Aviação global entra em novo ciclo estrutural de crescimento após recuperação da pandemia
No recorte brasileiro, os dados mostram que o País não apenas acompanha, mas reforça essa dinâmica global

Depois da crise sem precedentes provocada pela pandemia, a aviação mundial não apenas se recuperou, mas entrou em um novo ciclo estrutural de crescimento. Dados recentes de Iata, ACI-LAC e demais entidades ligadas ao setor sobre fluxo de passageiros e receitas da indústria aérea indicam que o setor alcançou um novo patamar histórico, consolidando seu papel como eixo central da conectividade global.
O volume de passageiros aéreos no mundo ilustra com clareza essa virada. Em 2019, último ano antes da crise sanitária, o setor transportou cerca de 4,5 bilhões de pessoas. A partir da retomada gradual das viagens, o crescimento levou o mercado a ultrapassar a marca de 9,8 bilhões de passageiros em 2025.

Com projeções ainda mais elevadas em 2026, o movimento é tratado como a consolidação de um novo nível estrutural de uso do transporte aéreo. O avanço envolve fatores como a retomada do turismo internacional, a maior integração econômica entre regiões e o papel cada vez mais estratégico da aviação como infraestrutura essencial para cadeias globais de valor, negócios e mobilidade de pessoas.
Brasil acompanha e reforça a tendência

No recorte brasileiro, os dados mostram que o País não apenas acompanha, mas reforça essa dinâmica global. Após a forte retração observada no período pós-pandemia, o número de passageiros internacionais voltou a crescer de forma consistente a partir de 2023.
Em 2024 e 2025, por exemplo, Brasil registra recordes sucessivos no fluxo internacional, refletindo a ampliação da conectividade aérea e o fortalecimento da malha de voos para destinos estratégicos. O desempenho está ligado à retomada do Turismo receptivo, ao aumento de assentos em rotas internacionais e à expansão do papel do Brasil como hub relevante para viagens de lazer e negócios na América Latina.
Crescimento com maturidade econômica

Além do aumento no número de passageiros, a evolução das receitas reforça a leitura de um setor mais sólido e maduro. As projeções indicam que a indústria aérea global deve ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em faturamento, resultado associado a ganhos de eficiência operacional, melhor gestão de capacidade, uso mais intensivo de tecnologia e modelos de negócios mais resilientes.
Esse crescimento financeiro sugere um setor mais preparado para enfrentar desafios históricos, como volatilidade de custos, exigências ambientais, pressões regulatórias e necessidade de investimentos constantes em frota e infraestrutura. Ao mesmo tempo, aponta para uma aviação mais disciplinada do ponto de vista econômico, com foco em rentabilidade e sustentabilidade de longo prazo.
Os dados e insights foram compartilhados por Tomé Franca, secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos.