EES obriga Europa a reforçar equipes e acelerar investimentos para amenizar caos no verão
Governo italiano, por exemplo, ameaça suspender o sistema em Roma no auge do verão europeu

A implantação do Entry/Exit System (EES), novo sistema biométrico de controle de entrada e saída de turistas da União Europeia lançado em outubro de 2025, entrou em um momento crítico às vésperas do pico da temporada de verão no continente, que vai de meados de julho até a primeira semana de agosto.
Longas filas, atrasos, voos perdidos e dificuldades operacionais estão levando aeroportos, aéreas e governos a pressionarem a UE por maior flexibilidade na aplicação das regras, mas sem sucesso. Enquanto isso, diversos países anunciam medidas emergenciais para evitar o colapso dos controles migratórios.
Na Itália, Marco Troncone, CEO da Aeroporti di Roma, afirmou que os aeroportos de Fiumicino e Ciampino poderão suspender temporariamente o cadastramento biométrico previsto pelo EES durante os períodos de maior movimento. Segundo ele, realizar a coleta de impressões digitais e reconhecimento facial dos passageiros é incompatível com o fluxo esperado para o verão.
Airports Council International Europe (ACI Europe), Airlines for Europe (A4E) e Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) enviaram uma carta à Comissão Europeia afirmando que o EES chegou a um "ponto crítico". As entidades pedem autorização para suspender temporariamente os controles biométricos sempre que o fluxo de passageiros ultrapassar a capacidade operacional dos aeroportos durante julho e agosto.
Segundo a Iata, o sistema já provocou filas de até três horas e meia em horários de maior movimento e poderá gerar esperas de até seis horas ao longo do verão europeu. A consequência, segundo o setor, tem sido passageiros perdendo conexões e aviões decolando parcialmente vazios enquanto viajantes permanecem retidos na imigração.
No Reino Unido, onde o impacto é sentido nas travessias para França pelo Porto de Dover, Londres e Paris lançaram uma operação conjunta para minimizar transtornos. Ambos reforçaram o efetivo de agentes de fronteira durante as férias escolares britânicas, período em que o movimento dispara. Além disso, o governo britânico liberou mais £ 20 milhões para ampliar a infraestrutura dos controles migratórios em Dover.
Na Espanha, a resposta será estrutural. O aeroporto de Alicante-Elche Miguel Hernández anunciou um investimento de £ 985 milhões (cerca de R$ 7,2 bilhões) para uma ampla expansão entre 2027 e 2031. O projeto prevê um novo terminal exclusivo para passageiros provenientes de países fora do Espaço Schengen, com controle de fronteira centralizado preparado para o EES. Também estão previstas novas pontes de embarque, ampliação das áreas comerciais, uma nova sala VIP e expansão dos estacionamentos.
A Comissão Europeia reconhece as dificuldades operacionais e já convocou reuniões de emergência com governos nacionais, aeroportos e companhias aéreas. O órgão afirma que a legislação já permite alguma flexibilidade para suspender temporariamente a coleta biométrica em pontos específicos quando houver excesso de passageiros, mas rejeita isenções amplas para determinados países ou nacionalidades.
As dificuldades também adiam o próximo passo do controle migratório europeu: o ETIAS (European Travel Information and Authorisation System). A autorização eletrônica, que será obrigatória para turistas de países isentos de visto, incluindo o Brasil, somente entrará em vigor quando o EES estiver funcionando de forma estável. A previsão é que entre em vigor no último trimestre do ano se não for adiado para 2027.
Com informações do The Guardian, The Independent e TravelWeekly.