Fabio Godinho conclui ciclo e abre caminho para a nova GJP

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PANROTAS / Filip Calixto
Fabio Godinho, que desde 2018 ocupava a função de CEO da GJP passa agora ao conselho da companhia
Fabio Godinho, que desde 2018 ocupava a função de CEO da GJP passa agora ao conselho da companhia
Uma mudança de rumos na liderança da GJP Hotels & Resorts transformou a rotina de trabalho de Fabio Godinho. Desde 2018 na função de CEO da companhia hoteleira, o executivo deixou o cargo na semana passada, dando lugar a Fábio Mader, ex-CVC Corp. Godinho passa agora a ocupar espaço no conselho do grupo e, gradualmente, vai atuar mais em uma função consultiva e menos operacional nas decisões e planejamentos da marca.

A troca na gestão da companhia hoteleira fundada por Guilherme Paulus (com quem Godinho convive há cerca de 15 anos) vem de uma reestruturação mais profunda que a simples alteração do nome no cargo de CEO. Em setembro do ano passado, a companhia foi vendida a um fundo de private Equity gerido pela R Capital e desde então algumas reorganizações estão sendo executadas.

“A chegada da R Capital para mim foi um grande reconhecimento. Foi a maior transação de um grupo hoteleiro nacional em muitos anos, o que demonstra todo o valor que o fundo viu no nosso trabalho, nos ativos que temos e, principalmente, na equipe que formamos aqui dentro”, aponta Fabio Godinho, que falou com a reportagem do Portal PANROTAS em seu último dia no escritório principal da empresa, na Vila Olímpia, em São Paulo.

Segundo o executivo, que passou a última semana cuidando da sua sucessão, seu principal legado deixado na empresa é a construção de um time coeso e pronto para entregar resultados. “Dá para dizer que hotelaria é hardware e software. O primeiro é tijolo, o hotel. E o segundo são as pessoas que geram o serviço. Sem elas, o melhor ativo não tem valor."

É à construção desse bom time, inclusive, que o profissional atribui resultados recentes e comemorados. Sem revelar os números exatos, Godinho lembra que, desde julho de 2021, a companhia vem anotando sucessivos recordes em faturamento e RevPar - índice que considera receita gerada por apartamento disponível. As unidades da marca, segundo informa o gestor, conseguiram elevar a diária média cobrada em 150% numa comparação entre o último ano e 2018, além de não deixar a ocupação cair.

Além do bom desempenho na atividade tradicional de hotéis, a equipe do agora conselheiro também teve bons índices na diversificação de atuação. A GJP tem investido no desenvolvimento de multipropriedades, com empreendimentos em construção ao lado de hotéis, e timeshare, que teve uma subida de 500 para 7 mil clientes na base de contratos fechados.

“Isso é resultado de um trabalho bem feito de reorganização de processos, implementação de tecnologias, boas ferramentas e foco em gerar satisfação para hóspedes, equipe e acionistas”, sublinha o executivo.

EVOLUÇÃO DOS HOTÉIS
Lembrando de seu início na rede hoteleira, Godinho destaca que um ano antes de chegar, Gustavo Paulus, que estava à frente da empresa, fez uma escolha estratégica de investir na profissionalização dos processos. A partir dessa decisão, e com a entrada do CEO, a busca foi por ferramentas que organizassem toda a lógica da empresa, desde a venda até a entrega das experiências.

“Trabalhamos por modelos específicos de trabalho nos departamentos financeiro, de controle, operacional, vendas, revenue management, timeshare e muito mais”, lembra. A ponta final desse trabalho foi a mudança também na apresentação dos hotéis. Utilizando diferentes marcas, o gestor optou por uma padronização para os imóveis da empresa.

Os nove empreendimentos da companhia são experimentados a partir de quatro bandeiras: Wish (luxo acessível e lazer familiar), Prodigy (custo benefício e valor percebido), Marupiara (lazer em família e classificação midscale) e Linx (funcionalidade).

“Fizemos essas classificações de bandeiras sempre pensando na percepção do cliente e no posicionamento mais correto para cada marca. Isso foi trabalhado pelas diretorias de marketing e produtos, com sites e redes sociais específicos para bandeiras e um esforço para manter padrões”, lembra. De acordo com o executivo, para manter as características, a rede criou check lists e guardiões de marcas que produzem relatórios diários, semanais e mensais para informar sobre a manutenção dos padrões.

A atuação prática nesses hotéis também contou com uma preocupação de reinvestimentos, mantendo os prédios reformados e incluindo experiências.

PANROTAS / Filip Calixto
Fábio Mader, novo CEO da GJP
Fábio Mader, novo CEO da GJP
ESTRATÉGIA COM ATIVOS ICÔNICOS

Uma característica que atravessa a gestão Godinho e deve seguir como presente na cultura da GJP é a valorização de ativos que sejam icônicos para os destinos onde a empresa está. Segundo comenta o CEO, apostar em hotéis que sejam praticamente sinônimos da cidade ou da região é uma forma de fortalecer a companhia e é assim com as unidades da empresa em Gramado e Foz do Iguaçu, por exemplo.

Esse modo de pensar deve seguir utilizado na gestão de Fábio Mader e ser ampliado, com a chegada de novas propriedades. “Esse é um passo inicial da forma como pensamos o mercado e certamente vamos seguir crescendo por esse caminho”, afirma Godinho, revelando também que a companhia tem negociações adiantadas para aplicar as bandeiras da rede em novos hotéis pelo Brasil.

PLANOS
Sobre seus planos pessoais, o ex-CEO da GJP conta que já tem projetos para tocar simultaneamente ao trabalho no conselho da rede hoteleira. Ainda sem revelar detalhes, ele conta que a ideia é montar uma startup para seguir trabalhando no Turismo.
PANROTAS / Filip Calixto
Sai um Fabio e entre outro. Mader substitui Godinho como CEO da GJP
Sai um Fabio e entre outro. Mader substitui Godinho como CEO da GJP
MADER E GODINHO

Finalizando o processo de sucessão na cadeira de CEO, a GJP tem nos xarás Mader e Godinho companheiros de longa data. Os dois se encontram na trajetória profissional pela terceira vez (antes já havia atuado juntos na CVC e na Webjet) e, também por isso, têm pensamentos parecidos sobre o mercado.

“A escolha do Mader não foi minha. Foi da R Capital. Mas acho a opção ideal e a carreira dele fala por si só. Já nos conhecemos há quase 12 anos e trabalhamos em diversas oportunidades. Em comum temos o fato de ter trabalhado em todos os segmentos do Turismo e trazermos para a hotelaria uma visão bem específica, de quem estava fora. Acredito que ele fará um ótimo trabalho”, finaliza Godinho.
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