Beatriz Contelli   |   10/04/2026 17:02

Nepal investiga esquema milionário de fraudes em resgates no Everest

País investiga agências de viagens e até hospitais sobre envenenamento proposital de turistas


Unsplash/Ben Lowe
Mais de 4 mil turistas teriam sido afetados pelo esquema de fraudes
Mais de 4 mil turistas teriam sido afetados pelo esquema de fraudes

Nos últimos dias, às vésperas do início da alta temporada de ascensões ao cume do Everest (8,8 mil metros de altitude), no Nepal, ganharam repercussão global denúncias de um suposto esquema envolvendo guias de montanha e empresas de resgate aéreo.

De acordo com as informações, alguns alpinistas estariam sendo deliberadamente envenenados para acionar resgates e, assim, fraudar seguradoras — um golpe que poderia ter movimentado cerca de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 103 milhões).

Segundo reportagem da Climbing Magazine, e noticiado pela Folha de S. Paulo, há, ainda, a possível criação, pelo governo nepalês, de uma taxa destinada a escaladores mais ricos e apressados. A medida lhes daria prioridade na saída dos acampamentos, permitindo evitar as longas filas que se formam todos os anos na etapa final próxima ao Hillary Step.

Essas aglomerações rendem imagens impressionantes de montanhistas alinhados na chamada “zona da morte”, onde o ar rarefeito torna até o raciocínio um esforço extremo — quanto mais permanecer parado, aguardando a vez de registrar a inevitável foto no topo.

Segundo a publicação, o suposto passe vip — batizado de FastClimb Premium Summit+ — acrescentaria US$ 12 mil aos já elevados US$ 11 mil cobrados pelo governo nepalês pela permissão de escalar o ponto mais alto do planeta nesta temporada. No entanto, logo depois da publicação, a Climbing Magazine incluiu um aviso no topo da reportagem: tratava-se de uma brincadeira de 1º de abril. Ou seja, não haverá privilégio para milionários — pelo menos não nesse formato.

Conforme divulgado pelo g1, a investigação do Departamento Central de Investigação (CIB) da Polícia do Nepal revelou um relatório, com mais de 1,2 mil páginas, foi concluído em março de 2026 e resultou no indiciamento de 33 pessoas. Entre os suspeitos estão proprietários de agências de trekking, operadores de helicópteros e executivos de hospitais.

O esquema funcionava com a participação de diferentes setores do Turismo. Segundo o relatório, voos de resgate eram superfaturados. Um único helicóptero transportava vários passageiros, mas o custo total era cobrado separadamente de cada seguradora. Na prática, um voo de US$ 4 mil podia gerar cobranças de até US$ 12 mil.

As autoridades estimam que pelo menos 4,7 mil turistas estrangeiros foram afetados pelo esquema. O caso também preocupa o governo do Nepal por causa do impacto na imagem do país. Seguradoras internacionais já ameaçam suspender a cobertura para viagens à região.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.