Abeoc Brasil avalia resultados e legado do Cocal 2026, realizado em Fortaleza
Em artigo, Enid Câmara, presidente da entidade, destaca a articulação entre diferentes agentes do setor

A realização do Cocal 2026 em Fortaleza reforçou o papel do Brasil nas discussões sobre o desenvolvimento da indústria de eventos na América Latina. Em artigo, Enid Câmara de Vasconcelos, presidente da Abeoc Brasil, avalia a realização do congresso, destaca a articulação entre diferentes agentes do setor e aponta a Carta de Fortaleza como um dos resultados que devem orientar a continuidade das discussões após o evento.
Confira o artigo na íntegra:
Cocal 2026: Quando articulação se transforma em legado
"Trazer o Cocal novamente ao Brasil foi muito mais do que conquistar o direito de sediar um congresso internacional. Foi o resultado de um trabalho institucional construído ao longo de anos, baseado em diálogo, credibilidade e, sobretudo, na capacidade de reunir diferentes atores em torno de um objetivo comum.
Para a Abeoc Brasil, realizar a 42ª edição do Congresso da Federação de Entidades Organizadoras de Congressos e Afins da América Latina (Cocal) representou também uma oportunidade de mostrar a força da indústria brasileira de eventos e nossa capacidade de contribuir para as discussões sobre o futuro do setor na América Latina.
A escolha de Fortaleza nasceu de uma candidatura consorciada entre Abeoc Brasil, Abeoc Ceará, Visite Ceará, Embratur, Secretaria do Turismo do Ceará e Secretaria Municipal do Turismo de Fortaleza. Uma construção que demonstrou, na prática, o que podemos alcançar quando entidades, poder público, iniciativa privada e lideranças atuam de maneira coordenada.
Fortaleza correspondeu a esse desafio. Sua vocação turística, infraestrutura e capacidade de acolhimento criaram um ambiente favorável não apenas ao conteúdo, mas também às experiências e conexões que hoje fazem parte do valor de um grande congresso.
Um congresso feito pelas pessoas
Ao longo dos três dias de programação, vimos um Cocal vivo. Profissionais de diferentes países participaram, questionaram, trocaram experiências, fizeram negócios e construíram relações.
O alto nível do conteúdo foi uma das marcas do congresso, mas talvez seu maior diferencial tenha sido o engajamento. Participantes, palestrantes e lideranças destacaram a intensidade das trocas e, para muitos, esta foi uma das edições mais marcantes da história recente do Cocal justamente pela participação gerada em torno da programação.
Essa percepção diz muito sobre o momento vivido pela indústria de eventos. Hoje, reunir pessoas já não basta. O público quer participar, estabelecer conexões relevantes, compartilhar conhecimento, viver experiências e sair de um encontro levando algo capaz de repercutir em sua atuação.
O Cocal 2026 mostrou que o valor de um evento está cada vez mais relacionado àquilo que ele consegue mobilizar nas pessoas.
O Brasil no centro das discussões
Receber profissionais e lideranças latino-americanas também nos permitiu olhar para desafios que ultrapassam fronteiras. Embora tenhamos realidades distintas, compartilhamos questões como profissionalização, incorporação de novas tecnologias, sustentabilidade, formação de mão de obra, valorização das empresas, produção de dados econômicos e construção de políticas que reconheçam a importância estratégica da indústria de eventos.
Trazer o Cocal ao Brasil significou colocar o país no centro dessas discussões e abrir novas possibilidades de cooperação.
Temos uma indústria diversa, criativa e profissionalizada, formada por empresas preparadas, destinos competitivos, centros de eventos, fornecedores especializados e profissionais reconhecidos. Apresentar essa capacidade à América Latina também fazia parte da entrega que desejávamos fazer.
Mas essa agenda não poderia terminar com o congresso.
O congresso terminou. O trabalho continua
Uma das principais expressões desse compromisso foi a Carta de Fortaleza, apresentada ao final do encontro a partir das discussões e reflexões construídas durante o Cocal. Mais do que um documento de encerramento, ela representa a intenção de transformar o que debatemos em uma agenda de continuidade para a indústria de eventos latino-americana.
Encontros como o Cocal precisam produzir consequências: estimular a cooperação, fortalecer a representatividade institucional, ampliar o intercâmbio entre países e transformar conhecimento e conexões em caminhos concretos para o desenvolvimento.
Por isso, o encerramento marcou também o início de uma nova etapa. Queremos que as relações construídas em Fortaleza produzam resultados, que as parcerias avancem, novas oportunidades surjam e o diálogo entre profissionais e entidades latino-americanas se fortaleça.
É assim que entendemos legado.
Legado não é apenas aquilo que permanece na memória de quem participou. É o que continua acontecendo depois que os auditórios se esvaziam e cada participante retorna à sua cidade ou ao seu país. É transformar encontros em relações, conhecimento em ação e articulação institucional em desenvolvimento.
Foi com essa visão que trabalhamos para trazer o Cocal ao Brasil. A Carta de Fortaleza registra esse compromisso e nos lembra de que uma realização dessa dimensão ganha ainda mais sentido quando aquilo que construímos juntos encontra continuidade.
O Cocal 2026 foi uma entrega da Abeoc Brasil ao país e à indústria de eventos, mas, acima de tudo, mostrou a força do que podemos construir quando entidades, governos, empresas, destinos e profissionais se unem em torno de propósitos comuns.
O congresso terminou. Seu legado está apenas começando."