Retomada é sentida, mas trade precisa de planejamento e cautela

|


Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Profissional de Turismo tem de ser cauteloso em relação à velocidade e a consistência da retomada
Profissional de Turismo tem de ser cauteloso em relação à velocidade e a consistência da retomada

A vacinação avança no Brasil, casos e óbitos por covid-19 diminuem e algumas fronteiras reabrem, o que torna a retomada mais palpável. Dados da Braztoa mostram que o segundo semestre deste ano é o período mais aquecido de embarques desde que a pandemia foi decretada. Para 2022, esta realidade também é presente, e com tendência de alta.

Sim, há motivos para acreditar que o pior já passou, mas há ainda mais razões para o profissional de Turismo ser cauteloso em relação à velocidade e a consistência da retomada. Isso porque os preços vão aumentar. A soltura da demanda reprimida não fará as tarifas de viagens caírem. "Muito pelo contrário. Tudo vai subir", alerta o consultor econômico da FecomercioSP Guilherme Dietze.

"A inflação está alta e vai aumentar, o que impacta diretamente o orçamento das famílias, cada vez mais endividadas. Viagens, por ser um item supérfluo, podem ficar um pouco mais distante, com programação mais consistente e com compras de tíquete médio mais baixos, como em roteiros de duração menor e a destinos próximos", justifica o especialista.

Divulgação
Soltura da demanda reprimida não fará as tarifas de viagens caírem, alerta Guilherme Dietze, da Fecomercio
Soltura da demanda reprimida não fará as tarifas de viagens caírem, alerta Guilherme Dietze, da Fecomercio
Dietze participou hoje da apresentação do primeiro Boletim Mensal Braztoa, no qual foi apresentado o balanço do primeiro semestre de 2021 das operadoras. "Começamos a ver alguns movimentos de alta para o segundo semestre. Companhias aéreas falando em 90% do nível pré-pandemia, hotelaria reaquecendo, mas é preciso destacar a inflação. Portanto, empresário do Turismo, fique atento pois os custos irão aumentar. Hotéis e bilhetes aéreos subirão. Preparem uma forma eficiente de aliviar esse consumo, negociem com seus fornecedores, tentem formas de tornar a venda mais eficiente. A inflação vai pegar no bolso do consumidor e do empresário", ressalta o economista.

VIAJANTE DE LUXO VS. CLASSE MÉDIA
O consultor econômico tranquiliza o profissional de Turismo que trabalha com consumidores de maior poder aquisitivo. Para ele, a demanda reprimida do luxo e das próprias viagens internacionais se soltará sem tantas complicações. "No entanto, o grosso, a classe média, está sendo afetada. A antecedência de compra para esse público pode aumentar e a demanda será certamente por produtos mais baratos".

Guilherme Dietze ainda alerta que a inflação não aumentará apenas no Brasil. "No Exterior também. Nos Estados Unidos a inflação está alta, e lá o governo aumentará os juros. Como consequência, nossa moeda se desvaloriza em relação ao dólar e o Brasil terá de aumentar seu juros também, o que encarecerá o empréstimo das empresas. Em resumo, na ponta os preços subirão em todas as frentes: alimentação, energia, transporte... Viagens podem acabar sendo o último item de escolha das famílias."

O presidente da Braztoa, Roberto Nedelciu, concorda e ressalta que "vimos ministro dizendo que dólar a R$ 5 era bom para o Turismo receptivo no Brasil, mas vale lembrar que praticamente tudo é atrelado ao dólar, como combustível. Não adianta o País estar favorável aos estrangeiros se nosso preço sobe tanto para brasileiros quanto para os próprios estrangeiros. Isso sem contar que 94% da receita do Turismo nacional é movimentada pelo próprio consumidor brasileiro", conclui.

BOM REPORT
Guilherme Dietze é o economista responsável pelos dados macro do Brasil e sua análise no Brazilian Overview Monthly Report (BOM Report), distribuído mensalmente em português e inglês, em uma parceria da PANROTAS com a FecomercioSP. Para receber o relatório mensal da PANROTAS e FecomercioSP clique aqui.
 AVALIE A IMPORTÂNCIA DESTA NOTÍCIA