Hotelaria cresce, mas ritmo desacelera; veja panorama apresentado no fórum do Fohb
Dados da HotelInvest apontam demanda mais contida e oferta restrita de novos empreendimentos

A 8ª edição do Fórum Nacional da Hotelaria, do Fohb, realizada nesta segunda-feira (14), mostrou que a hotelaria brasileira segue crescendo, mas em um ritmo mais moderado. Esse foi um dos principais retratos apresentados por Cristiano Vasques, sócio-diretor da HotelInvest.
Segundo dados acompanhados pela consultoria em 12 das principais capitais brasileiras, a ocupação hoteleira cresceu 0,8% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço é significativamente menor que o registrado no ano anterior, quando a ocupação havia crescido cerca de 3%.
O movimento também aparece na diária média. Depois de uma alta de 6% acima da inflação no primeiro semestre de 2025, o indicador avançou 1,5% acima da inflação nos primeiros seis meses deste ano. Com isso, o RevPAR passou de um crescimento de quase 10% acima da inflação no primeiro semestre de 2025 para 2,3% em 2026.
“Há crescimento, mas esse crescimento está cada vez mais devagar”, resume Vasques. Para o executivo, o cenário está diretamente relacionado ao ambiente macroeconômico, marcado por juros elevados, endividamento das famílias e incertezas em relação às eleições de 2026.
Resorts mantêm desempenho positivo
O segmento de resorts apresenta um cenário um pouco mais favorável. Após um forte salto de desempenho no período pós-pandemia, o mercado também entrou em uma fase de acomodação, mas registrou crescimento de quase 5% na receita acima da inflação no primeiro semestre de 2026.
Vasques destacou ainda o potencial de crescimento do segmento com a demanda internacional. Segundo ele, resorts brasileiros operam atualmente com níveis de ocupação entre 80% e 85% em alguns casos, majoritariamente sustentados pelo mercado doméstico.
“Estamos trabalhando muito pouco com viajantes internacionais. Ainda existe um mercado gigantesco de potencial de demanda no Exterior para trazer. Por isso, sou relativamente otimista com o mercado de resorts”
Cristiano Vasques, sócio-diretor da HotelInvest
Pouca oferta nova no horizonte
Se a demanda começa a apresentar sinais de desaceleração, o desempenho futuro da hotelaria também dependerá da entrada de novos empreendimentos. E, nesse aspecto, o cenário indica uma oferta bastante limitada.
A pesquisa da HotelInvest com as principais redes hoteleiras mostra que existem atualmente 178 hotéis em desenvolvimento ou construção no Brasil para os próximos cinco anos, em relação a 152 projetos identificados no início do ano. O número representa cerca de 26 mil novos quartos, ou aproximadamente 1% de crescimento anual da oferta.
Segundo Vasques, juros elevados, custo de construção, dificuldade de acesso a financiamento e percepção de risco estão entre os principais obstáculos para novos projetos.

“Fazer um hotel é muito caro. E fazer um hotel com dinheiro no bolso é um erro muito grande, porque você imobiliza muito capital. As pessoas estão fazendo com capital próprio porque não há outra forma de desenvolver hotel no Brasil”
Cristiano Vasques, sócio-diretor da HotelInvest
A combinação de demanda crescendo mais lentamente e pouca oferta nova, no entanto, pode favorecer a rentabilidade dos empreendimentos já em operação.
“Apesar de vermos ocupação e diária desacelerando, estes índices ainda estão crescendo acima da inflação. Em grande parte dos mercados, as receitas dos hotéis estão aumentado acima da inflação, permitindo boas margens”, avalia.
Para 2027, a expectativa apresentada pelo executivo é de uma nova desaceleração ou estabilidade no ritmo de crescimento da hotelaria, embora o desempenho possa variar bastante de acordo com cada destino.
“Existe, do lado da demanda, uma restrição e, do lado da oferta, também. Isso gera um ponto interessante, que é uma margem de lucro muito bacana”, conclui Vasques.