, desde uma almofada de cadeira até telhados não extremamente fixados. Esvazia-se os lagos dos campos para minimizar os efeitos de enchentes, desliga-se qualquer conexão elétrica, amarra-se tudo o que for possível e lacra-se portas e janelas com madeira ou alumínio. Depois é aguardar os efeitos dos ventos, chuva intensa e alagamentos.

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Imagem do Quail Creek Country Club, Naples, alagado.
Imagem do Quail Creek Country Club, Naples, alagado.
Desta vez para o Irma tudo foi feito com boa antecedência, até por que dias antes havia ocorrido a catástrofe do Harvey em Houston.

Mesmo assim os danos para os campos de golfe de todo o Estado (1,2 mil campos registrados), foram marcantes, mas não destrutivos.

A expectativa anunciada era de tragédia, se o Irma seguisse a rota prevista entrando pelo sudeste do Estado, e depois indo na direção nordeste onde estão concentrados a maioria dos campos de golfe.

Key West e Naples sofreram os maiores danos com inundações de seus campos e uma enorme quantidade de árvores caídas ou literalmente arrancadas. Key West, Marathon, Islamorada e Key Largo estão com todos os seus campos fechados em reformas e reparações de seus greens e fairways. Tudo dentro do possível, pois a falta de energia não permite a operação das maquinas.

Em alguns deles o mar literalmente passou sobre o campo de golfe deixando barcos, detritos de todos os tipos, conchas e peixes espalhados.

Até agora, primeira semana de outubro, nenhum dos campos do Florida Keys foi reaberto para a prática do golfe.
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Imagem do Crandon Golf Course, Key Biscayne, antes e depois do Irma.
Imagem do Crandon Golf Course, Key Biscayne, antes e depois do Irma.
Em Naples, e Fort Myers um pouco mais ao norte, os estragos formam muitos, porém em uma semana os campos da região, de excelente qualidade, já estavam abertos ao público, apesar de o pessoal da manutenção ainda estar trabalhando no campo.

Já perdendo força, o Irma passou entre Tampa e Orlando tendo arrancado muitas árvores e galhos de campos famosos, sempre muito procurados pelos golfistas, mas que em quatro dias já podiam receber os jogadores.

É interessante notar que o Irma tinha 600 quilômetros. de diâmetro cobrindo com seus ventos e nuvens todo o estado da Flórida, parte do Oceano Atlântico, o Mar do Caribe e o Golfo do México. Por essa razão cidades como Palm Beach, Fort Lauderdale, Daytona e até Jacksonville sofreram os efeitos dos seus ventos com tempestades, ondas altas, alagamentos, a consequente falta de luz e destruição de casas. Em pouco tempo tudo estará em ordem.

PRESIDENTS CUP
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Bill Clinton, George Bush e Barak Obama, três ex-presidentes acompanhando os golfistas norte-americanos: Rick Fowler e Jordan Spieth
Bill Clinton, George Bush e Barak Obama, três ex-presidentes acompanhando os golfistas norte-americanos: Rick Fowler e Jordan Spieth
É um grande evento disputado a cada dois anos (os ímpares), por equipes formadas de um lado pelos Estados Unidos e seus 12 melhores golfistas e do outro os 12 melhores golfistas do resto do mundo menos a Europa, o International Team. Os 12 melhores da Europa, a cada dois anos (anos pares), tem o desafio da Ryder Cup contra os 12 melhores dos Estados Unidos.

As competições são verdadeiras batalhas entre as equipes para conquistar o troféu. Pode-se dizer que é uma final de Champions League do futebol.

A Ryder Cup foi criada em 1927 por Samuel Ryder, um empresário inglês, que instituiu a disputa para o confronto das duas equipes doando o troféu de posse transitória. Até hoje os Estados Unidos tem 27 vitórias, tendo vencido a última em 2016, e a Europa tem 13 vitórias, e apenas dois empates até hoje.

Tanto a Presidents Cup quanto a Ryder Cup tem um rodízio a cada 2 anos para sediar o evento sendo uma vez nos Estados Unidos e dois anos depois em um país da Europa para a Ryder Cup, e um país internacional para a Presidents Cup.

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A equipe dos Estados Unidos, mais uma vez campeã da Presidents Cup
A equipe dos Estados Unidos, mais uma vez campeã da Presidents Cup
Neste 2017 a Presidents Cup foi disputada no Liberty National Golf Course, New Jersey, as margens do Oceano Atlântico e Hudson River, oferecendo vistas espetaculares da estátua da Liberdade e Manhattan e tendo o World Trade Center alinhado com vários buracos do campo de golfe.

Condições para o jogo foram dificílimas devido aos fortes ventos durante os quatro dias de jogo, que marcaram uma vitória esmagadora dos Estados Unidos sobre o Internacional Team.

O formato das duas competições é igual: de quinta-feira a sábado partidas de duplas, uma equipe contra outra, match play, valendo 1 ponto a vitória e meio ponto o empate.

No domingo são 12 partidas individuais, match play, com a mesma contagem de pontos tornando-se campeão o país que somar maior número de pontos.

A competição poderia ter terminado no sábado pois a vantagem dos norte-americanos nesses 3
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O Liberty National Golf Club oferece belas imagens de Manhattan
O Liberty National Golf Club oferece belas imagens de Manhattan
primeiros dias deixou-os a meio ponto da vitória (um empate). Fato inédito nas duas competições.

Entretanto fazendo jus à tradição e princípios do golfe: The Spirit of the Game, onde prevalece a honestidade, integridade, etiqueta e respeito, o capitão da equipe norte-americana Steve Strickers consultou seus vice-capitães: Tiger Woods, Fred Couples, Jim Furik e Davis Love III (capitão vencedor da última Ryder Cup) optando por conceder no último buraco do jogo do sábado a vitória para a equipe internacional. Dessa forma o jogo pode prosseguir no domingo apesar da vitória norte-americana já estar praticamente consumada. Respeitou-se assim: adversários, público, imprensa, televisão e a manutenção do jogo.

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Para o público as imagens do jogo e de Nova York ficarão na lembrança
Para o público as imagens do jogo e de Nova York ficarão na lembrança
A Presidents Cup foi criada em 1994 tendo a cada ano como Chairman o presidente do país que a sedia, e neste 2017 aconteceu um fato curioso pois nos dois primeiros dias de jogo três ex-presidentes dos Estados Unidos estiveram presentes acompanhando e torcendo por seus golfistas: Bill Clinton, George Bush e Barak Obama, com Donald Trump entregando o troféu no domingo.

A próxima Presidents Cup, em 2019, será no Royal Melbourne Golf Club, em Melbourne, Austrália, e a Ryder Cup 2018 será no Le Golf National (Albatroz Course), em Saint-Quentin-en-Yvelines, subúrbio de Paris, França.

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Dedê Gomez -
Jornalista, Empresário, Esportista, Organizador de eventos esportivos. Atuou como apresentador, comentarista, entrevistador e produtor de programas de televisão e revistas, por mais de 30 anos, notadamente em automobilismo, golfe e Jogos Olímpicos. Escreveu nos principais jornais e revistas do Brasil sobre esportes, tendo praticado mais de dez modalidades e obtidos expressivos títulos nacionais e internacionais.

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