Pedro Menezes   |   06/01/2026 15:44
Atualizada em 06/01/2026 16:56

Reforma tributária desafia planejamento do Turismo, mas setor mantém otimismo para 2026

Apenas 32,48% das empresas afirmam se sentir preparadas para lidar com os efeitos da reforma tributária


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Embora a maioria das empresas espere alta ou estabilidade nos negócios, a falta de clareza sobre os impactos do novo sistema de impostos aparece como um dos principais fatores de preocupação
Embora a maioria das empresas espere alta ou estabilidade nos negócios, a falta de clareza sobre os impactos do novo sistema de impostos aparece como um dos principais fatores de preocupação

O Turismo brasileiro inicia 2026 com grandes desafios pela frente diante das mudanças estruturais que serão implementadas com a reforma tributária. Embora a maioria das empresas espere alta ou estabilidade nos negócios, a falta de clareza sobre os impactos do novo sistema de impostos aparece como um dos principais fatores de preocupação para empresários e executivos do setor.

É o que revela a pesquisa Pulso Turismo: Expectativas 2026, iniciativa conduzida pelo Trvl Lab em parceria com o Travel Leaders Hub e PANROTAS, que contou com 597 respostas, sendo 42,88% representando agências ou consultorias de viagens e 14,91% operadoras. Outros 12,73% se enquadram em categorias diversas, enquanto 7,87% pertencem ao setor de meios de hospedagem e 6,20% a consolidadoras.

O levantamento também reúne empresas de receptivo internacional (3,35%), companhias aéreas (2,85%), OTAs (2,01%), cruzeiros (2,01%), além de parques e atrações (1,68%), DMOs, associações ou entidades setoriais (1,51%), outros meios de transporte (1,34%) e consultores autônomos ou independentes (0,67%), refletindo uma amostra diversificada de toda a cadeia do Turismo.

De acordo com o levantamento, apenas 32,48% das empresas afirmam se sentir preparadas para lidar com os efeitos da reforma tributária, enquanto 48,72% ainda não sabem dizer se estão prontas e 18,79% declaram claramente não estar preparadas.

Impacto nos preços ainda é incerto para o mercado

A indefinição se reflete diretamente nas projeções de preços para as viagens em 2026. Quando questionados sobre como a reforma tributária deve afetar os valores cobrados aos consumidores, 36,43% dos respondentes acreditam que os preços permanecerão estáveis, enquanto 33,64% projetam aumento de até 20%. Já outros 16,71% avaliam que os reajustes podem ultrapassar esse patamar.

A leitura do mercado, como mostra a pesquisa, é de que, apesar de promessas de simplificação e neutralidade do novo modelo tributário, o período de transição tende a gerar impactos relevantes, sobretudo para pequenas e médias empresas, que representam a maior parte do setor. A dificuldade de adaptação a novos regimes, sistemas e obrigações aparece como um desafio adicional no planejamento para 2026.

Questões fiscais lideram ranking de preocupações

Não por acaso, as questões fiscais, com destaque, claro, para a reforma tributária, figuram entre as maiores preocupações dos empresários do Turismo para o próximo ano. Segundo a pesquisa, esse tema aparece ao lado de fatores como instabilidade política, inflação, juros elevados e oscilações da economia internacional como os principais riscos ao desempenho dos negócios em 2026.

O cenário do Turismo fica ainda mais agitado por se tratar de ano eleitoral. Tanto é que na avaliação de 87% dos entrevistados, as eleições devm impactar os negócios de alguma forma. Para o setor, a combinação entre incertezas políticas e mudanças tributárias amplia a dificuldade de projeção de custos, investimentos e estratégias de longo prazo.

Mesmo com desafios, setor mantém expectativa de crescimento

Apesar do ambiente desafiador, o setor demonstra resiliência. Mais de 60% dos respondentes se dizem muito otimistas em relação a 2026, e cerca de metade das empresas prevê crescimento da receita em comparação com 2025.

O otimismo é sustentado principalmente pelo Turismo de lazer, pelo calendário de feriados e por eventos de grande porte, como a Copa do Mundo, que 45,71% dos entrevistados acreditam que terá impacto positivo nos negócios.

Ainda assim, o avanço da reforma tributária aparece como um fator capaz de limitar ou postergar investimentos, especialmente em áreas que exigem maior previsibilidade financeira, como expansão de operações, contratação de pessoal e desenvolvimento de novos produtos.

Tecnologia surge como resposta estratégica às pressões fiscais

Diante das incertezas tributárias, as empresas de Turismo têm apostado na tecnologia como principal estratégia de adaptação. Quase 70% dos entrevistados afirmam que farão esforço para incorporar inteligência artificial e novas tecnologias voltadas à produtividade, às vendas e à melhoria da jornada do cliente.

A digitalização surge como caminho para compensar eventuais altas de custos, otimizar processos internos e preservar margens em um ambiente fiscal mais complexo. Para o setor, ganhos de eficiência operacional serão fundamentais para atravessar o período de transição da reforma tributária sem perda de competitividade.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.