Painel do Tendências360 debate slow travel e nomadismo digital

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Com início nesta terça-feira (27), a segunda edição on-line do fórum Tendências360 debateu, em um dos painéis, como o slow travel e o nomadismo digital estão transformando o Turismo. O painel contou com a participação de Trícia Neves, sócia-fundadora da Mapie; Luísa Ferreira, idealizadora do blog Janelas Abertas; e Rafael Peccin, diretor de Marketing do Casa Hotéis.

Trícia Neves (Mapie), Rafael Peccin (Casa Hotéis) e Luísa Ferreira (Janelas Abertas)
Trícia Neves (Mapie), Rafael Peccin (Casa Hotéis) e Luísa Ferreira (Janelas Abertas)
Acelerado pela pandemia, o movimento slow travel (“viagem devagar”, em inglês) está estritamente relacionado à mudança na relação com o tempo. De acordo com os participantes, os viajantes que procuram esse tipo de viagem desejam escapar da rotina, se desconectar da correria e valorizar o momento. “Eu entendo que a viagem tem o objetivo de transformar o tempo das pessoas”, disse Trícia Neves.

Para Luísa Ferreira, quem procura o slow travel está querendo escapar da obsessão pela produtividade, do pensamento de fazer o máximo de coisas no menor tempo possível. “No slow travel, você está mais presente no momento da viagem e abre mão de conhecer o máximo de coisas possíveis, valorizando mais qualidade do que quantidade”, ressaltou.

Seguindo esse movimento, Rafael Peccin destaca que o trabalho do Parador é lidar com o tempo dos viajantes da melhor maneira possível. “Entendemos que esse tempo tem que ser aproveitado ao máximo, independente se o viajante está em uma slow travel ou se está fazendo nomadismo digital durante esse período de lazer. O segredo da hotelaria de experiência é criar momentos que fazem dessas escapadas algo que fica marcado para os clientes e que fazem a viagem valer a pena”.

NOMADISMO DIGITAL
Também acelerado pela pandemia, o nomadismo digital é uma tendência mundial que estabelece um novo paradigma entre profissionais e seus ambientes de trabalho. Segundo a idealizadora do blog Janelas Abertas, esse movimento, que já dava sinais antes da pandemia, deve ganhar ainda mais força no pós-pandemia.

“Já existia um movimento de nômade digital no Brasil, mas era uma coisa mais restrita a alguns profissionais, como os de tecnologia. Agora, a gente viu uma aceleração dessa transformação digital, com muitas empresas quebrando esse tabu do trabalho remoto. Eu não acho que isso vai ser uma coisa super popular, até porque é um privilégio de alguns profissionais e tem pessoas que gostam de ter uma base fixa, mas com certeza é uma tendência”, destacou Luísa.

Para confirmar essa tendência, Peccin afirma que muitas pessoas têm se permitido viajar a lazer mesmo trabalhando. “Temos visto que muitos clientes viajam com a família e, ao mesmo tempo, estão trabalhando, fazendo uma reunião de negócios. Essa tendência do nomadismo digital e do slow travel é possível até mesmo em grandes centros, como temos visto aqui em Gramado (RS)”.

COMO SE ADAPTAR ÀS TENDÊNCIAS
Para que o slow travel ganhe ainda mais força, é preciso que os empreendimentos se adequem às tendências. Segundo Peccin, é possível proibir alguns serviços, mas com cautela. “No Parador, tentamos quebrar esse tipo de hospedagem comum e começamos proibindo as televisões nos quartos. No entanto, hoje está muito difícil proibir algo, pois os clientes são extremamente exigentes, principalmente quando se trata de produtos upscale. Você até pode orientar, mas quem tem que decidir de fato é o hóspede. Dessa forma, voltamos a televisão com serviços de streaming, mas proibimos a TV aberta para manter o hóspede desconectado do exterior”.

Já em relação à velocidade do serviço na hotelaria, Luísa ressalta que é necessário um ajuste de mentalidade dos viajantes ao se depararem com o “slow service”. “Acho que depende muito do que a pessoa tem como intenção se ela está entendendo qual é a proposta do lugar. Mas acredito que, no geral, as pessoas ainda pensam que têm que ser atendidas a qualquer custo, da forma como quiserem”, explicou.

Apesar do nome, as viagens de escape não significam escapar das responsabilidades, de acordo com os painelistas. “Temos percebido que as pessoas estão muito sensíveis. Quando você se permite viajar e algo dá errado, isso não necessariamente precisa estragar o seu momento. Eu acho que, antes de sair para viajar, as pessoas precisam olhar para dentro de si e se perguntar se estão preparadas para isso. Vamos tentar respeitar o ambiente e não estragar a viagem por pouca coisa”, pontuou Peccin.

Para que isso aconteça, a sócia-fundadora da Mapie ressalta que as empresas devem ensinar os turistas a viajar e ajudá-los a encontrar o propósito da viagem. “O nosso papel é educativo não somente na questão dos protocolos que temos falado bastante, mas também em como ajudar o turista a se conectar com a verdade da viagem. Não adianta nada você atravessar o mundo para buscar alguma coisa que está dentro de você. Então, precisamos ajudar esse turista a incluir no planejamento a clareza do porquê ele está viajando para aquele lugar”, finalizou Trícia.

O Tendências360 acontece até a próxima quinta-feira (29), reunindo cases de empresas e palestrantes em debates acerca do setor de viagens. A programação deste ano é focada nos temas Fun, Food e Travel (entretenimento, gastronomia e viagens) e trará palestrantes nacionais e internacionais, além de cases de empresas inovadoras e painéis para debater as principais tendências desses segmentos.

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