ECONOMIA E POLÍTICA

CVC Corp chega a R$ 12,6 bi em vendas, mas perde com Avianca Brasil


Emerson Souza
Luiz Fernando Fogaça, diretor presidente da CVC Corp
Luiz Fernando Fogaça, diretor presidente da CVC Corp

A CVC Corp divulgou hoje seu balanço do terceiro trimestre do ano, ao mesmo tempo em que anunciou a aceitação da renúncia de seu CFO, Leopoldo Saboya.
As reservas confirmadas no Brasil, nos nove primeiros meses do ano, chegam a R$ 11,5 bilhões (crescimento de 18,8% sobre 2018, ou 3,11% ProForma). Incluindo a Argentina, as vendas chegaram a R$ 12,6 bilhões, com crescimento de quase 30%.

No terceiro trimestre, a receita foi de R$ 4 bilhões (+15%) no Brasil e a empresa chegou a 1.377 lojas da CVC Operadora e 65 da Experimento. A receita líquida no trimestre chegou a R$ 414,8 milhões.

O impacto da Avianca Brasil, que deixou de operar em maio passado, ainda gera perdas à CVC Corp. Nos dois primeiros trimestres, a companhia já havia registrado prejuízo de R$ 92 milhões com o fim das operações da Avianca Brasil. No terceiro trimestre foram mais R$ 45,4 milhões, incluindo R$ 31,7 milhões com reembolsos e acomodações e R$ 13,7 milhões em processos cíveis. O documento do balanço do 3T19 ainda projeta perdas futuras entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões nos próximos meses.

A CVC Corp teve lucro de R$ 97,5 milhões no trimestre (+2,3%) e o EBITDA chegou a R$ 176,8 milhões (queda de 4,2%). Na Argentina, houve lucro de US$ 5,1 milhões, zerando o prejuízo acumulado do ano.

Em nove meses a geração de caixa na CVC Corp foi de R$ 343 milhões (R$ 443 milhões a mais em relação a 2018).

LAZER CAI
Problemas como o alto preço das passagens aéreas, o câmbio elevado (dólar e real), manchas de óleo no Nordeste e aviões retirados do mercado (como os 737NG da Gol) levaram à queda no lazer, segundo a empresa.

As tarifas aumentaram, em junho, 35% para Maceió, 12% para Fortaleza, 59% para Recife e 47% para Salvador. Em outubro, depois de uma tendência de normalização, voltaram a subir 21% para a capital de Alagoas, 11% para Fortaleza e 19% para Recife. Para Salvador houve queda de 1%. A situação só deve se normalizar no começo de 2020, quando todas as aeronaves retiradas do mercado devem retornar.

A CVC também revelou que precisou mexer no preço dos produtos, devido à agressividade de alguns players, especialmente na venda de pacotes. Para se manter competitiva teve de reduzir preços. E também investir mais em marketing: R$ 118,7 milhões de janeiro a setembro, aumento de 13,4% sobre 2018.

PLANO ESTRATÉGICO
A empresa ratificou seu plano estratégico no trimestre, com vista aos próximos anos, que terão como pilares o crescimento orgânico, o crescimento por fusões e aquisições, a busca por novas fontes de receita, uma gestão austera de custos e a digitalização da companhia. Foram acrescentados as buscas por ser mais data centric (ou seja, usar mais dados de forma inteligente e estratégica) e customer oriented (conhecer e ouvir mais os clientes para oferecer produtos mais adequados e personalizados).

Para o final do ano a empresa promete um app com venda de aéreo e hotel para a CVC Operadora, de forma que os clientes possam comprar de seus celulares com mais facilidade. Na Submarino Viagens, segundo a empresa, a venda de hotéis cresceu 342%.

CANAIS
Por canais, nos nove primeiros meses do ano as lojas exclusivas venderam R$ 4,3 bilhões, crescimento de 1,8% (no terceiro trimestre houve queda de 2,6%). A venda em mesmas lojas caiu 2,9% no terceiro tri.

As agências de viagens independentes responderam por R$ 6,4 bilhões em vendas, com um aumento de 30,7% (no trimestre foram R$ 2,3 bilhões e crescimento de 34,5%).

O on-line cresce 41,7% no ano (R$ 838,6 milhões), mas cai 8,5% no terceiro trimestre (R$ 240 milhões).

PASSAGEIROS
A CVC Corp transportou 3,3 milhões de passageiros no trimestre (+14,5%) e 9,3 milhões no ano (+18,5%).

Os pagamentos com cartão de crédito foram 46% do total no trimestre, seguido por financeiras (30%), à vista (16%) e financiamento próprio CVC (8%).

O documento de balanço conclui que:

"O ano de 2019 está sendo um ano de muitos desafios, especialmente relacionados a fatores exógenos (Avianca, problemas técnicos com aeronaves, óleo no NE, ambiente macro-político no Brasil e na Argentina). Mesmo diante desse cenário, aumentamos nossos investimentos em tecnologia para melhoria da experiência do cliente, aumentamos nossos investimentos em marketing para aumento do fluxo e visitas e reposicionamos preços para continuar ganhando market-share.

Para mitigar essas ações no resultado fizemos gestão muito austera de gastos e de capital de giro, apresentando geração de caixa de R$ 133 milhões no 3T19 e de R$ 343 milhões em 9M19.

Estamos cada vez mais confiantes com as perspectivas que a transformação digital trará ao nosso negócio (e resultados) no médio-longo prazo.”

Leia o documento completo aqui.
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