Cuba anuncia suspensão do fornecimento de combustível para aviação
Governo permitiu que qualquer entidade importe petróleo para amenizar a grave situação no país

Cuba vai suspender o fornecimento de querosene para aviação em todos os seus aeroportos internacionais a partir desta semana, em meio ao agravamento da crise energética no país. Companhias aéreas que operam na ilha foram notificadas sobre a falta de combustível, segundo informações das agências internacionais de notícias France-Presse (AFP) e EFE.
De acordo com a EFE, o governo cubano emitiu um aviso oficial do tipo Notam (aviso aos aviadores) informando que o combustível de aviação Jet A1 não estará disponível em nenhum aeroporto internacional do país entre amanhã (10) e quarta-feira (11). A notificação foi enviada a pilotos e controladores e consta também na base de dados da FAA (Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos).
A suspensão afeta aeroportos estratégicos, como José Martí, em Havana, Varadero, Santa Clara, Camagüey, Holguín e Santiago de Cuba, entre outros, o que pode provocar alterações em rotas, frequências e horários de voos internacionais. Até o momento, companhias aéreas - principalmente dos Estados Unidos, Espanha, Panamá e México - não informaram oficialmente como pretendem lidar com a situação.
Segundo a AFP, a medida é consequência direta da escassez de petróleo enfrentada por Cuba após a interrupção do fornecimento venezuelano. O bloqueio ocorreu depois que os EUA capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e passaram a impedir o envio de combustíveis ao país caribenho. Além disso, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem que prevê tarifas contra países que exportarem petróleo para Cuba.
A crise já tem reflexos no cotidiano da população, segundo apontam agências de notícia. Nos últimos dias, Cuba chegou a registrar apagões em larga escala.
Diante do cenário, o governo anunciou medidas emergenciais de racionamento. O ministro do Comércio afirmou que o combustível disponível será priorizado para serviços essenciais, como saúde, defesa, abastecimento de água e distribuição de alimentos. Os setores agrícola e turístico também estão entre as prioridades.
Já o ministério dos Transportes declarou que, apesar da falta de querosene, os voos nacionais e internacionais seguem mantidos, enquanto o governo busca alternativas logísticas. Em crises anteriores, companhias aéreas chegaram a adaptar rotas com escalas extras para reabastecimento em países como México e República Dominicana.
Para tentar contornar o bloqueio energético, o governo cubano anunciou a descentralização da importação de combustíveis, permitindo que qualquer entidade com capacidade financeira possa importar petróleo. Também foram prometidos investimentos adicionais em energia solar e a manutenção da geração de eletricidade.