Beatrice Teizen   |   27/08/2026 11:21

Economia brasileira impõe desafios às viagens corporativas; veja dicas para TMCs

Guilherme Dietze, economista da FecomercioSP, mostra cenário atual e como as agências devem navegar


PANROTAS / Filip Calixto
Guilherme Dietze, da FecomercioSP
Guilherme Dietze, da FecomercioSP

O cenário econômico brasileiro deve exigir mais atenção das empresas nos próximos meses, especialmente diante dos juros elevados, do crédito mais caro e do aumento da inadimplência entre consumidores e companhias. A avaliação é do economista da FecomercioSP, Guilherme Dietze, durante o 12º Fórum Corporativo Abracorp, nesta quinta-feira (27), em São Paulo.

Segundo o especialista, o Brasil continua crescendo, mas em uma estrutura econômica mais frágil. O nível de endividamento das famílias limita a capacidade de consumo, enquanto as companhias também enfrentam dificuldades financeiras. Entre as pessoas jurídicas, o volume de crédito em atraso chegou a R$ 86 bilhões em junho, com a inadimplência concentrada principalmente nas pequenas e médias empresas.

De acordo com Dietze, os juros elevados são um dos principais obstáculos para corporações que precisam investir e também pressionam o consumidor. O resultado é uma economia que ainda apresenta crescimento, mas em ritmo mais baixo e com menor espaço para expansão.

Viagens corporativas ainda crescem

Apesar do cenário mais desafiador, o setor de viagens corporativas mantém desempenho positivo. Segundo os dados apresentados por Dietze, o segmento registrava crescimento de 5% em junho, na comparação com o mesmo período de 2025. A expectativa é que o mercado encerre o ano com alta próxima de 5% e movimentação superior a R$ 200 bilhões.

“O crescimento, no entanto, acontece em um ritmo mais moderado. As empresas continuam viajando, mas estão mais atentas aos gastos com passagens aéreas, hospedagem, locação de veículos e outros serviços que compõem as viagens corporativas”

Guilherme Dietze, economista da FecomercioSP

Nesse cenário, o executivo recomenda que as TMCs concentrem esforços naquilo que conseguem controlar: a eficiência da própria operação. Para ele, diante das incertezas econômicas e geopolíticas, as empresas precisam "olhar para dentro" e fazer o dever de casa para melhorar sua competitividade.

Dicas do economista para as TMCs

  • Buscar produtividade e estratégia: revisar processos e a operação para ganhar eficiência e fazer melhor uso dos recursos disponíveis;
  • Aplicar IA: utilizar a inteligência artificial como ferramenta para aumentar a produtividade, agilizar demandas e tornar os processos mais eficientes;
  • Conhecer melhor o cliente: entender o perfil e as necessidades de cada empresa para buscar opções mais adequadas de passagens, hospedagem e demais serviços;
  • Ganhar velocidade: em um cenário de maior controle sobre despesas, responder rapidamente às demandas dos clientes pode se tornar um diferencial;
  • Cuidar do caixa: o controle financeiro ganha importância em um ambiente de juros elevados e diante das mudanças que virão com a reforma tributária, incluindo o split payment, que deverá alterar o fluxo de pagamento de tributos e fornecedores.


“A resposta das empresas ao cenário atual não está em tentar controlar fatores externos, mas em fortalecer a própria operação. Não conseguimos mudar o mundo, mas, enquanto isso, é possível ter mais eficiência e competitividade dentro dos próprios negócios", conclui.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação