Filip Calixto   |   06/03/2026 15:37
Atualizada em 06/03/2026 18:28

Turismo com menos de 30: nova geração de agentes de viagens ganha espaço

Como estes profissionais, com menos de 30 anos redesenham, a seu modo, a função; leia na Revista PANROTAS

A edição 1.613 da Revista PANROTAS foi publicada esta semana
A edição 1.613 da Revista PANROTAS foi publicada esta semana

Em um mercado frequentemente associado à experiência acumulada ao longo de décadas, ver uma nova geração de agentes de viagens começar a ganhar protagonismo no Brasil é estimulante e traz um ar novo para um setor desafiado por tecnologia, passageiros que “sabem tudo” e mudanças que não perguntam se podem entrar.

A PANROTAS garimpou em eventos, viagens e nas agências profissionais com menos de 30 anos – alguns ainda em formação, outros já à frente de equipes e com faturamentos expressivos – e que encontraram no Turismo não apenas uma profissão, mas um projeto de vida. Mas por que o Turismo está atraindo essa nova geração? O que mais chama atenção e quais os pontos de atenção para reter esses talentos tão entusiasmados com nossa indústria?

Multitelas, multinegócios

Com trajetórias diversas, esses jovens atuam em modelos variados: franquias, agências próprias, empresas familiares, lojas físicas, atendimento remoto e home office. Muitos chegaram ao Turismo quase por acaso; outros cresceram respirando o dia a dia do setor. Em comum, compartilham uma visão que mistura tecnologia, especialização e, sobretudo, atendimento humano como diferencial em um cenário cada vez mais digital.

Ao conversar com esses profissionais, fica claro que o agenciamento de viagens passa por uma transformação silenciosa. Mais do que vender passagens ou pacotes, eles se veem como consultores, curadores de experiências e gestores de expectativas. Em um tempo de excesso de informação, redes sociais e inteligência artificial, acreditam que o valor do agente está menos no preço e mais na confiança e na relação construída com o cliente.

A seguir, conheça as histórias de jovens agentes de viagens que ajudam a desenhar os novos caminhos do Turismo no País.

Rafaella Bodack (26 anos) | Azul Premier – Umuarama (PR)

A entrada de Rafaella Bodack no Turismo aconteceu quase por acaso. Enquanto trabalhava em uma transportadora que prestava serviços para uma companhia aérea, surgiu a oportunidade de abrir um CNPJ e vender passagens. Sem estrutura e atendendo literalmente em meio às caixas do local de trabalho, ela começou a construir sua carteira de clientes.

Arquivo Pessoal
Rafaella Bodack, da Azul Premiere
Rafaella Bodack, da Azul Premiere

O que a fez permanecer no setor foi o impacto humano do trabalho. Muitos de seus primeiros atendimentos foram para pessoas viajando de avião pela primeira vez, experiência que despertou um forte vínculo emocional com a profissão. Hoje à frente da Azul Premier, Rafaella atua com lazer e corporativo e já registra meses com faturamento acima de R$ 2 milhões, resultado que ela atribui principalmente à confiança construída com os clientes.

Para o futuro, aposta na especialização e na divisão da agência em áreas específicas, como corporativo, lazer e roteiros internacionais. Na sua visão, nichos como luxo, esportivo ou religioso devem ganhar força, mas sempre com um elemento central: a conexão humana que, segundo ela, nenhuma tecnologia substitui.

Gabriela Fernandes Martins (30 anos) - Luisa Camargo Viagens – Santos (SP)

Gabriela Fernandes Martins entrou no Turismo a convite de uma prima, dona da agência familiar. Pouco tempo depois do início da carreira, veio a pandemia - e com ela uma rotina marcada por cancelamentos, negociações e incertezas. O período difícil acabou consolidando sua decisão de permanecer na profissão.

Arquivo Pessoal
Gabriela Fernandes, da Luisa Camargo Viagens
Gabriela Fernandes, da Luisa Camargo Viagens

Hoje, Gabriela atua no segmento de lazer, oferecendo cruzeiros, passagens aéreas e experiências nacionais e internacionais. Mesmo com base física em Santos, seu atendimento é totalmente on-line, já que atualmente vive em Florianópolis. O modelo consultivo da agência privilegia relacionamento e indicações, em vez de divulgação massiva de promoções.

Para ela, o futuro do agente de viagens está na combinação entre estudo contínuo, tecnologia e atendimento personalizado. Mais do que intermediários, os profissionais tendem a se tornar curadores de experiências, capazes de traduzir o excesso de informações disponíveis para o cliente.

Kelvin Rudenas (30 anos) | CVC Bom Pastor – Campo Grande (MS)

Kelvin Rudenas começou no Turismo em 2016 como auxiliar administrativo da master franqueada da CVC em Mato Grosso do Sul. Sem conhecer o funcionamento do setor, passou a aprender gradualmente sobre a operação das agências e acabou migrando para áreas operacionais e comerciais.

Arquivo Pessoal
Kelvin Rudenas, da CVC Bom Pastor
Kelvin Rudenas, da CVC Bom Pastor

Em 2023 foi promovido a gerente de vendas e, no ano seguinte, abriu sua própria franquia da CVC. Hoje lidera a unidade CVC Bom Pastor e também atua como gerente geral da marca no Estado, conectando franqueados e franqueadora e ampliando sua visão estratégica do mercado.

Para Kelvin, o marketing se tornou um fator decisivo para a relevância do agente diante da concorrência das OTAs. Ainda assim, acredita que relacionamento e especialização continuam fundamentais - e vê nos cruzeiros um dos nichos mais promissores para os próximos anos.

Eloah Kurfis Oliveira (17 anos) | TDK Brasil Receptivo – São Paulo (SP)

Aos 17 anos, Eloah Kurfis Oliveira diz que não entrou no Turismo - nasceu dentro dele. Integrante de uma agência familiar especializada em receptivo, cresceu acompanhando o dia a dia da empresa e frequentando eventos do trade, como feiras e treinamentos de destinos.

Arquivo Pessoal
Eloah Kurfis Oliveira, da TDK Brasil Receptivo
Eloah Kurfis Oliveira, da TDK Brasil Receptivo

Hoje atua principalmente na área de receptivo da TDK Brasil, participando da logística de eventos, atendimento em aeroportos e suporte a grupos corporativos. Também começa a colaborar na expansão do setor emissivo da empresa, ampliando as frentes de atuação do negócio familiar.

Apesar da pouca idade, já convive com o exigente mercado corporativo e acredita que o futuro do agente continuará ligado ao atendimento humano. Para ela, a tecnologia deve ser uma aliada, mas não substitui o cuidado com os detalhes e a proximidade com o cliente.

Stefani Figueiredo Garcia dos Santos (29 anos) | Clube Turismo – São Vicente (SP)

Antes de ingressar no Turismo, Stefani construiu uma carreira de sete anos no setor bancário. O contato frequente com viagens pessoais fez com que amigos e conhecidos começassem a pedir dicas e orientações - algo que, com o tempo, se transformou em uma consultoria informal.

Arquivo Pessoal

Quando seu contrato no banco terminou, decidiu transformar essa atividade em profissão e se tornou franqueada da Clube Turismo, atuando em modelo home office. Hoje seu trabalho é fortemente consultivo, ajudando clientes a filtrar o grande volume de informações disponíveis na internet.

Para Stefani, a credibilidade é um dos maiores desafios para quem trabalha sem loja física. Por isso, defende estudo constante e responsabilidade ao escolher nichos de atuação, já que especialização significa também assumir maior compromisso com o cliente.

Valter da Luz Barcelos Filho (28 anos) | Clube Turismo – Cascavel (PR)

Formado em Engenharia Civil, Valter da Luz Barcelos Filho encontrou no Turismo uma forma de unir empreendedorismo e interesse pessoal por viagens. Ingressou no setor aos 22 anos, com apoio da família, e passou a desenvolver o negócio em conjunto com os pais.

Arquivo Pessoal
Valter da Luz Barcelos Filho empreende com o pai e a mãe na Clube Turismo Cascavel
Valter da Luz Barcelos Filho empreende com o pai e a mãe na Clube Turismo Cascavel

Ele iniciou a trajetória pouco antes da pandemia, mas conseguiu transformar o desafio em oportunidade. Em menos de dois anos tornou-se master franqueado da Clube Turismo no Paraná e, posteriormente, também em Santa Catarina, liderando a expansão da marca nos dois Estados.

Para Valter, o futuro do agenciamento depende de equilíbrio entre tecnologia e relacionamento. Ferramentas digitais fazem parte da rotina, mas ouvir o cliente e criar vínculo continuam sendo fatores decisivos para construir confiança.

Luana Lopes (25 anos) | Atterrize Travel – São Leopoldo (RS)

A trajetória de Luana Lopes no Turismo começou de forma inesperada. Técnica em agropecuária, trabalhava em uma clínica veterinária quando foi convidada a ajudar uma agência a reativar clientes antigos. O contato com viagens internacionais despertou um interesse que rapidamente se transformou em carreira.

Arquivo Pessoal
Luana Lopes, da Atterrize Travel
Luana Lopes, da Atterrize Travel

Hoje atua no Turismo de lazer, oferecendo pacotes completos com passagens, hospedagem, passeios e assessoria documental. Ao longo da carreira também participou de treinamentos em parques e resorts, ampliando seu repertório para orientar melhor os clientes.

Luana acredita que a presença digital é essencial no agenciamento atual, já que o passageiro busca respostas rápidas e consome informações em várias plataformas. Para o futuro, planeja estruturar uma equipe e abrir uma loja física, mantendo o atendimento próximo como marca do seu trabalho.

Ianan Della Preia Ribeiro (29 anos) | Nomada Travel – Caxias do Sul (RS)

Formada em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul, Ianan iniciou sua carreira no setor público, passando pela Secretaria de Turismo e pelo Convention & Visitors Bureau da cidade. Posteriormente ingressou no agenciamento, migrou para o mercado de intercâmbios e retornou às agências após a pandemia.

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Ianan Della Preia Ribeiro, da Nomada Travel
Ianan Della Preia Ribeiro, da Nomada Travel

Em 2023 decidiu dar um passo maior e abriu sua própria empresa, a Nomada Travel, ao lado de dois sócios. Hoje atua exclusivamente no Turismo de lazer, acompanhando o cliente desde o planejamento até o pós-viagem.

Para ela, a atualização constante é indispensável diante das mudanças em documentação, regras de entrada e produtos turísticos. Mesmo com o avanço da tecnologia, acredita que o atendimento humanizado continuará sendo o grande diferencial do agente de viagens.

Margarida Pessoa (28 anos) | Essenciale Viagens – João Pessoa (PB)

Natural de Jacaraú (PB), Margarida Pessoa sempre teve interesse por idiomas e culturas diferentes. A graduação em Turismo foi uma escolha natural, e o primeiro estágio em uma agência de viagens acabou definindo sua trajetória profissional.

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Margarida Pessoa, da Essenciale Viagens
Margarida Pessoa, da Essenciale Viagens

Hoje atua na Essenciale Viagens com roteiros nacionais e internacionais, trabalhando tanto com produtos prontos quanto com viagens personalizadas. Mesmo quando parte de um pacote estruturado, o foco está em adaptar a experiência às expectativas e ao perfil do cliente.

Participação em visitas técnicas, famtours e treinamentos ampliou seu repertório profissional. Para Margarida, o futuro do agente está cada vez mais ligado ao papel de consultor, especialmente em segmentos que valorizam curadoria e personalização, como o Turismo de luxo.

Thaina Dias (30 anos) | Dias Navega – São Paulo (SP)

Thaina Dias construiu sua carreira já em um ambiente altamente digital, operando sua agência em modelo home office. As ferramentas on-line ampliam o alcance do negócio, mas ela faz questão de manter proximidade com os clientes, inclusive encontrando muitos deles pessoalmente.

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Thaina Dias, da Dias Navega
Thaina Dias, da Dias Navega

Essa relação se intensifica principalmente no trabalho com grupos de cruzeiros. Em alguns casos, Thaina acompanha os passageiros até o porto e participa do embarque, criando uma experiência de maior segurança e proximidade.

A especialização em cruzeiros temáticos se tornou seu principal nicho. Shows, festivais e experiências a bordo atraem públicos apaixonados por determinados artistas ou estilos musicais, transformando a viagem em um evento emocional. Para ela, nichar é a forma mais eficaz de construir autoridade em um mercado cada vez mais competitivo.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes