Da reforma tributária a digitalização: o que afeta a hotelaria em 2026? Leia o artigo
João Giaccomassi, diretor de Negócios e Soluções para Hotelaria da TOTVS, destrincha o tema

O Turismo segue se transformando ano a ano e com a hotelaria não é diferente. Em 2026, o segmento deve ser pautado pela reforma tributária e a digitalização de processos segue como pilar. Ao menos é o que acredita João Giaccomassi, diretor de Negócios e Soluções para Hotelaria da TOTVS. Em artigo, o executivo destrincha as tendências que devem afetar a hotelaria.
Confira o texto na íntegra abaixo:
Tendências para a Hotelaria em 2026: da oportunidade fiscal à conquista definitiva do hóspede
"O setor hoteleiro avança em um cenário de transformações contínuas. Se por um lado celebramos a retomada e o aquecimento do Turismo, por outro, 2026 se desenha como um ano de desafios e oportunidades que exigirão dos gestores mais do que nunca: agilidade, visão estratégica e, acima de tudo, uma profunda imersão tecnológica.
Na TOTVS, onde atendemos grandes redes de hotéis do país, acompanhamos de perto essas movimentações. As conversas com nossos clientes, das grandes cadeias aos hotéis independentes, revelam que o próximo ano não será sobre seguir tendências, mas sobre antecipá-las.
O movimento mais comentado é, sem dúvida, a Reforma Tributária. A recente flexibilização anunciada pelo Fisco, que adia a validação obrigatória dos novos tributos (IBS/CBS) nas notas fiscais em janeiro de 2026, pode soar como um alívio. Contudo, essa mudança deve ser vista com extrema cautela. A lei ainda exige que os novos impostos sejam destacados, e a validação se tornará obrigatória nos meses seguintes. Com cerca de 37% das empresas ainda em fase de análise inicial, este tempo extra não é um convite à procrastinação, mas sim uma janela de oportunidade estratégica. O momento crítico para se preparar não desapareceu; ele apenas se tornou mais inteligente. A questão não é mais "correr para não ter a nota rejeitada", mas sim "planejar para garantir uma transição suave e sem sobressaltos". A tecnologia continua sendo a única via para essa conformidade planejada.
Enquanto a adequação fiscal é um projeto de médio prazo, outra transformação fundamental reside na operação diária. Pode parecer um tema batido, mas a realidade é que o papel ainda dita muitas rotinas hoteleiras: a lista de hóspedes do café da manhã numa prancheta, as ordens de manutenção em blocos de notas, o cardápio como um simples PDF estático. Esses processos manuais não são apenas ineficientes; são minas de dados perdidos. Um hotel que digitaliza suas operações básicas ganha em produtividade, integra informações — sabendo, por exemplo, o quanto produzir com base na ocupação real — e fortalece sua pegada ESG.
Essa base operacional digitalizada é o que permite ao hoteleiro capturar oportunidades com uma agilidade sem precedentes. E essas oportunidades vão muito além do calendário tradicional. Estamos falando da hiper-sazonalidade, impulsionada por grandes eventos que criam "micro-temporadas" de altíssima demanda, como a Fórmula 1 em São Paulo ou a COP no Pará. A estratégia aqui é "surfar a onda", o que exige tecnologia ágil para gerenciar a flutuação de tarifas, controlar um grande volume de check-ins de grupos e otimizar a gestão de eventos.
A mensagem para os próximos doze meses é que um hotel não precisa ser grande para ter a tecnologia dos grandes. Ter um sistema que suporta o crescimento dá a confiança para que o gestor possa ousar, fazendo com que a qualidade da experiência do hóspede — e não o tamanho do hotel — seja o verdadeiro diferencial competitivo.
O ano de 2026 será um divisor de águas. Os hotéis que prosperarem serão aqueles que entenderem que a tecnologia não é mais um departamento ou uma ferramenta, mas o sistema nervoso central de toda a operação. Na TOTVS, estamos prontos para ser o parceiro estratégico nessa jornada, transformando desafios em resultados e tendências em realidade."