Destinos precisam equilibrar luxo, autenticidade e qualidade de vida; veja debate do WTTC
Sessão reuniu líderes da Unesco, Parlamento Europeu e indústria para falar sobre viagens de alto padrão

CANAL DE SUEZ (EGITO) – Com os gastos globais de visitantes internacionais ultrapassando US$ 2 trilhões em 2025, o Turismo de alto padrão está no centro das discussões da indústria global. Mais do que crescer em volume, destinos precisam agora encontrar formas de gerar experiências mais qualificadas, sustentáveis e conectadas às comunidades locais.
Esse foi o tema de um dos painéis do WTTC Leadership Cruise 2026, realizado a bordo do Crystal Serenity, durante travessia pelo Canal de Suez, no Egito. Em semana de ILTM Latin America, o debate reuniu Nikolina Brnjac, membro do Parlamento Europeu e ex-ministra do Turismo da Croácia; Dov Lynch, diretor de Relações Externas da Unesco; Mark Weingard, fundador da Iniala; e Elena Foguet, CMO Europa da The Bicester Collection.
Ao longo da sessão, os participantes defenderam que o futuro das viagens premium passa menos pela ostentação e mais por autenticidade, conexão cultural, experiências memoráveis e bem-estar, tanto para viajantes quanto para moradores locais.
Nikolina Brnjac destacou que os destinos precisam incluir as comunidades locais nas decisões relacionadas ao Turismo para evitar problemas ligados ao overtourism e garantir crescimento sustentável. “Se você não gerencia o desenvolvimento do Turismo e não inclui as comunidades locais desde o começo, terá problemas”, afirmou.
Segundo ela, o equilíbrio entre os pilares econômico, social e ambiental é essencial para que o Turismo fortaleça – e não consuma – os destinos.
Já Elena Foguet afirmou que felicidade e experiências memoráveis passaram a ocupar papel central nas viagens de alto padrão. Ela aponta que a indústria precisa olhar além da eficiência operacional e investir em conexões emocionais e experiências sem fricção. Afinal, “somos uma indústria de memórias", disse.
Destinos precisam entregar conexão
Dov Lynch, da Unesco, reforçou que o verdadeiro valor das viagens está na conexão humana e cultural proporcionada pelos lugares. “Não se trata apenas de serviços premium, mas de conexões premium com os lugares, as histórias e as comunidades”, afirmou.
De acordo com o executivo, destinos de alto valor precisam oferecer experiências autênticas, capazes de conectar visitantes à cultura local, à história, à música, à dança e às tradições vivas das comunidades.
Mark Weingard também destacou que “felicidade é a moeda do Turismo”, tanto para quem viaja quanto para quem recebe os visitantes. “Precisamos cuidar da felicidade dos moradores tanto quanto da dos turistas”, pontuou
Para o fundador da Iniala, a experiência premium começa já na chegada ao destino, especialmente em aeroportos e processos migratórios. “O mais importante é fazer o viajante se sentir bem-vindo”.
Os participantes do painel também reforçaram a necessidade de maior colaboração entre setores público e privado, algo sempre reforçado pelo próprio WTTC, para distribuir melhor os fluxos turísticos e ampliar o acesso dos visitantes a regiões além dos principais centros urbanos.
Elena usou Barcelona como exemplo. Segundo ela, que é nascida lá, apesar do excesso de turistas na cidade, poucos visitantes exploram os arredores, que oferecem vinhedos, paisagens naturais e experiências culturais de alto valor agregado.
“O viajante premium quer descobrir lugares diferentes e viver experiências autênticas. Mas isso exige trabalho conjunto e planejamento constante”, concluiu.
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