Beatrice Teizen   |   07/10/2026 16:47

Mobilidade, reforma tributária, preços: Alagev aponta 5 desafios para o futuro das viagens

Com R$ 205,6 bi projetados para 2026, entidade destaca temas estratégicos para o desenvolvimento do setor


Unsplash/Artem Zhukov
Alagev destaca temas estratégicos para o desenvolvimento do setor
Alagev destaca temas estratégicos para o desenvolvimento do setor

Com um mercado que deve movimentar R$ 205,6 bilhões em 2026, alta de 5% sobre 2025, as viagens corporativas entram na agenda do próximo governo com desafios relacionados a infraestrutura, conectividade, tributação, custos e ambiente regulatório.

A projeção é do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), da FecomercioSP em parceria com a Alagev. A associação participa do projeto Vai Turismo, da CNC, que reúne entidades do setor na construção de propostas para o próximo ciclo de governo.

A partir desse cenário, a Alagev lista cinco desafios centrais para o futuro das viagens corporativas no País. Confira.

1. Desenvolvimento regional

A ampliação das viagens a negócios para além dos principais centros econômicos depende da estruturação de novos polos capazes de receber empresas, profissionais e eventos. Entre as medidas estão direcionar investimentos em infraestrutura para regiões com potencial de desenvolvimento, facilitar o acesso do setor a linhas de crédito e estimular a ampliação da oferta de hospedagem, transporte e serviços. A integração entre políticas federais, estaduais e municipais também pode contribuir para conectar novos destinos aos centros de negócios e ampliar a circulação dos recursos gerados pelas viagens corporativas.

2. Mobilidade e conectividade

Reduzir o tempo e as dificuldades de deslocamento exige investimentos em infraestrutura e maior integração entre os diferentes modais. Na aviação, as propostas incluem modernizar aeroportos regionais, ampliar a conectividade entre cidades, criar condições para novas rotas e frequências e aperfeiçoar o ambiente regulatório e de concessões. A agenda inclui ainda a integração entre aeroportos, rodovias e sistemas de transporte urbano, principalmente em destinos nos quais o acesso terrestre ainda limita a realização de viagens de negócios.

3. Reforma Tributária

A implementação do novo sistema tributário terá reflexos sobre diferentes serviços que compõem uma viagem corporativa. Hotelaria e agências estão entre os segmentos submetidos a regimes específicos do Imposto de Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), o que exigirá atenção aos impactos sobre custos, créditos tributários e processos de contratação durante a transição.

“A Reforma Tributária não deve ser analisada apenas pela alíquota. Será necessário entender como cada serviço será tributado, quais créditos poderão ser aproveitados e como essas mudanças chegarão ao custo efetivo das viagens”, explica a presidente da entidade, Joyce Macieri.

PANROTAS / Emerson Souza
Joyce Macieri, da Alagev
Joyce Macieri, da Alagev

4. Iniciativas para o equilíbrio dos preços

O custo dos deslocamentos é um dos pontos de atenção para as empresas. Na aviação, a ampliação da oferta de voos passa por medidas como modernização e expansão da infraestrutura aeroportuária, fortalecimento da aviação regional, criação de condições para novas rotas, além dos custos do combustível de aviação e as tarifas que compõem a operação do setor. Na hotelaria e no transporte terrestre, linhas de crédito e incentivos a novos investimentos podem contribuir para ampliar a capacidade de atendimento, especialmente em destinos com menor oferta.

5. Sustentabilidade

A redução dos impactos das viagens também depende de políticas públicas que deem escala às iniciativas adotadas pelas empresas. Entre as propostas estão criar indicadores nacionais para mensurar os impactos ambientais do setor, estabelecer normas e certificações que permitam identificar fornecedores que adotam práticas sustentáveis e ampliar linhas de financiamento e incentivos para investimentos em eficiência energética, gestão de resíduos e redução de emissões.

“Um setor que movimenta mais de R$ 200 bilhões ao ano precisa ter seu peso econômico refletido nas políticas públicas. As viagens corporativas não podem aparecer na agenda do governo apenas quando se discute Turismo, porque passam por infraestrutura, aviação, tributação, mobilidade e desenvolvimento regional. O próximo governo terá a oportunidade de incorporar essa visão e criar condições para que esse mercado continue gerando negócios e movimentando diferentes atividades da economia”, conclui a executiva.


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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação