Turismo perde R$ 90 bilhões e 727 mil empregos no Brasil em 3 meses

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Em três meses, a indústria de Viagens e Turismo perdeu quase R$ 90 bilhões em decorrência da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em março, quando foi decretada a pandemia de covid-19, o setor acumulou perda de R$ 13,38 bilhões em relação à média mensal de faturamento nos meses anteriores. A paralisia quase completa do Turismo nas semanas seguintes agravou esse cenário e fez com que o setor perdesse R$ 36,94 bilhões em abril e R$ 37,47 bilhões em maio, totalizando prejuízos na ordem de R$ 87,79 bilhões.

Dentro desse cenário, a CNC estima que 727,8 mil postos de trabalho podem ser eliminados no setor até o fim de junho. O presidente da confederação, José Roberto Tadros, diz que ainda não é possível prever uma mudança significativa na atual tendência de perdas do segmento.

Reprodução/CNC
José Roberto Tadros
José Roberto Tadros
“As ações já adotadas pelo governo federal, na forma de Medidas Provisórias voltadas para a preservação do emprego, permitem reduzir o impacto decorrente da queda expressiva do nível de atividade do setor”, ressalta Tadros. “Mas a extensão das perdas e dos danos no setor causados pela crise histórica que estamos vivendo vai exigir medidas adicionais para a preservação das empresas e dos empregos”, completa.

Ontem, diversos líderes do Turismo estiveram reunidos com o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), relator da MP do Emprego, a 936, para que o Senado aprove a extensão da mesma para ajudar na recuperação das empresas do setor. Há uma expectativa de votação ainda hoje. Se o Senado aprovar sem emendas, a MP vai direto para a assinatura do presidente Jair Boslonaro, que, via decreto, regularizaria essa ampliação do prazo da suspensão dos contratos de trabalho, com as regras contidas na medida provisória.
PERDAS REGIONAIS

Rio de Janeiro (R$ 12,48 bilhões) e São Paulo (R$ 31,77 bilhões), dois dos principais focos do coronavírus no Brasil, concentram mais da metade do prejuízo nacional estimado pela CNC para o setor. “Os aeroportos desses dois Estados registraram quedas de até 99% na oferta de transporte aéreo, em abril e maio. Esse ajuste ao novo patamar da demanda fez cair a taxa média de cancelamento nessas localidades, que chegou a superar 90% no fim de março”, destaca o economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes, acrescentando que a quantidade de voos confirmados em todo o País seguiu próxima ao piso histórico, registrando recuos expressivos em relação ao período anterior à pandemia (-94% em abril e -92% em maio).

Somente no final de junho e em julho as aéreas veem um movimento maior de demanda e já planejam aumentar a malha, como anunciado pela Gol e pela Azul esta semana.

Divulgação
Alexandre Sampaio
Alexandre Sampaio
Alexandre Sampaio, diretor da CNC responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da entidade, acrescenta: “É necessária a adoção de medidas econômicas mais audaciosas voltadas especificamente para o segmento do Turismo, de modo a minimizar os efeitos nocivos da recessão sobre os níveis de emprego e a capacidade de arrecadação tributária por parte do setor”.

EMPREGOS
Os setores de Hospedagem e Alimentação – responsáveis por quase 60% do emprego no Turismo – foram os que mais perderam postos formais de trabalho no bimestre março-abril.

Embora os dados oficiais sobre o impacto nas receitas do Turismo ainda sejam relativos ao mês de março, inegavelmente houve avanços da crise no setor, nos meses subsequentes. De acordo com o Índice de Atividade do Turismo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês em que foi decretada pandemia mundial, o volume de receitas do setor de serviços recuou 6,9%. No Turismo, a mesma pesquisa indica queda de 30% ante fevereiro, com destaque no mesmo período para as retrações nos serviços de alojamento e alimentação (-33,7%) e no transporte aéreo (-27,5%).
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No Turismo, historicamente, para cada retração mensal de 10% no volume de receitas, há uma destruição potencial de 97,3 mil postos de trabalho em até três meses. Assim, considerando a atual perda na capacidade de geração de receitas, já há um potencial de eliminação de 727,8 mil postos de trabalho no setor até o final de junho.

A confirmação desse potencial pode ser através dos dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Somente os subsetores de alojamento e alimentação fora do domicílio, responsáveis por mais da metade (57%) da ocupação no Turismo, eliminaram 211,7 mil postos formais de trabalho nos meses de março e abril deste ano acumulando no bimestre uma retração de sua força laboral celetista de 11,08%.

Observada a manutenção das perdas também no mês de maio, somente nestes segmentos, o primeiro trimestre da pandemia pode ter eliminado aproximadamente 350 mil empregos formais.
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