Viajante corporativo quer autonomia, mas também consultoria

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Com a pandemia de covid-19, o trabalho mudou para sempre, assim como o colaborador. A forma como a empresa se relaciona com seu time foi permanentemente transformada, dando mais atenção aos limites do trabalho, à qualidade de vida e ao tempo livre. E isso impacta diretamente nas viagens corporativas.

Carolina Sass, do TRVL LAB, Artur Luiz Andrade, da PANROTAS, Patricia Mello, do Credit Suisse, Cibeli Marques, da LTN e TP Corporate, e Fillipi Nobre, da Elo
Carolina Sass, do TRVL LAB, Artur Luiz Andrade, da PANROTAS, Patricia Mello, do Credit Suisse, Cibeli Marques, da LTN e TP Corporate, e Fillipi Nobre, da Elo
“A segunda edição da pesquisa As viagens em um mundo pós-vacina – Insights para o Turismo, da TRVL LAB e ELO, mostra que teremos novos critérios para viajar, com o fator fundamental para a retomada das viagens a negócios, segundo 92% dos participantes, sendo a vacinação em massa. A boa notícia é que 84% dos brasileiros gostam de viajar a trabalho”, aponta Carolina Sass de Haro, do TRVL LAB, durante live realizada hoje (19) no Portal PANROTAS.

Diante disso, os viajantes passaram a querer ainda mais autonomia para escolher os fornecedores do deslocamento a trabalho. Portanto, é importante que as empresas de Turismo se comuniquem diretamente com o viajante corporativo – assim como é muito feito no segmento de lazer. A retomada das viagens a negócios será mais lenta, elas serão mais criteriosas, com multipropósitos e mais atenção à qualidade de vida e quem viaja. Mas há uma luz no fim do túnel e os planejamentos já estão começando a ser feitos.

“Com a vacinação avançando, o funcionário vai se sentindo confiante novamente em viajar e interagir com as pessoas. No entanto, 70% do nosso escritório continua em home office. Por isso, precisamos fazer esse retorno de forma lenta e gradual. Mas ele vai acontecer. Estamos sendo vacinados, vamos retomar aos poucos e essa confiança está chegando à medida que as fronteiras também vão reabrindo”, conta a gestora de Viagens do Credit Suisse, Patricia Mello.

DIFERENTE POR SEGMENTO
Assim como algumas indústrias pararam completamente com suas viagens a trabalho, outras mantiveram o mesmo ritmo de antes da pandemia. É o caso de empresas do setor de infraestrutura, óleo e gás e consultoria, por exemplo. O business varia bastante de acordo com o setor que a companhia está envolvida.

“Viagens nacionais ou então o CEO que precisa fechar uma fusão ou aquisição em outro país, hoje ele já consegue planejar essa viagem. O volume de viagens corporativas reduziu, mas ele vai muito ao encontro com o propósito do deslocamento. E, agora, vemos ele retomando com uma certa consistência. Já vemos clientes com performance de compra bastante robusta em relação ao que era em abril, por exemplo”, afirma a diretora de Vendas e Desenvolvimento de Negócios da TP Corporate by LTN, Cibeli Marques.

AINDA MAIS CONSULTORIA

Apesar desse cenário no qual o viajante está buscando cada vez mais autonomia em suas escolhas de viagens, surge também uma nova demanda: a necessidade de ter por trás do processo uma pessoa real, um consultor, um agente ou gestor de viagens, com todas as informações necessárias e que cuide de sua segurança. Que saiba quando o visto vai vencer, qual vacina é aceita, se é preciso fazer o teste de covid-19 (e qual) ou não, se a carteira de vacinação pode ser apresentada de forma impressa ou por QR Code e muitos outros detalhes que surgiram.

“Os fornecedores precisam personalizar a maneira de atender o cliente, entender quais são as demandas que ele tem. E isso está muito em linha com colocar o consumidor no centro de tudo. Esse papel consultivo das empresas da cadeia será a virada de chave para dar um atendimento cada vez mais completo, com a segurança que o viajante precisa. Toda essa proatividade será muito valorizada e mostrará que a preocupação é com o cliente e não só em converter em venda. O atendimento cada vez mais se tornará relevante, uma vez que o viajante corporativo estará mais exigente após esse caos. E quem se destacar primeiro nessas entregas terá um diferencial competitivo muito forte”, diz o superintendente de Desenvolvimento de Negócios na Elo, Fillipi Nobre.

QUEM MANDA?
“O principal viajante corporativo brasileiro é o dono do seu comércio, que organiza a viagem sozinho, ou um representante comercial que pega o carro e viaja o País. Ele é o dono de sua viagem e tem autonomia total. Quando olhamos para as empresas com maior número de funcionários, a autonomia diminui. Mas a maioria dos viajantes possui algum nível de liberdade para escolher dentro de alguns fornecedores pré-selecionados ou dentro de um orçamento”, explica Carolina.

Este indicador pode ser encontrado na seção de personas dentro do estudo TRVL LAB e ELO. Além disso, quanto mais C-Level, mais autonomia ele tem para escolher. Hoje em dia, o viajante quer selecionar sua companhia aérea, optar por um voo direto... E, muitas vezes, ele mesmo pode arcar com essas despesas à parte, ainda que isso vá contra a política, pensando no fator qualidade de vida.

“Na nossa política de viagens, quando há uma questão fora, o funcionário pode arcar com o gasto, é uma alternativa que já tínhamos. E a maioria deles segue as regras, que, inclusive, não mudaram com a pandemia. O que mudou foi um pouco mais de rigidez no processo de aprovação, mas as regras sempre foram cautelosas. Precisamos saber onde esse viajante está 24 horas por dia, por isso, é sempre preferível que ele esteja total dentro da política”, diz Patricia.

CAPTAÇÃO DE EVENTOS

O levantamento apontou que 71,31% dos respondentes preferem as opções de eventos presenciais na sua área. Também mostrou que o formato presencial é insubstituível para certas atividades, especialmente para encontros de colaboração e integração, que deverão ser reforçados justamente pelo aumento do trabalho remoto. Como fica, então, a captação de eventos? Já está acontecendo?

“Tivemos algumas conversas reais com clientes e as empresas – de todos os segmentos – apontam que é necessário voltar com os eventos presenciais. Existe essa demanda, ela vai aumentar, mas sempre tomando os devidos cuidados, como limitação da capacidade e distanciamento social. Estamos vendo que quem fornece o evento está buscando a captação, as pessoas estão promovendo, sim. Não só no corporativo, mas também os sociais. O desejo é imenso e os lugares estão trazendo ideias e soluções para entregar com segurança”, finaliza Cibeli.

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