MERCADO

Grupo Selina quer chegar a 2,5 mil camas no Brasil em 2019

No final de 2017, quando decidiu dar andamento a seu projeto de expansão ao redor do mundo, o Grupo Selina, de hotéis, viu como natural a opção pela América Latina. Fundada no Panamá, a empresa começou a garimpar oportunidades do México à Argentina. Nessa busca, a marca encontrou no Brasil o cenário ideal para seus planos e, pouco mais de um ano depois, com duas propriedades funcionando em solo nacional, acelera o ritmo de inaugurações. Até o final do ano, o inventário brasileiro de camas deve ser de 2,5 mil com oito meios de hospedagem geridos.

São Paulo, Paraty (RJ), Foz do Iguaçu (PR), Jericoacoara e Cano Quebrada (CE) são os próximos destinos pretendidos e devem unir-se a Rio de Janeiro e Florianópolis, onde rede hoteleira já opera. Tais locais, entretanto, são parte do início da trajetória da Selina por aqui. Até 2022, o planejamento aponta para dez mil camas que podem ser adicionadas à rede a partir dos US$ 60 milhões orçados para o ingresso no Brasil.
Grupo Selina/Divulgação
O head of Growth Capital da rede, Daniel Hermann
O head of Growth Capital da rede, Daniel Hermann
O desenvolvimento rápido é possível em virtude do método de ação escolhido. A rede da América Central não precisa de imóveis construídos para ela. As unidades incorporadas ao grupo são prédios convertidos, que já funcionavam como meio de hospedagem ou similar. "Dá para dizer que 99% dos locais que vamos converter estão onde já havia hotéis. São conversões sem construção muito pesada", reforça o head of Growth Capital da rede, Daniel Hermann. O executivo cita o que um edifício precisa ter para transformar-se em um meio de hospedagem da empresa. "Mandatoriamente, precisamos de construções que tenham áreas grandes de convivência e damos preferência para estabelecimentos que tenham de 80 a 120 quartos, para ter algo perto de 300 camas. Mas tudo depende da oportunidade", informa.

A necessidade dos espaços amplos está ligada ao conceito Selina. Hermann esclarece que, todas as propriedades pelo mundo oferecem espaço de coworking, bar, restaurante e instalação para festas sociais. Já o número de quartos é mais aberto pois a ideia é ter farta opção de dormitórios. Os empreendimentos da rede oferecem quartos individuais, coletivos com variados números de camas e até familiares.

Mais um fator fundamental para a instalação da marca está no curioso modelo de negócios. A instalação de um hotel prevê um contrato de locação válido por 20 anos. Esse documento assegura um rendimento mensal para o proprietário, que, geralmente, é quem arca com os custos da reforma que ocorre antes da hoteleira assumir. As intervenções, segundo informa o dirigente, não costumam demandar investimentos muito altos e são mais focadas em mudanças de design.

As intervenções são acompanhadas de perto por uma equipe da empresa de hospedagem. Esse time fica encarregado de obedecer aos padrões de outros hotéis e de conferir toques caracteristicamente locais à decoração. "No Rio, por exemplo, temos um mural ligado à música. Sempre teremos algo assim que busque estabelecer uma ligação entre os ambientes do hotel e a região onde ele se encontra. Isso é o importante para nós", pontua Hermann.

Questionado sobre o potencial financeiro desse tipo de negócio, o executivo assegura que o break even costuma ser alcançado no período de seis a 12 meses de funcionamento. "Os dois hotéis do Brasil já estão positivos. Esperamos que cresça muito", diz.

ANO DECISIVO

Para além dos planos brasileiros, a rede vive um ano decisivo também no ponto de vista global. Depois de encerrar a temporada 2018 com dez mil camas pelo mundo, o projeto para este ano é alcançar 25 mil leitos até dezembro.

Desse montante, a rede estima que 16 mil estejam na América Latina, quatro mil nos Estados Unidos e os demais no Velho Continente.

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