AGÊNCIAS DE VIAGENS

Conheça um dos nichos mais lucrativos e menos explorados no País

Jhonatan Soares
Júlia Lima, presidente da Associação Brasileira de Turismo de Saúde (Abratus), descreveu as oportunidades do segmento de potenciais US$ 60 bilhões para os agentes de viagens
Júlia Lima, presidente da Associação Brasileira de Turismo de Saúde (Abratus), descreveu as oportunidades do segmento de potenciais US$ 60 bilhões para os agentes de viagens

É o segmento de Turismo mais lucrativo do mundo. Com essa bandeira de entrada que Júlia Lima, presidente da Associação Brasileira de Turismo de Saúde (Abratus), apresentou à PANROTAS o setor de viagens que é caracterizado pela busca de médicos especializados ou equipamentos hospitalares em outros destinos: Turismo de saúde.

Com potencial de girar US$ 60 bilhões no País em 2030, quando a expectativa é de que dois milhões de turistas do tipo visitem o Brasil, o segmento sofre, porém, com a falta de um dos principais integrantes do processo de seus viajantes: agências especializadas.

"A despesa total de um turista de saúde gira em torno dos US$ 30 mil, dos quais cerca de US$ 20 mil devem ir para custos de hospitais, clínicas, médicos, enfermeiras… Os US$ 10 mil restantes são serviços que o Turismo pode abocanhar", analista Júlia Lima. As agências de viagens nacionais estariam, assim, deixando de entrar neste bolo por falta de especialização ou interesse, algo que para a presidente da Abratus deve ser revertido.

COMO LUCRAR COM ESSE MERCADO?
Além de, obviamente, realizarem tratamentos médicos, os consumidores de Turismo de saúde contam normalmente com períodos elevados de permanência no Brasil, seja para cirurgias simples - que demandam períodos pré e pós cirúrgicos - até processos de oncologia, odontológicos ou cirurgias plásticas, procedimentos com qualidade reconhecida no Brasil.

Os serviços comercializados pelas agências seriam assim para cobrir todo tempo dos viajantes-pacientes no País: oferecer acompanhantes, passeios nos destinos, hotéis bem preparados (a maioria dos quatro e cinco estrelas, segundo Júlia), e até mesmo serviços mais pessoais como massagem e estética, para pacientes com menor possibilidade de locomoção.

"Pouquíssimas delas são preparadas para atender turistas de saúde", lamenta, porém, a presidente da Abratus. "Sei de poucas, e que geralmente já são ligadas a alguns hospitais que costumam receber visitantes internacionais. Mas há um espaço enorme para as agências crescerem no segmento”.

NOVA PLATAFORMA
A solução encontrada pela associação dedicada ao Turismo de Saúde foi criar uma ferramenta capaz de unificar - e impulsionar - as agências especializadas brasileiras. Trata-se da plataforma Brasil Health Tourism, que deve ser lançada em novembro deste ano, e será uma porta de entrada para turistas estrangeiros que buscam atendimentos no Brasil: ela direcionará o viajante para alguma das agências cadastradas na associação e especializada em tipos específicos de atendimento.

O processo de capacitação para entrar na seleta lista de agências especializadas da Abratus é longo, durando no mínimo seis meses. A compensação, por outro lado, é altíssima, de acordo com a presidente da entidade: “A anuidade para fazer parte da associação, que vai de R$ 10 mil a R$ 18 mil por ano dependendo do número de funcionários, é compensada no primeiro paciente, já que eles trazem um faturamento médio de US$ 10 mil. A partir disso, é só lucro”, finaliza Júlia Lima.
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