IRRF a 25% gera perda de talentos e sensação de irrelevância do Turismo

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Do ponto de vista da FecomercioSP, o IRRF sobre remessas ao Exterior com valor de 25% (que viram 33% no preço final ao consumidor) representa uma mudança – e grande – de discurso. Desde sempre se falou em não aumentar impostos e não piorar a competitividade de todos os tipos de atividades do Brasil, mas não foi isso que aconteceu.

PANROTAS / Emerson Souza
Mariana Aldrigui, do Conselho de Turismo da FecomercioSP
Mariana Aldrigui, do Conselho de Turismo da FecomercioSP
“Não sabemos se foi uma desatenção do deputado Hugo Leal, mas isso desmonta todo o compromisso do Ministério do Turismo e da Economia. O que entendemos é que, primeiro houve um equívoco de simplesmente elevar os impostos de uma atividade, sem levar em conta todos os impactos que isso representa. Desde 2018 já vínhamos trabalhando com uma lógica de colocar o Brasil como um país mais competitivo para atrair investimentos, de todos os tipos”, explica a presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Mariana Aldrigui.

Mariana aponta que o risco imediato para o setor de Turismo é o fechamento de empresas e a perda de, pelo menos, 358 mil empregos – como informa relatório encomendado pela Abav Nacional, Braztoa e Clia Brasil. Junto com isso, vem uma perda muito significativa, que é a de talentos e experiência neste mercado.

“Para depois formar profissionais capazes ou atraí-los de volta para uma empresa, é muito mais difícil. Quando não sustentamos um setor, ele perde talentos e produtividade e pode beirar a insignificância. Pior é imaginar que tudo estava encaminhando... E não é que não prestaram atenção, foi um trabalho muito grande das três entidades, o quanto elas se reuniram. Dá a sensação de que essa atividade é irrelevante.”

COMUNICAÇÃO
Um ponto importante destacado pela presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP foi o quanto o País ainda carece de uma comunicação, uma melhor compreensão por parte da sociedade como um todo em relação ao Turismo. E não apenas do grupo de pessoas que consome viagens para o Exterior.

“Desde o início da pandemia, o mesmo que se deu com a classe artística, se deu com o Turismo, como se fossem dois setores desimportantes. Mas devemos pensar em toda a abrangência geográfica que nossa indústria tem, com agências de viagens e todos os tipos de empreendimentos por todo o Brasil. Essas agências que geram empregos e atraem as pessoas que se interessam por viajar”, diz.

Segundo Mariana, o pensamento de que, se as pessoas podem viajar, podem pagar mais impostos, é um discurso simplista, que ignora toda uma construção, um estabelecimento de relações, que começam sendo diplomáticas, mas que depois avançam para negócios, para trocas de conhecimento e mais.

“Este imposto impede, por exemplo, que o pessoal de startups daqui possa participar de eventos fora e trazer suas experiências, inovação e conhecimentos. São consequências de médio a longo prazos que acabam jogando o Brasil em um limbo que vai demorar muito para termos o respeito de volta”, finaliza Mariana.

O Conselho de Turismo da FecomercioSP está trabalhando para apresentar dados e números referentes às perdas de empregos causadas pelo IRRF de 25% sobre remessas ao Exterior. Em breve traremos para o Portal PANROTAS.

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