Karina Cedeño   |   02/09/2026 17:00
Atualizada em 02/09/2026 17:42

DNA de Agente: Tech Tur nasceu vendendo títulos de hotel e hoje é especialista em grupos

Agência de viagens de Bauru (SP) transforma uma história familiar em negócios e parcerias


Nesta quarta-feira (02), PANROTAS e Sakura Consolidadora apresentam mais uma agência da seção “DNA de Agente”. Desta vez, a história é da Tech Tur, que começou há 30 anos, de maneira pouco convencional.

O nome da agência parece estar relacionado à tecnologia, mas vem, na verdade, de um sobrenome. A família Tech deu ao negócio não apenas sua identidade, como também uma trajetória compartilhada por pai, mãe e dois filhos que ainda estão na operação da empresa.

Valdir Tech, na época funcionário do Banespa (hoje Santander), vendia aos colegas o Banstur, título que dava direito a sete dias por ano em hotéis conveniados da rede. O cliente comprava o título, fazia a reserva e, se precisasse de passagem aérea ou outro serviço, buscava uma agência de viagens.

Foi observando essa necessidade que Valdir percebeu que havia espaço para ampliar seus negócios. É por isso que em 10/09/1997, ele fundou a Tech Tur na cidade de Bauru (SP) para atender os clientes que precisavam de outros serviços e produtos (como voos e passeios), além dos títulos de hospedagem que vendia.

Na época, ele trabalhava à noite no banco e, durante o dia, se dedicava à agência. Com o passar do tempo, a esposa, Carmem, e os filhos, Rogers e Renan, também entraram no negócio.

Arquivo pessoal
Valdir, Carmem, Renan e Rogers Tech. A família está na base da história da agência
Valdir, Carmem, Renan e Rogers Tech. A família está na base da história da agência

“A agência funcionou dentro do Bauru Shopping durante dez anos. Chegamos a ter mais três funcionários e, hoje, a Tech Tur é muito conhecida na cidade”, conta Rogers Tech. Depois de sair do shopping, a agência passou a operar na Rua Engenheiro Alpheu José Ribas Sampaio, na Galeria Trianon.

A empresa mantém até hoje uma estrutura essencialmente familiar. “Eu e meu irmão Renan estamos à frente da operação diária, enquanto meus pais permanecem como o apoio ao negócio”, comenta.

Rogers considera importante ter mantido a agência física em um mercado que passou por uma transformação acelerada com a internet e, posteriormente, com a pandemia.

Para ele, a agência de rua ainda tem um papel importante, principalmente pela possibilidade de manter o contato direto com o cliente. “A loja de rua, que é o que nós sempre fomos, é algo essencial”.

A operação, entretanto, não ficou presa ao modelo tradicional. O atendimento também migrou para o digital e hoje muitos clientes resolvem toda a viagem pelo WhatsApp.

O resultado é uma operação híbrida, em que a presença física convive com o atendimento humano e presencial. É uma característica que, segundo Rogers, faz parte do jeito de trabalhar da família.

Não temos um horário de trabalho engessado. Se precisarmos atender fora do horário, a gente atende. E isso faz parte do nosso perfil, pois não temos preguiça de trabalhar

Rogers Tech

A internet muda o cliente, mas a experiência ainda faz diferença

Divulgação
Rogers Tech e Renan Tech: os irmãos estão à frente da operação diária da agência
Rogers Tech e Renan Tech: os irmãos estão à frente da operação diária da agência

Rogers conta que a transformação digital mudou o perfil dos clientes. “Vejo que hoje eles estão mais exigentes, principalmente por conta de tudo o que a internet oferece de informação. Muitos deles chegam na agência achando que sabem mais do que nós, mas às vezes não têm a vivência que o agente de viagens tem”, opina Rogers.

“Como temos a Tech Tur há 30 anos, já viajamos por quase todo o Brasil e também para muitos lugares fora do País. Conhecemos os destinos que vendemos, o que é muito diferente de ter lido ou ouvido falar sobre eles”

Rogers Tech

A expertise dos agentes também fica evidente para os clientes que só enxergam o preço. “Hoje o cliente quer pagar pouco e ter muito, mas ele não observa o horário do voo, se há conexão e outros detalhes que podem mudar completamente uma viagem”, afirma.

Para ele, o papel dos agentes não é só o de vender, mas também o de ajudar o passageiro a entender aquilo que uma busca rápida na internet nem sempre revela.

Os grupos como carro-chefe

Arquivo pessoal
Grupo com 46 passageiros da Tech Tur que visitaram Escócia, Londres, Irlanda e Inglaterra
Grupo com 46 passageiros da Tech Tur que visitaram Escócia, Londres, Irlanda e Inglaterra

Se a agência começou vendendo hospedagem, foi nos grupos que ela encontrou sua principal vocação. A Tech Tur trabalha com grupos há aproximadamente 20 anos e o carro-chefe são os com destino à Europa. Mas os roteiros são realizados em diferentes regiões do mundo.

“Nós levamos, em média, quatro ou cinco grupos por ano. Acabamos de montar, por exemplo, um roteiro que passou por Escócia, Inglaterra, Irlanda e Londres. Mas já levamos grupos para praticamente o mundo todo: Turquia, China, Europa, Estados Unidos... O- único destino que falta é o Japão, que estamos programando para o ano que vem”

Rogers Tech

O acompanhamento dos grupos por um guia especializado é, aliás, um dos pontos centrais da agência. A proposta é ir além do acompanhamento convencional, mantendo uma presença próxima ao grupo durante toda a viagem. Outro diferencial, segundo Rogers, é o fato de o relacionamento com o passageiro começar muito antes da viagem,

“Cerca de um mês antes do embarque, a agência reúne os participantes dos grupos para que eles se conheçam e recebam informações e dicas sobre o destino. Eles já embarcam com tudo certinho”, comentou Rogers.

Vender o mais caro nem sempre é o melhor

Apesar de o objetivo comercial ser indispensável para a sobrevivência da agência, Rogers diz que a empresa não trabalha simplesmente com o objetivo de empurrar para o cliente o produto de maior valor.

“Eu não passo a ele o produto mais caro, mas sim o que vai agradá-lo. Às vezes, eu poderia vender algo com o valor mais alto, mas sei que outro produto de valor mais em conta agregará mais. Não queremos só vender preço”, complementou o executivo

Confiança com o passageiro e o fornecedor

Arquivo pessoal
Família Tech: Rogers, Valdir, Carmem e Renan
Família Tech: Rogers, Valdir, Carmem e Renan

O mesmo princípio de confiança usado com os passageiros se aplica aos fornecedores. A Tech Tur trabalha com um número restrito de parceiros e valoriza, principalmente, aqueles com quem consegue manter contato direto.

“São equipes com as quais conseguimos ter contato fora do horário. Se der algum problema durante a viagem, conseguimos conversar com eles diretamente pelo celular e sempre nos dão suporte. Sabemos que uma operadora é boa quando se torna um contato de confiança em caso de problemas”

Rogers Tech

Como exemplos de bons parceiros, ele cita Clayton Araújo, da Europamundo. “Ele sempre nos ajuda e nos dá um suporte muito grande”. Ary Xavier, da Visual Turismo, é outro exemplo. “Além de um grande amigo, é um grande parceiro que nos dá muito respaldo”, completa.

Entre suas grandes parceiras, a Tech Tur cita Abreu, Azul Viagens, BestBuy, Europamundo, FRT, Orinter, Visual Turismo, entre outras. No que se refere às consolidadoras, a agência é mais próxima da Flytour e da Sakura.

O digital tirou a Tech Tur da zona de conforto

Rogers Tech conta que as redes sociais passaram a ocupar um espaço importante na estratégia da empresa. Durante muitos anos, a agência publicava fotos dos destinos. Depois, começou a produzir vídeos.

“De um tempo para cá, começamos a fazer vídeos para nossas redes sociais, falando sobre os roteiros e grupos, e isso aumentou a nossa visibilidade no mercado. Há pessoas que nem nos conheciam e passaram a entrar em contato depois de assistir aos vídeos”, contou ele.

“Isso é bom para sair um pouco da zona de conforto, fazer algo diferente. Você tem que nadar conforme a maré e fazer as coisas de acordo com o que o mercado exige”, comenta.

Crescer sem abrir filiais

Apesar do alcance cada vez maior, a agência de viagens não pretende seguir o caminho tradicional de expansão por meio de filiais ou franquias.

“Nós não pensamos nisso. Somos da opinião de que se você não cuidar daquilo que é seu, ninguém vai cuidar igual. Então, nunca deixamos a nossa agência nas mão de funcionários, porque sabemos que eles jamais irão cuidar da empresa como nós cuidamos. Mas, sim, estamos sempre atentos a novos produtos e oportunidades que forem aparecendo, sempre voltados a grupos”, disse.

Trinta anos de Turismo e ainda há o que aprender

Arquivo pessoal
Rogers Tech, Giovanna Tech e Ana Luiza Tech em viagem para a Disney realizada em abril de 2026
Rogers Tech, Giovanna Tech e Ana Luiza Tech em viagem para a Disney realizada em abril de 2026

Rogers começou a trabalhar com o pai aos 15 anos e, hoje, aos 45, já tem cerca de três décadas de experiência no setor. “Mesmo assim, ainda tem muita coisa que eu não sei. E o que eu não sei, vou perguntar, me informar, não tenho vergonha de falar que eu não entendo sobre determinado assunto, pois vou atrás da informação”, afirma.

E qual conselho ele daria para quem está começando no Turismo? "Ser honesto, trabalhar corretamente e, principalmente, não mentir para o seu cliente. Se tiver que perder a venda, você perde, mas nunca minta para ele. A verdade vem em primeiro lugar. É assim que você cativa o seu cliente”.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.