Pedro Menezes   |   03/07/2026 08:00

WTTC exige ação coordenada para garantir implementação do EES sem prejudicar Turismo

Europa poderá ficar em desvantagem em relação a destinos globais se transtornos com EES continuarem

Divulgação
Cenário poderia colocar em risco até 41 milhões de chegadas e US$ 45,4 bilhões em gastos potenciais de visitantes na Europa
Cenário poderia colocar em risco até 41 milhões de chegadas e US$ 45,4 bilhões em gastos potenciais de visitantes na Europa

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) está ciente das preocupações levantadas pela comunidade aeroportuária e pelas companhias aéreas da Europa em relação à implementação do Sistema de Entrada/Saída do Espaço Schengen (EES), conforme destacado em uma carta aberta publicada pelo Conselho Internacional de Aeroportos da Europa (ACI Europe), pela Airlines for Europe (A4E) e pela Iata.

O Turismo reconhece plenamente a importância de modernizar os sistemas de fronteira e reforçar a segurança em toda a Europa. No entanto, o WTTC tem alertado de forma consistente que, sem flexibilidade adequada, equipamentos confiáveis, pessoal suficiente e comunicação clara aos viajantes, gargalos operacionais podem comprometer a experiência dos visitantes e a competitividade global da Europa como destino turístico.

Se a situação não for resolvida, a Europa poderá ficar em desvantagem em relação a outros destinos globais que oferecem processos de entrada mais rápidos e eficientes, alerta o WTTC.

Uma análise recente do WTTC, baseada em uma pesquisa realizada com mais de 2.500 viajantes de mercados emissores de curta e longa distância para a Europa, indica que tempos de espera nas fronteiras de três horas ou mais podem reduzir a demanda. Aplicado às projeções para 2026, esse cenário poderia colocar em risco até 41 milhões de chegadas e US$ 45,4 bilhões em gastos potenciais de visitantes na Europa.

Três ações para garantir implementação tranquila do EES

  • Acelerar a adoção do aplicativo Travel to Europe, que permite o pré-cadastro digital para o EES;
  • Lançar uma campanha de comunicação coordenada nos principais mercados emissores, para que os viajantes compreendam claramente as novas exigências de fronteira antes da partida;
  • Garantir plena preparação operacional nas fronteiras, com equipes suficientes, equipamentos confiáveis e processos simplificados, inclusive para aqueles que já tenham enviado dados biométricos e realizado o pré-cadastro.

Segundo o WTTC, a implementação deve ser conduzida de forma a preservar a circulação fluida de viajantes internacionais e proteger o valor econômico que o Turismo gera para as comunidades em toda a Europa. Em 2025, o setor contribuiu com US$ 3 trilhões para a economia europeia e sustentou 40,7 milhões de empregos.

"O EES representa um passo importante rumo a fronteiras mais inteligentes e seguras para a Europa. Mas sua implementação precisa ser prática, coordenada e centrada no viajante. Se longos atrasos se tornarem uma prática aceitável, os viajantes procurarão outros destinos. A Europa não pode comprometer sua competitividade nem a experiência que oferece a milhões de visitantes. Incentivamos os comissários europeus a trabalhar em estreita colaboração com a indústria para garantir que o sistema cumpra sua promessa de melhorar as fronteiras sem criar barreiras não intencionais às viagens"

Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.