Como o termo bleisure mudou o mundo corporativo

|

Renê Castro

BANGCOC (TAILÂNDIA) – Com 25% de participação na contribuição para a indústria do Turismo, as viagens corporativas seguem em ritmo acelerado. No último ano, segundo o WTTC, o segmento faturou ao redor do globo cerca de US$ 1,3 trilhão com deslocamentos de executivos das mais diversas áreas. A previsão para os próximos cinco anos é de crescimento de 3,6%, acima da média do PIB mundial. Para os que pensavam que as conferências digitais acabariam com este mercado, eis a prova de que o contato entre pessoas ainda se mostra importante para a geração de negócios.

E foi pensando no desenvolvimento dos viajantes a negócios que o WTTC trouxe ao palco no segundo dia de atividades alguns dos maiores nomes desse mercado.

Incentivados pelo jornalista Stephen Sackur, da BBC, líderes do segmento direcionaram a discussão para a expressão bleisure, mistura das palavras business e leisure e que define um viajante que aproveita sua estada a negócios para realizar atividades a lazer. Fatores como bem-estar social, envolvimento com outras culturas e valorização profissional agora também estão previstas em políticas de viagens e na forma como os travel managers interagem com os fornecedores. Para as TMCs, o desafio é o quanto é possível personalizar esta viagem mista com uma tecnologia capaz de prover e analisar dados com precisão sem abrir mão da segurança do viajante.

Para o CEO da Carlson Wagonlit Travel, Kurt Ekert, está claro que o trabalho de uma agência de viagens corporativas deixou de ser a emissão de tíquetes aéreos e reservas hoteleiras. “Hoje há muito mais com o que se preocupar. O mercado tornou-se um universo altamente dinâmico, com inovações a todo o instante. Nós, como gerenciadores de conteúdo e provedores de tecnologia, devemos manter-se abertos a qualquer tipo de novidade. Os grandes exemplos do momento são o Uber e o Airbnb, duas ferramentas que hoje somos capazes de utilizar, gerenciar e garantir o conforto do nosso cliente graças a análises de comportamento e possibilidades de negociação em um ambiente 100% digital”, considerou, abrindo espaço para a opinião do CEO da American Express Global Business Travel, Douglas Anderson.

“Olhando para trás, vejo o quanto o mundo mudou depois do 11 de setembro [de 2001, data do ataque ao World Trade Center, nos Estados Unidos] e a crise financeira de 2008 (sucessão de falências de instituições financeiras norte-americanas e europeias por conta de uma “bolha imobiliária”). O viajante atual precisa ter plena sensação de segurança durante a sua viagem e, em alguns casos, mais do que isso, ter acesso a produtos e serviços que resultem em uma melhor experiência longe de casa”, afirmou Anderson.

Renê Castro
Douglas Anderson (American Express Global Business Travel), Kurt Ekert (CWT), Masaru Onishi (Japan Airlines), Gordon Wilson (Travelport) e o jornalista Stephen Sackur, da BBC
Douglas Anderson (American Express Global Business Travel), Kurt Ekert (CWT), Masaru Onishi (Japan Airlines), Gordon Wilson (Travelport) e o jornalista Stephen Sackur, da BBC

Já Gordon Wilson, comandante da Travelport, é mais incisivo: o bleisure mudou a forma como se comercializa viagens a negócios. “Não se trata apenas de economia compartilhada. Estamos falando de um fenômeno que ficou latente após a chegada das redes sociais e do universo mobile, criando uma mudança de comportamento considerável no consumidor. Hoje, tudo está na palma da mão. É preciso interagir, fazer parte, se valorizar, sentir-se especial.”

No universo da aviação, a palavra de ordem para o atendimento ao segmento de viagens corporativas é diversificação. No GDS, opções para todos os gostos e bolsos, com serviços auxiliares e rápida resposta a solicitações especiais; a bordo, o cuidado com os pequenos detalhes. “O que faz uma companhia aérea ter sucesso neste mercado é um conjunto de fatores, e não apenas preço. A experiência do passageiro conta muito. Na nossa visão como empresa, o turismo a lazer é muito volátil, ao contrário do corporativo, que se apresenta estável e merece especial atenção”, refletiu Masaru Onishi, da Japan Airlines.

Para os dirigentes, atuar em meio ao universo bleisure exige eficiência, inovação e transparência, três qualidades capazes de determinar o sucesso ou o fracasso de uma empresa.

“O viajante quer simplicidade. Não se pode perder o foco e oferecer o que ele não está buscando. Nosso papel é entender este público e ser cirúrgico na apresentação de produtos e serviços, por isso é tão importante acompanhar as inovações da indústria com a mente aberta”, encerrou Kurt Ekert.

O Portal PANROTAS é media partner do WTTC e viaja com proteção Intermac
 AVALIE A IMPORTÂNCIA DESTA NOTÍCIA