Pesquisa: geração Y já molda viagens corporativas

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do BusinessDK

A forma pela qual as companhias oferecem seus serviços a viajantes do setor corporativo está mudando muito, mas tudo o que foi visto até agora é só o começo. Esta é a previsão do mais recente estudo "As Forças que Moldam as Viagens a Negócios", feito pela consultoria Skift Data Deck.

De acordo com a pesquisa, conforme a demografia da força de trabalho passa para as mãos da geração Y, também conhecida como millennials, a demanda por um ponto de equilíbrio entre flexibilidade e vida profissional faz com que companhias aprimorem seus serviços por meio de tecnologia móvel e economia colaborativa. "A ascensão do viajante a negócios está apenas começando", profetiza o estudo.

O relatório que investiga o comportamento do viajante a negócios chama a atenção para a independência crescente deste que "faz alterações nos voos via smartphone a caminho do aeroporto, planeja jantar com um velho amigo depois da última reunião do dia e programa visita a novas cidades". Contudo, a pesquisa ressalta que as incertezas das mudanças abrem oportunidades ao mercado corporativo. "Cada vez mais empresas criam soluções aos viajantes conectados com base em uma vasta quantidade de dados comportamentais deixados por eles".

CENÁRIO
No mundo, a conjuntura atual aponta que os gastos com viagens corporativas devem manter alta em um ano de recordes. Em 2016, regiões como Ásia são promissoras, com a China pela primeira vez ultrapassando os Estados Unidos nos gastos. Cerca de 95% das viagens atribuídas ao dragão oriental são domésticas, e, até 2030, a alta de viajantes mulheres a negócios deve aumentar cerca de 400%.

Do lado das Américas, gastos associados a transporte terrestre devem impulsionar as despesas com viagens a negócios.

Pelos cálculos da Skift, o total gasto pelas empresas consultadas com viagens a trabalho em 2015 foi de US$ 1,25 trilhão e tem previsão de subir 6,9% e 6% em 2016 e 2017, respectivamente. Em 2018 e 2019, o crescimento deve ser de 6,4% e 5,8%.



O estudo demonstra que atualmente os gastos dos viajantes associados a transporte terrestre - aluguel de carro, táxis, combustível - estão entre os principais entre companhias norte-americanas, correspondendo por 21% do total. Alimentação (19%) e empresas aéreas (17%) aparecem em seguida.




MOBILE
Os viajantes estão cada vez mais dependentes de seus smartphones e os executivos são os mais assíduos. Uma cobertura mais ampla e serviços mais ágeis dão a eles a possibilidade de permanecerem conectados, permitindo acesso à informação e à vida social durante a viagem. Apesar do agendamento por mobile ainda engatinhar, os executivos estão integrando cada vez mais telefones e tablets a cada passo dado durante a missão.

De acordo com os dados da Skift, 97% daqueles que viajam a trabalho levam ao menos um dispositivo móvel (celular ou tablet) e quase 80% diz que o acesso ao wi-fi é vital para o trabalho e esperam acessá-lo em todos os lugares - sejam hotéis ou aviões.

Outro dado interessante é a quantidade de pessoas que compram acesso durante o voo: 23% disseram usar a internet durante a viagem para trabalhar.

Segundo eles, o que um aplicativo mais pode oferecer de útil durante uma viagem a trabalho são informações em tempo real do voo, itinerário instantâneo e alertas e informações sobre o clima.

NA HORA DA COMPRA
Quanto aos fatores decisivos para o executivo na hora de emitir os bilhetes, 33% miram nos voos com horários convenientes a eles, enquanto pouco menos de 30% compram pelo preço e 20% pelo acúmulo de pontos a voos promocionais. Cerca de 55% dos pesquisados disseram que disponibilidade de wi-fi e preços influenciam na hora de escolher o voo e o hotel.

No geral, metade das compras refere-se a voos com intervalo de 15 dias ou mais entre os trechos de ida e volta.


do World Travel Market


MÃO DE OBRA E O FUTURO
Em 2015, a geração Y passou a representar mais da metade da população economicamente ativa dos Estados Unidos, correspondendo a 54% desta. Por isso, o estudo pontua que reconsiderar políticas de viagens corporativas considerando este perfil será importante para o recrutamento e retenção de trabalhadores altamente qualificados, uma vez que estes tendem a ser mais independentes.

Atualmente, a geração tem um poder aquisitivo de US$ 2,45 trilhões, dos quais US$ 226 bilhões foram gastos em viagem. Em 2020, metade das viagens de negócios será feita pelos Y e a estimativa é de 75% para 2025.

No perfil millennials, a Skift destaca características como a propensão 60% maior deles em adquirir upgrades e serviços adicionais de voos, a maior disposição para gastar com voos e a maior disposição de gastos com serviços de quarto quando as empresas estão assumindo as despesas. A tendência de explorar a cidade para a qual viaja a trabalho também faz parte do perfil.

Mais de 80% dos Y que responderam à pesquisa disseram que procuram conhecer a cidade em que estão a trabalho, 65% chegam a estender a viagem e quase 70% dizem que é importante usar a viagem corporativa para lazer (na tendência batizada de bleisure). Contudo, 59% das companhias não têm políticas que possibilitem o hábito.

ECONOMIA COLABORATIVA
Grosso modo, economia colaborativa é aquela na qual as empresas de tecnologia conectam clientes diretamente a bens e serviços. Com um toque no celular, os usuários podem definir roteiros, alugar quartos e contratar serviços. A rapidez e a transparência desses serviços sob demanda estão mudando o comportamento do consumidor. Seja para facilitar a vida ou diminuir custos, os executivos estão participando cada vez mais da economia colaborativa.

Como exemplo, a Skift mostra o avanço dos aplicativos de carona, que no começo de 2014 representavam uma fatia de 8% do mercado que inclui táxi e aluguel de carro. No primeiro trimestre de 2015, a parcela subiu para 25% - e de 46% no primeiro trimestre de 2016.

Quanto ao Airbnb, desde julho de 2015, 50 mil empregados de mais de cinco mil companhias fizeram reservas no segmento. Nos Estados Unidos, os gastos com viagens corporativas em Airbnb aumentou 261%. No mundo, o crescimento foi de 249% do primeiro trimestre de 2015 para o mesmo período de 2016.
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