Beatrice Teizen   |   12/05/2026 18:10

Alta do QAV e tarifas aéreas pressionam gestão das viagens corporativas, analisa Voetur

Companhias revisam políticas de deslocamento em busca de mais previsibilidade e controle de gastos

Getty Images
Segundo a Voetur, aumento nos custos da aviação colocou a gestão das viagens na mira das áreas financeiras
Segundo a Voetur, aumento nos custos da aviação colocou a gestão das viagens na mira das áreas financeiras

As viagens corporativas seguem em alta no Brasil, mas o avanço do setor vem acompanhado de uma pressão crescente sobre os custos e a eficiência operacional das empresas.

Em um cenário de tarifas aéreas elevadas, oscilações econômicas e maior cobrança por produtividade, companhias passaram a revisar políticas de deslocamento e a tratar viagens a negócios como uma operação estratégica, e não apenas logística.

Dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, mostram que o setor movimentou R$ 17 bilhões em fevereiro, alta de 9,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e recorde histórico para o mês.

Ao mesmo tempo, o aumento nos custos da aviação colocou a gestão das viagens na mira das áreas financeiras. Uma pesquisa também da Alagev aponta que 96% dos gestores já perceberam aumento nas tarifas aéreas após a alta do querosene de aviação (QAV).

Segundo a Voetur Viagens, o cenário acelerou uma mudança no comportamento das empresas, que passaram a buscar mais previsibilidade, controle e inteligência sobre os deslocamentos corporativos.

“Durante muito tempo, as viagens corporativas foram tratadas apenas como despesa operacional. Hoje, elas passaram a ser observadas de perto pelas empresas porque qualquer falta de controle impacta diretamente orçamento, produtividade e tomada de decisão. O mercado está sendo pressionado a transformar viagens em uma operação mais estratégica e orientada por dados”

Humberto Cançado, sócio-diretor na Voetur Viagens

Além do aumento do combustível, fatores como instabilidade internacional, flutuação cambial e mudanças operacionais das companhias aéreas também têm pressionado os custos do setor. De acordo com a Iata, o combustível representa entre 25% e 30% das despesas operacionais das aéreas.

Na prática, empresas passaram a rever desde antecedência de compra até fluxos de aprovação e cumprimento de políticas internas. O objetivo deixou de ser apenas economizar pontualmente e passou a envolver redução de desperdícios invisíveis, maior previsibilidade financeira e ganho de eficiência operacional.

PANROTAS / Emerson Souza
Humberto Cançado, da Voetur
Humberto Cançado, da Voetur

“Existe hoje uma preocupação muito maior em entender para onde o dinheiro está indo, quais deslocamentos realmente fazem sentido e como reduzir perdas operacionais ao longo da jornada. As empresas querem viajar melhor, com mais controle e menos desperdício”, completa.

Segundo a TMC, cresce também a busca por plataformas digitais capazes de centralizar reservas, aprovações, remarcações e acompanhamento de despesas em tempo real, reduzindo processos manuais e aumentando a visibilidade sobre os gastos corporativos.

Apesar da pressão sobre custos, a retomada de agendas presenciais segue impulsionando o mercado. Dados da Iata mostram que a demanda global por transporte aéreo continua em crescimento em 2026, especialmente em viagens internacionais e compromissos corporativos estratégicos.

Para a Voetur, o movimento indica uma transformação definitiva no setor: as viagens corporativas continuarão relevantes para os negócios, mas com foco crescente em eficiência, tecnologia e inteligência operacional.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação