Filip Calixto   |   10/02/2026 18:21

Cuba suspende reabastecimento de aeronaves e amplia impacto da crise energética

Medida afeta aeroportos estratégicos, provoca suspensão de voos e pode criar um efeito cascata na região


Divulgação/Inframérica
Avisos emitidos no dia 8 de fevereiro informam que o querosene de aviação não estará disponível em ao menos nove aeroportos cubanos, incluindo o Aeroporto Internacional José Martí, em Havana
Avisos emitidos no dia 8 de fevereiro informam que o querosene de aviação não estará disponível em ao menos nove aeroportos cubanos, incluindo o Aeroporto Internacional José Martí, em Havana

A crise energética em Cuba ganhou um novo capítulo nesta semana. O governo cubano comunicou oficialmente às companhias aéreas e pilotos de que não haverá combustível suficiente para o reabastecimento de aeronaves em aeroportos da ilha, ampliando os efeitos do racionamento de energia que já afeta diversos setores daquele país.

Avisos emitidos no dia 8 de fevereiro informam que o querosene de aviação não estará disponível em ao menos nove aeroportos cubanos, incluindo o Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, entre hoje (10) e amanhã (11). A medida atinge terminais estratégicos e pode provocar alterações em rotas, escalas e frequências de voos internacionais.

A decisão foi comunicada por meio de avisos operacionais às companhias e representa um movimento incomum até mesmo para um país historicamente acostumado a restrições energéticas. Um piloto ouvido pela publicação afirmou que, embora dificuldades pontuais de reabastecimento já tenham ocorrido no passado, um anúncio oficial dessa dimensão é considerado "extraordinário".

A escassez de combustível é resultado direto do endurecimento das sanções dos Estados Unidos. A pressão política do presidente norte-americano Donald Trump sobre a América Latina praticamente interrompeu o acesso de Cuba às suas principais fontes de petróleo, especialmente Venezuela e México. No fim de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que impõe tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo à ilha.

O impacto sobre a aviação internacional já começou a ser sentido. Na segunda-feira (9), a Air Canada anunciou a suspensão de voos para Cuba. Outras companhias passaram a operar com atrasos ou a incluir escalas técnicas para reabastecimento em países como República Dominicana e México antes de seguir para Havana. Em crises anteriores, aeronaves com destino à Europa chegaram a reabastecer em Nassau, nas Bahamas, enquanto companhias regionais optavam por decolar com combustível extra.

Divulgação
Outras companhias passaram a operar com atrasos ou a incluir escalas técnicas para reabastecimento em países como República Dominicana e México antes de seguir para Havana
Outras companhias passaram a operar com atrasos ou a incluir escalas técnicas para reabastecimento em países como República Dominicana e México antes de seguir para Havana

Embora voos regionais de curta distância possam sofrer menos impacto imediato, rotas de longa distância - como as provenientes do Canadá e da Rússia - enfrentam desafios logísticos relevantes. O problema atinge diretamente o Turismo, um dos principais pilares da economia cubana, que já chegou a gerar cerca de US$ 3 bilhões por ano e funciona como uma importante fonte de divisas para o país.

A crise do combustível também se reflete no cotidiano da população. O governo anunciou a redução do horário de funcionamento dos bancos e a suspensão de eventos culturais. Em Havana, o sistema de transporte público praticamente parou, deixando moradores sem alternativas de deslocamento em meio a apagões frequentes e longas filas para abastecimento.

Eventos cancelados ou suspensos

Grandes eventos, como a Feira Internacional do Livro de Havana, foram suspensos, e a temporada nacional de beisebol passou por uma reestruturação para reduzir custos. Empresas distribuidoras informaram que deixaram de vender gasolina em pesos cubanos, passando a comercializar o combustível apenas em dólares, com limite de 20 litros por usuário.

As medidas se somam a outras anunciadas no início de fevereiro, incluindo cortes no transporte rodoviário e redução de partidas de trens. Em pronunciamento televisivo de duas horas no dia 5 de fevereiro, o presidente Miguel Díaz-Canel reconheceu a gravidade da situação e afirmou que novas ações emergenciais seriam adotadas.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes