Beatriz Contelli   |   02/07/2026 15:53

Paulo Solmucci, da Abrasel, questiona urgência do fim da escala 6x1

Presidente da entidade defende que decisão seja tomada após as eleições, que ocorrem em outubro


Divulgação/Abrasel
Paulo Solmucci
Paulo Solmucci

O Senado realizou nesta quarta-feira (1º) uma sessão de debates sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Durante a discussão, representantes do setor produtivo apontaram possível elevação de custos de produção e defenderam que o tema não seja influenciado pelo calendário eleitoral.

O debate no plenário contou com a presença de integrantes do governo, como os ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além de senadores e deputados envolvidos na articulação da proposta.

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, questionou a existência de uma tendência mundial de redução de jornada nos moldes propostos. "Não há tendência mundial nenhuma. Nós temos alguns países do mundo, em torno de vinte, que regulamentaram a jornada de trabalho. Mas nenhum país no mundo ousou, até hoje, proibir a escala 6x1", pontuou ele.

Paulo Solmucci também comentou estimativas de impacto financeiro apresentadas durante a sessão. O ministro Guilherme Boulos citou um estudo do Ipea apontando aumento de custo de 7,8% sobre a folha de pagamentos, valor que o senador Rogério Marinho afirmou ser o dobro, pois se trata de um cálculo sobre a redução da jornada, sem incluir o fim da escala, o que elevaria o impacto para a casa de 16% sobre o total da folha de pagamento.

Solmucci defendeu que, caso a sociedade esteja disposta a arcar com esse valor, ele poderia ter uma alocação mais eficiente. "Já que a sociedade estaria disposta a investir essa quantidade de dinheiro, seria muito mais eficaz usar esse valor para resolver a questão do transporte urbano, que toma vinte horas por semana do trabalhador, do que gastar para reduzir quatro horas de trabalho", pontuou.

O presidente-executivo da Abrasel comentou algumas das declarações feitas na casa, como da senadora Tereza Leitão e do presidente da CUT, Sérgio Nobre, para recuperar o histórico da proposta que está em pauta desde 2015.

"Nesse período todo, de 2015, quando o senador Paim apresenta a PEC, passando pelas discussões de 2019 e de 2024, nenhum dos interlocutores de hoje fizeram uma defesa enfática do trabalhador. Isso só surgiu agora, num contexto de eleição se aproximando", disse.

Ao final de sua fala, Solmucci defendeu que o debate avance ao longo do período eleitoral antes de uma decisão definitiva. "O meu grande pleito é que a gente deixe esse debate se alongar pelas eleições para que a gente valide o que a sociedade quer, mas que a decisão seja tomada com plena consciência após esse período", afirmou.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.