Beatrice Teizen   |   03/07/2026 17:53

Governança é chave para atrair eventos internacionais ao Brasil; veja debate no Cocal 2026

Integração entre governos, CVBs, Embratur e iniciativa privada é decisiva para ampliar a competitividade

PANROTAS / Beatrice Teizen
Romano Pansera, da Academia Brasileira de Eventos e Turismo, mediou painel com Gustavo Montenegro (Setur Ceará), Alexandre Nakagawa (Embratur) e Suemy Vasconcelos (Visite Ceará)
Romano Pansera, da Academia Brasileira de Eventos e Turismo, mediou painel com Gustavo Montenegro (Setur Ceará), Alexandre Nakagawa (Embratur) e Suemy Vasconcelos (Visite Ceará)

FORTALEZA – A atração de eventos internacionais passa por muito mais do que campanhas de promoção. Para Embratur, Governo do Ceará e Visite Ceará, o sucesso na captação depende de um trabalho coordenado entre poder público, CVBs e trade, com planejamento de longo prazo e governança entre todos os atores envolvidos.

Durante painel no Cocal 2026, nesta sexta-feira (3), a diretora do Visite Ceará, Suemy Vasconcelos, destacou que o papel dos CVBs é justamente conectar esses diferentes elos e organizar o destino para receber grandes eventos.

"Captar um evento internacional não é fácil, e isso só acontece quando todos trabalham alinhados. O CVB faz essa articulação entre governo, Embratur e iniciativa privada para mostrar ao promotor que o destino está preparado. Não adianta promover se não houver estrutura, fornecedores organizados e uma governança consolidada”

Suemy Vasconcelos, diretora do Visite Ceará

Como exemplo, Suemy citou a própria realização do 42º Congresso Cocal em Fortaleza e a conquista do Campeonato Mundial Master de Basquete, marcado para 2027. Segundo ela, ambas as captações envolveram um esforço conjunto entre entidades do setor, governos e Embratur, utilizando inclusive ferramentas de apoio disponibilizadas pela própria Agência.

Qual o fator competitivo?

Na avaliação do gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional da Embratur, Alexandre Nakagawa, a integração entre os diferentes níveis de governo e o setor privado tornou-se um diferencial competitivo para os destinos brasileiros.

"Quando um destino apresenta um projeto construído em conjunto por governo federal, Estado, município, CVB e trade, ele sai na frente. Essa integração é um diferencial competitivo. Além disso, os organizadores procuram cada vez mais destinos autênticos, que ofereçam experiências ligadas à cultura local", pontua o executivo.

Nakagawa conta ainda que a Embratur mantém iniciativas específicas voltadas ao segmento Mice, como programas de apoio à captação de eventos, qualificação do trade e promoção internacional. Segundo ele, essas ferramentas precisam ser incorporadas aos planos de ação dos Estados e municípios.

Setor privado transforma em ação

O secretário do Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro, reforçou que cabe ao poder público criar as condições para que o setor privado consiga transformar oportunidades em negócios.

"O Estado não faz negócios, quem faz é o empresário. Nosso papel é desenvolver políticas públicas, investir em infraestrutura, ampliar a conectividade aérea e fortalecer o destino para que o trade consiga atrair mais visitantes"

Gustavo Montenegro, secretário do Turismo do Ceará

Segundo Montenegro, o Turismo já representa 11% do PIB cearense, sendo um importante gerador de emprego e renda e com grande parte desta fatia sendo de eventos. Em 2025, o Estado recebeu mais de 3,5 milhões de turistas, dos quais cerca de 115 mil internacionais, movimentando R$ 24,2 bilhões na economia. O secretário também destacou os investimentos em ampliação da malha aérea, promoção internacional, interiorização do Turismo e apoio a eventos como parte da estratégia para fortalecer o Ceará como destino para grandes encontros.

A mensagem em comum foi clara: a promoção de um destino começa muito antes da realização do evento e depende de planejamento contínuo. Para eles, a combinação entre infraestrutura, conectividade, políticas públicas, iniciativa privada e autenticidade dos destinos é o caminho para ampliar a participação do Brasil no mercado internacional de eventos.

"A união de todos é o que faz a diferença na captação. O promotor precisa chegar ao destino e encontrar governo, fornecedores e trade trabalhando juntos. É isso que transmite segurança e competitividade", finaliza Suemy.


O Portal PANROTAS viaja a convite do Cocal

Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.

Tópicos relacionados

Foto de Beatrice Teizen

Conteúdos por

Beatrice Teizen

Beatrice Teizen tem 7040 conteúdos publicados no Portal PANROTAS. Confira!

Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação