Reforma tributária: Abear volta a alertar para impacto anual de R$ 8,4 bilhões no setor aéreo
Segundo associação, alta dos tributos pode levar a uma queda na demanda doméstica de 5% a 6,2%

A operação das companhias aéreas pode ser fortemente afetada pela reforma tributária. O novo alerta foi feito pelo gerente de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Renato Rabelo, na reunião do Conselho Nacional do Turismo (CNT), realizada hoje (16), em São Paulo.
A carga de impostos incidente sobre a receita líquida dos voos domésticos pode passar dos atuais 8,3% para 27%. Já no transporte internacional, a carga estimada sairia dos atuais 1,7% para 14%. No agregado, o aumento da carga do transporte regular de passageiro seria superior a três vezes. O impacto estimado chega a R$ 8,4 bilhões por ano, elevando de forma estrutural e permanente o custo de voar.
“Este custo precisará ser absorvido de alguma forma, seja pelo aumento no preço da passagem nas rotas que conseguirem suportar, seja pela descontinuidade do serviço em localidades de baixa demanda e mais sensíveis a custo", disse o gerente Renato Rabelo.
Ainda segundo a Abear, essa alta dos tributos pode levar a uma queda na demanda doméstica de 5% a 6,2%, de acordo com estudo contratado pela Abear à LCA Consultoria Econômica. Isso equivaleria a uma redução de 4,1 milhões a 5,1 milhões de passageiros.
“Se nada for feito, a tendência natural nos próximos anos é a de concentração de rotas domésticas e internacionais na região Sudeste, com forte impacto para a cadeia do turismo que depende da aviação regional”
Renato Rabelo, gerente de Relações Institucionais da Abear
As novas regras tributárias, previstas para 2027, passarão a valer em meio a outra variável que afeta a indústria de aviação há seis meses: o choque do combustível de aviação (QAV). Com alta acumulada de 70% desde fevereiro e impacto de R$ 6,3 bilhões na despesa das companhias com o insumo em razão da guerra no Oriente Médio, a programação doméstica de setembro já está 2,5% abaixo do previsto em março.