Governança é chave para atrair eventos internacionais ao Brasil; veja debate no Cocal 2026
Integração entre governos, CVBs, Embratur e iniciativa privada é decisiva para ampliar a competitividade

FORTALEZA – A atração de eventos internacionais passa por muito mais do que campanhas de promoção. Para Embratur, Governo do Ceará e Visite Ceará, o sucesso na captação depende de um trabalho coordenado entre poder público, CVBs e trade, com planejamento de longo prazo e governança entre todos os atores envolvidos.
Durante painel no Cocal 2026, nesta sexta-feira (3), a diretora do Visite Ceará, Suemy Vasconcelos, destacou que o papel dos CVBs é justamente conectar esses diferentes elos e organizar o destino para receber grandes eventos.
"Captar um evento internacional não é fácil, e isso só acontece quando todos trabalham alinhados. O CVB faz essa articulação entre governo, Embratur e iniciativa privada para mostrar ao promotor que o destino está preparado. Não adianta promover se não houver estrutura, fornecedores organizados e uma governança consolidada”
Suemy Vasconcelos, diretora do Visite Ceará
Como exemplo, Suemy citou a própria realização do 42º Congresso Cocal em Fortaleza e a conquista do Campeonato Mundial Master de Basquete, marcado para 2027. Segundo ela, ambas as captações envolveram um esforço conjunto entre entidades do setor, governos e Embratur, utilizando inclusive ferramentas de apoio disponibilizadas pela própria Agência.
Qual o fator competitivo?
Na avaliação do gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional da Embratur, Alexandre Nakagawa, a integração entre os diferentes níveis de governo e o setor privado tornou-se um diferencial competitivo para os destinos brasileiros.
"Quando um destino apresenta um projeto construído em conjunto por governo federal, Estado, município, CVB e trade, ele sai na frente. Essa integração é um diferencial competitivo. Além disso, os organizadores procuram cada vez mais destinos autênticos, que ofereçam experiências ligadas à cultura local", pontua o executivo.
Nakagawa conta ainda que a Embratur mantém iniciativas específicas voltadas ao segmento Mice, como programas de apoio à captação de eventos, qualificação do trade e promoção internacional. Segundo ele, essas ferramentas precisam ser incorporadas aos planos de ação dos Estados e municípios.
Setor privado transforma em ação
O secretário do Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro, reforçou que cabe ao poder público criar as condições para que o setor privado consiga transformar oportunidades em negócios.
"O Estado não faz negócios, quem faz é o empresário. Nosso papel é desenvolver políticas públicas, investir em infraestrutura, ampliar a conectividade aérea e fortalecer o destino para que o trade consiga atrair mais visitantes"
Gustavo Montenegro, secretário do Turismo do Ceará
Segundo Montenegro, o Turismo já representa 11% do PIB cearense, sendo um importante gerador de emprego e renda e com grande parte desta fatia sendo de eventos. Em 2025, o Estado recebeu mais de 3,5 milhões de turistas, dos quais cerca de 115 mil internacionais, movimentando R$ 24,2 bilhões na economia. O secretário também destacou os investimentos em ampliação da malha aérea, promoção internacional, interiorização do Turismo e apoio a eventos como parte da estratégia para fortalecer o Ceará como destino para grandes encontros.
A mensagem em comum foi clara: a promoção de um destino começa muito antes da realização do evento e depende de planejamento contínuo. Para eles, a combinação entre infraestrutura, conectividade, políticas públicas, iniciativa privada e autenticidade dos destinos é o caminho para ampliar a participação do Brasil no mercado internacional de eventos.
"A união de todos é o que faz a diferença na captação. O promotor precisa chegar ao destino e encontrar governo, fornecedores e trade trabalhando juntos. É isso que transmite segurança e competitividade", finaliza Suemy.
O Portal PANROTAS viaja a convite do Cocal