Beatrice Teizen   |   02/06/2026 11:55
Atualizada em 02/06/2026 11:56

Economia, IA e geopolítica: como as empresas devem se preparar para o novo cenário

Economistas e advogado especialista em tecnologia trazem temas em painel do SAP Concur Fusion Exchange

PANROTAS / Filip Calixto
Os economistas Pedro Malan e Eduardo Giannetti em painel com a jornalista Mari Palma
Os economistas Pedro Malan e Eduardo Giannetti em painel com a jornalista Mari Palma

As transformações na economia global, os impactos da tecnologia e os desafios para empresas e governos pautaram um debate entre os economistas Pedro Malan e Eduardo Giannetti, com participação do advogado e especialista em Tecnologia Ronaldo Lemos, durante o SAP Concur Fusion Exchange, nesta terça-feira (2), em São Paulo.

A principal mensagem do painel foi que empresas precisarão rever suas estratégias em um cenário marcado pelo fim da chamada hiperglobalização, maior peso da geopolítica nas decisões de negócios e avanços acelerados da inteligência artificial.

Segundo Giannetti, o mundo está encerrando um ciclo iniciado nos anos 1980, caracterizado pela expansão acelerada do comércio internacional e das cadeias globais de produção.

"Vivemos um processo muito acelerado de globalização que começou em 1980 e termina agora. Hoje, a geopolítica passou a ter um peso muito maior nas decisões econômicas. O fim da hiperglobalização é aquilo a que precisamos prestar atenção"

Eduardo Giannetti, economista e professor

Para o economista, a nova configuração global pode criar oportunidades para o Brasil e para a América Latina, especialmente em um contexto de reorganização das cadeias produtivas e busca por novos parceiros comerciais. No entanto, o País ainda precisa enfrentar desafios estruturais.

"Temos vulnerabilidades importantes, como educação, infraestrutura e a questão fiscal. Mas somos geopoliticamente um país extraordinariamente bem resolvido, sem conflitos e com uma enorme dotação de recursos naturais. O fim da hiperglobalização nos dá uma condição especial para repensar como estamos inseridos no mundo", pondera.

Malan, ministro da Economia do Brasil de 1995 a 2002, destacou que o aumento da complexidade exige que lideranças empresariais ampliem o horizonte de análise para além dos resultados imediatos.

"Cabe aos CEOs, CFOs e suas equipes fazer uma análise cuidadosa das relações entre risco, certeza e lucratividade das operações. O mundo parece mais incerto e perigoso, mas é preciso compatibilizar essas variáveis e construir estratégias que considerem o curto, o médio e o longo prazo"

Pedro Malan, economista e ex-ministro da Economia do Brasil

O ex-ministro lembrou ainda que eventos recentes, como a pandemia de covid-19 e a rápida disseminação da inteligência artificial generativa, evidenciaram a vulnerabilidade das cadeias globais e aceleraram mudanças que antes pareciam distantes.

IA como nova infraestrutura

Ao abordar o impacto da inteligência artificial, o advogado Ronaldo Lemos afirmou que a tecnologia pode representar uma transformação comparável à eletricidade ou à própria internet.

"Na visão de muitos líderes do setor, a IA será a nova eletricidade. Quando ela não estiver disponível, nossas atividades também serão paralisadas, porque estaremos conectados a uma infraestrutura de inteligência", diz.

Lemos chamou atenção para a rápida evolução dos chamados agentes de IA, capazes de executar tarefas completas com pouca intervenção humana.

PANROTAS / Filip Calixto
Ronaldo Lemos, advogado especialista em Tecnologia
Ronaldo Lemos, advogado especialista em Tecnologia

"Já estamos vivendo uma revolução dentro da revolução da IA, que começou em 2023. Cada vez mais, as pessoas trabalharão não apenas com outras pessoas, mas também com agentes de inteligência artificial, que funcionarão como colegas de trabalho", exemplifica.

Apesar do entusiasmo do mercado, Eduardo Giannetti ponderou que ainda há dúvidas sobre o retorno econômico que justificará os trilhões de dólares investidos em IA.

"Será que haverá retorno econômico para justificar toda essa valorização ou estamos diante de uma bolha monumental?", questionou o economista.

Lemos reconheceu o risco, mas destacou que a aposta do mercado está baseada no potencial de ganhos de produtividade e na democratização do acesso à inteligência.

"O prêmio é muito grande. Se essa camada de inteligência realmente se tornar abundante, o aumento de produtividade pode beneficiar toda a economia", concluiu o advogado, ponderando que o retorno seria inestimável.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação